Numa tentativa de resposta à pergunta que diariamente se formula em relação ao estado do país, nada mais indicado do que a peça construída (A partir de O AVARENTO de MOLIÉRE) ‘O AVARENTO ou A última festa’ de José Maria Vieira Mendes. Esta comédia, escrita em 5 Actos?, oferece uma representação totalmente inovadora sem nunca se desviar da cidade e dos assuntos nela envolventes.
O pano sobe lentamente, mas logo deixa transparecer que a cidade está abandonada ou simplesmente desordenada. Da esquerda à direita, uma secretária, computadores agrupados, telas com imagens em movimento, uma campa, uma casota do cão, uma cama num plano mais elevado decorada de imagens diversas e com frases de ordem «como despachar um encalhado», «corrupção», «lei das ruas», «a casa», «o segredo», «amor»), um carro e um sofá são os elementos que sobressaem à primeira impressão. Tudo está ali, tudo está desordenadamente ordenado.
Em seguida, num movimento apressado, os actores entram e interagem com o cenário, aproximando‐se da boca de cena, um a um e dirigem‐se ao público: ‘Meus filhos... nova geração… sentados, adornados com ramos de suplicantes… eu de nome Édipo…’. Ao gosto clássico, a invocação no Prólogo, ainda que num ambiente diferente, situa a cidade (polis) e o que nela se passa: «Toda a cidade, como tu próprio notaste, se agita em estertor e não é capaz de erguer a cabeça acima deste abismo de desespero ensanguentado…». Desde logo, o espectador é levado para outro mundo, mas um mundo que está logo ali, mesmo à sua frente, onde ele é convidado a participar, porque é para ele que os actores se dirigem, olhos nos olhos, e lhes apresentam a cidade em que habitam. É invocado o auxílio ao ‘melhor dos mortais’, porque ‘é melhor governar com gente do que sem ela’. O caos está lançado.
Embora sejam muitos os momentos que mereceriam a nossa análise, destacamos o pai avarento que quer ver seus filhos casados com alguém de posses, mas, como era de esperar, os seus amores pertencem a outros donos e, noutro ponto, a oficina, uma verdadeira caracterização típica da sociedade portuguesa. Aqui, nesta oficina, não se trabalha de qualquer forma, pois o trabalho tem de ser limpo, as mãos não podem estar sujas com o óleo de motor, senão «como dar o aperto fraternal?». A oficina funciona, assim, como espelho de uma sociedade de aparências, onde «… falamos em português…», não existem manchas no chão e as roupas têm de estar limpas. Como se não bastasse, os funcionários só falam de férias e são confrontados com o patrão: «… férias? É só nisso que pensa…?».
Na verdade, a caracterização não poderia ser melhor, porque se temos um patronato que se preocupa com a aparência, temos também a classe trabalhadora a pensar em férias. Mas Vieira Mendes vai mais longe e coloca este ‘patrão’ a gabar‐se das suas qualidades, «… sou engenheiro, tenho um curso superior», e a rebaixar a classe operária «Esta juventude. Não sabem distinguir um Magritte de um Goya, um Beethoven de um Chostacovitch e ainda pedem férias. Se fosses meu filho…».
No final de todo o discurso, o patrão severo mostra ao público que «isto tudo não passa de máscaras de autoridade…», mais uma vez, a sociedade portuguesa por excelência, a sociedade que vive de aparências e se encosta a atitudes mais ou menos ditatoriais para disfarçar a pouca cultura que possui.
Acho que já vi isto em algum lugar!?!
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (16-07-2010)
ESCRITA | ARTE | PUBLICAÇÕES | PROJETOS
sábado, 17 de julho de 2010
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Isto é sério demais para se brincar!
Na semana passada, uma reportagem sobre o interior do país mostrava um conjunto de agricultores e respectivas famílias que ainda vivem sem electricidade. A minha revolta instalou-se de imediato. Não fosse eu um assumido defensor da dita democracia e dos direitos iguais que lhe estão relacionados.
Se há lucros altíssimos, salários muito elevados para os administradores e acrescidos de prémios que davam para sustentar várias famílias de classe média, ainda que em nada me incomode se ganham porque conseguem fazer com que a empresa tenha excelentes resultados, só discordo porque poderiam baixar ao consumo, ainda que não represente uma baixa na realidade, uma vez que poderia levar a gastos menos controlados, mas, independentemente disto, não se poderia levar luz onde ainda hoje, século XXI, não existe?
Admite-se que existam famílias a viver sem luz nas suas casas? Pessoas que pagam impostos? Afinal, onde estão os defensores do social? Será que sabem o que é realmente o socialismo?
Certamente que já todos nos apercebemos que o mundo está entregue à lei da sobrevivência. Todos os políticos se definem como defensores das questões sociais, uns mais numas matérias e outros noutras, mas o certo é que andamos anos a fio a assistir a manobras de diversão que em nada trazem benefícios à população em geral.
Portugal é dos países mais pobres da União Europeia. O Estado está com cortes nos salários e aumento nas taxas. As autarquias lá vão jogando com os pequenos poderes, em dar mais um telhadito aqui, um poste de electricidade ali, um muro mais ali e, muito astutamente, as obras do compadrio vão segurando os tachinhos. Mas não devemos criticar apenas os políticos, porque se não fazem nada e ganham sempre significa que as pessoas estão contentes. Por exemplo, se uma estrada está danificada há anos ou se não aumentam as valências e as populações continuam a votar neles, significa que estão contentes, não é? Para quê mudar de atitude?
Se Portugal está nesta situação quer dizer que muita gente se deixou cair no marasmo e, por uma ou outra razão, não muda de posição. Sabemos que há chantagem em certos casos para ganharem eleições, como aqueles que, feitos com um grupo de apoio, ameaçavam os idosos que não lhes levavam de comer ou arrumavam a casa se não votassem no partido deles ou os que despedem funcionárias se não fizerem todas as vontades patronais, mesmo as que estão fora do contrato e sejam um atentado à moral, ou ainda os que falsificam assinaturas de cheques, porque a outra pessoa que teria de assinar não concordava com determinada despesa, e também aqueles que deixam saldo positivo e nunca mais se sabe dos dinheiros ou apresentam umas contas feitas por eles e dizem que não estão certas, porque há dívidas a abater e não conseguem fazer obras melhores devido à falta de ideias… enfim, não faltam motivos que darão para uma edição a publicar sobre estratégias para ganhar eleições num local onde ‘o diz que disse’ é válido e afinal quem diz que na política não vale tudo, só o diz porque alguém fez o trabalho sujo por eles.
Mas tudo bem, quem ganhou deve governar e mostrar o que vale, para nós basta não concordar e desviar dos praticantes destas atitudes. Como diz o ditado: «O mundo é uma roda, tanto anda como desanda».
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (09-07-2010)
Se há lucros altíssimos, salários muito elevados para os administradores e acrescidos de prémios que davam para sustentar várias famílias de classe média, ainda que em nada me incomode se ganham porque conseguem fazer com que a empresa tenha excelentes resultados, só discordo porque poderiam baixar ao consumo, ainda que não represente uma baixa na realidade, uma vez que poderia levar a gastos menos controlados, mas, independentemente disto, não se poderia levar luz onde ainda hoje, século XXI, não existe?
Admite-se que existam famílias a viver sem luz nas suas casas? Pessoas que pagam impostos? Afinal, onde estão os defensores do social? Será que sabem o que é realmente o socialismo?
Certamente que já todos nos apercebemos que o mundo está entregue à lei da sobrevivência. Todos os políticos se definem como defensores das questões sociais, uns mais numas matérias e outros noutras, mas o certo é que andamos anos a fio a assistir a manobras de diversão que em nada trazem benefícios à população em geral.
Portugal é dos países mais pobres da União Europeia. O Estado está com cortes nos salários e aumento nas taxas. As autarquias lá vão jogando com os pequenos poderes, em dar mais um telhadito aqui, um poste de electricidade ali, um muro mais ali e, muito astutamente, as obras do compadrio vão segurando os tachinhos. Mas não devemos criticar apenas os políticos, porque se não fazem nada e ganham sempre significa que as pessoas estão contentes. Por exemplo, se uma estrada está danificada há anos ou se não aumentam as valências e as populações continuam a votar neles, significa que estão contentes, não é? Para quê mudar de atitude?
Se Portugal está nesta situação quer dizer que muita gente se deixou cair no marasmo e, por uma ou outra razão, não muda de posição. Sabemos que há chantagem em certos casos para ganharem eleições, como aqueles que, feitos com um grupo de apoio, ameaçavam os idosos que não lhes levavam de comer ou arrumavam a casa se não votassem no partido deles ou os que despedem funcionárias se não fizerem todas as vontades patronais, mesmo as que estão fora do contrato e sejam um atentado à moral, ou ainda os que falsificam assinaturas de cheques, porque a outra pessoa que teria de assinar não concordava com determinada despesa, e também aqueles que deixam saldo positivo e nunca mais se sabe dos dinheiros ou apresentam umas contas feitas por eles e dizem que não estão certas, porque há dívidas a abater e não conseguem fazer obras melhores devido à falta de ideias… enfim, não faltam motivos que darão para uma edição a publicar sobre estratégias para ganhar eleições num local onde ‘o diz que disse’ é válido e afinal quem diz que na política não vale tudo, só o diz porque alguém fez o trabalho sujo por eles.
Mas tudo bem, quem ganhou deve governar e mostrar o que vale, para nós basta não concordar e desviar dos praticantes destas atitudes. Como diz o ditado: «O mundo é uma roda, tanto anda como desanda».
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (09-07-2010)
sexta-feira, 2 de julho de 2010
«O que adianta ter uma casa bonita se não tem conforto?»
No passado fim-de-semana, ouvi uma pessoa falar no termino de aulas de canto, dança e música e dizia esta brilhante frase: «O que adianta ter uma casa bonita se não tem conforto». Na verdade, apesar de sempre me revoltar com a falta de visão de alguns agentes que acabam com a formação porque querem o dinheiro para fazer mais ‘um chafariz’, isso é que dá nas vistas, o certo é que esta frase me fez repensar na forma de actuação dos responsáveis culturais e verificar que se pode reverter a situação com eficácia, haja apenas vontade.
Na parte de investigação seguida de registo e publicação sobre Fafe, parece estar no bom caminho, ainda que esta necessite de embarcar novos investigadores para este barco, o que pode e deve ser feito sob a orientação da experiência e reconhecimento e, nesta parte, Artur Coimbra tem conseguido um bom trabalho. Contudo, reforçando a necessidade de aumentar os investigadores, remeto para um recente post no Blog Montelongo (Pelos lugares da alma) que publicita o «Documentário elaborado para a disciplina Área de Projecto por Sofia Rodrigues, Rita Marinho, Cidália Cunha, Joana Gonçalves e Patrícia Silva do 12º Ano, Turma M, da Escola Secundária de Fafe» e aborda algumas lendas do concelho. Não poderia deixar de comentar a qualidade do trabalho, mas também senti que deveria prestar um serviço à comunidade, ou à sua identidade, e sugerir que o mesmo fosse apresentado aos agentes culturais para que em conjunto se desenvolvesse uma maior investigação, por todo o concelho, e se publicasse um trabalho final com registos que serão úteis para vários sectores que se queiram ver desenvolvidos, sejam na área do turismo, cultura e até PDM, porque significará que determinados sítios não devem ser alterados por causa do seu peso cultural/tradicional.
No entanto há questões culturais que faltam perceber aos agentes da cultura em Fafe, se ganharam já reconhecimento individual pelos seus trabalhos, o mesmo não se poderá dizer no colectivo, ou seja, Fafe tem livros editados, Fafe tem programação no Teatro Cinema, mas não tem programadores no concelho. Fafe existe no centro e as aldeias ficam fora do alcance das intervenções culturais e artísticas, muitas vezes por culpa delas, na débil capacidade dos seus gestores, mas o que nos parece mais eficaz será uma divisão por freguesias sob a gestão de um programador, que por sua vez deve estar em sintonia com a secção de cultura da autarquia. Salvaguarde-se o facto de este ‘Programador’ ter capacidades curriculares para desempenhar as funções, porque se não for um agente com formação na área, então deixemos estar quem está, ou seja ninguém, porque assim não se gastam salários indevidamente.
Ainda que em tempos já tenha feito esta observação, parece-me que volta a fazer sentido relembrar que a cultura pode ganhar se se apostar na educação para ela, isto é, se não se educarem as pessoas para a cultura elas nunca saberão se vale a pena ou não. E, conforme os exemplos que vemos no concelho, enquanto tivermos presidentes de junta que se preocupam mais em fazer obras de fachada (quando as fazem) em vez de lutar para que as pessoas possam ter qualidade e aumentar a sua formação, o que passava por aulas de música, teatro, dança, pintura… assim como no desporto a natação, atletismo, ciclismo… significa que seremos um concelho sempre pobre culturalmente.
«O que adianta ter uma casa bonita se não tem conforto?»
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (02-07-2010)
Na parte de investigação seguida de registo e publicação sobre Fafe, parece estar no bom caminho, ainda que esta necessite de embarcar novos investigadores para este barco, o que pode e deve ser feito sob a orientação da experiência e reconhecimento e, nesta parte, Artur Coimbra tem conseguido um bom trabalho. Contudo, reforçando a necessidade de aumentar os investigadores, remeto para um recente post no Blog Montelongo (Pelos lugares da alma) que publicita o «Documentário elaborado para a disciplina Área de Projecto por Sofia Rodrigues, Rita Marinho, Cidália Cunha, Joana Gonçalves e Patrícia Silva do 12º Ano, Turma M, da Escola Secundária de Fafe» e aborda algumas lendas do concelho. Não poderia deixar de comentar a qualidade do trabalho, mas também senti que deveria prestar um serviço à comunidade, ou à sua identidade, e sugerir que o mesmo fosse apresentado aos agentes culturais para que em conjunto se desenvolvesse uma maior investigação, por todo o concelho, e se publicasse um trabalho final com registos que serão úteis para vários sectores que se queiram ver desenvolvidos, sejam na área do turismo, cultura e até PDM, porque significará que determinados sítios não devem ser alterados por causa do seu peso cultural/tradicional.
No entanto há questões culturais que faltam perceber aos agentes da cultura em Fafe, se ganharam já reconhecimento individual pelos seus trabalhos, o mesmo não se poderá dizer no colectivo, ou seja, Fafe tem livros editados, Fafe tem programação no Teatro Cinema, mas não tem programadores no concelho. Fafe existe no centro e as aldeias ficam fora do alcance das intervenções culturais e artísticas, muitas vezes por culpa delas, na débil capacidade dos seus gestores, mas o que nos parece mais eficaz será uma divisão por freguesias sob a gestão de um programador, que por sua vez deve estar em sintonia com a secção de cultura da autarquia. Salvaguarde-se o facto de este ‘Programador’ ter capacidades curriculares para desempenhar as funções, porque se não for um agente com formação na área, então deixemos estar quem está, ou seja ninguém, porque assim não se gastam salários indevidamente.
Ainda que em tempos já tenha feito esta observação, parece-me que volta a fazer sentido relembrar que a cultura pode ganhar se se apostar na educação para ela, isto é, se não se educarem as pessoas para a cultura elas nunca saberão se vale a pena ou não. E, conforme os exemplos que vemos no concelho, enquanto tivermos presidentes de junta que se preocupam mais em fazer obras de fachada (quando as fazem) em vez de lutar para que as pessoas possam ter qualidade e aumentar a sua formação, o que passava por aulas de música, teatro, dança, pintura… assim como no desporto a natação, atletismo, ciclismo… significa que seremos um concelho sempre pobre culturalmente.
«O que adianta ter uma casa bonita se não tem conforto?»
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (02-07-2010)
terça-feira, 29 de junho de 2010
sábado, 26 de junho de 2010
Todos os ciclos de Ensino num só lugar?
A saga continua e a Educação parece querer entrar direitinha para uma fábrica de enlatados. Como se não bastasse o encerramento de várias Escolas, agora querem aparecer as fusões de Agrupamentos.
Desde sempre me insurgi contra esta forma de união de agrupamentos, não que me pareça estranha a sua gestão enquanto agrupamento, mas porque insisto em não concordar com a junção do primeiro ciclo com o segundo e terceiro num mesmo espaço. Os Agrupamentos podiam funcionar da mesma forma tendo várias escolas a funcionar, ou se preferissem poderiam ter uma para o primeiro ciclo e outra para o segundo e terceiro, porque as idades são muito distintas e, conforme já revelaram alguns psicólogos, a agitação das crianças é notória diariamente.
Em Fafe tivemos a construção de várias Escolas que já tinham o seu tempo de vida limitado, isto é progresso? Isto é pensar no bem público? O que achamos engraçado é o facto de algumas escolas terem dispensado alunos para outras e agora andam aflitos que as pessoas voltem a matricular lá os seus filhos, porque correm sérios riscos de encerrar.
Já que optaram por agrupar, não seria bem mais producente aplicar os dinheiros num agrupamento bivalente? Um excelente espaço para o pré-escolar e primeiro ciclo e outro para os segundo e terceiro ciclos?
Sabemos perfeitamente que as estratégias políticas obrigam muitas vezes a manobras de diversão, mas agora os dinheiros dos nossos impostos estão por aí enterrados em paredes de betão que pouco ou nada irão servir se não aparecerem projectos de grande dimensão e que tenham a formação e a cultura como patamar principal. Será que isto já está a ser questionado? Será que vão ser contemplados os projectos que olham para a projecção de Fafe numa perspectiva de intervenção social ou apenas de mais um espaço para funcionar aos fins-de-semana como sede de uma qualquer organização que tem apenas taças para colocar numa montra?
Estas e outras questões terão de ser bem ponderadas pelos agentes culturais e estes espaços não podem viver apenas de fins-de-semana, mas podem ser auxiliadores de uma cultura espalhada pelo concelho no campo da cultura pelas artes.
Pedro Miguel Sousa,
in Jornal Povo de Fafe (25-06-2010)
Desde sempre me insurgi contra esta forma de união de agrupamentos, não que me pareça estranha a sua gestão enquanto agrupamento, mas porque insisto em não concordar com a junção do primeiro ciclo com o segundo e terceiro num mesmo espaço. Os Agrupamentos podiam funcionar da mesma forma tendo várias escolas a funcionar, ou se preferissem poderiam ter uma para o primeiro ciclo e outra para o segundo e terceiro, porque as idades são muito distintas e, conforme já revelaram alguns psicólogos, a agitação das crianças é notória diariamente.
Em Fafe tivemos a construção de várias Escolas que já tinham o seu tempo de vida limitado, isto é progresso? Isto é pensar no bem público? O que achamos engraçado é o facto de algumas escolas terem dispensado alunos para outras e agora andam aflitos que as pessoas voltem a matricular lá os seus filhos, porque correm sérios riscos de encerrar.
Já que optaram por agrupar, não seria bem mais producente aplicar os dinheiros num agrupamento bivalente? Um excelente espaço para o pré-escolar e primeiro ciclo e outro para os segundo e terceiro ciclos?
Sabemos perfeitamente que as estratégias políticas obrigam muitas vezes a manobras de diversão, mas agora os dinheiros dos nossos impostos estão por aí enterrados em paredes de betão que pouco ou nada irão servir se não aparecerem projectos de grande dimensão e que tenham a formação e a cultura como patamar principal. Será que isto já está a ser questionado? Será que vão ser contemplados os projectos que olham para a projecção de Fafe numa perspectiva de intervenção social ou apenas de mais um espaço para funcionar aos fins-de-semana como sede de uma qualquer organização que tem apenas taças para colocar numa montra?
Estas e outras questões terão de ser bem ponderadas pelos agentes culturais e estes espaços não podem viver apenas de fins-de-semana, mas podem ser auxiliadores de uma cultura espalhada pelo concelho no campo da cultura pelas artes.
Pedro Miguel Sousa,
in Jornal Povo de Fafe (25-06-2010)
sábado, 19 de junho de 2010
A Imprensa Escrita e a Blogosfera em Fafe
A Imprensa Escrita, a Rádio e a Televisão dominaram durante várias décadas o sistema de informação. Grandes Manifestos ou Folhetins, ainda hoje alvo de estudos sociológicos ou literários nas nossas Universidades, fizeram o ardina gritar as manchetes mais hilariantes ou a correria em massa para ouvir ou ver as notícias à hora certa.
Na tese de doutoramento do Professor Dinis Manuel Alves, foi provado que as notícias televisivas recorrem em grande escala à Imprensa Escrita para construir a informação a transmitir, note-se as frases: «Segundo o Jornal de Notícias… Na coluna semanal do Público… O Correio da Manhã…». Agora, ainda que se prolongue a recolha de informação na Imprensa Escrita, já se ouve ou lê a referência aos blogues, sejam estes pessoais (note-se grande referência aos de personalidades políticas) ou institucionais.
Já é impossível tentar esquecer que este fenómeno internético existe ou caluniar a sua concorrência à Imprensa Escrita, à Rádio ou à Televisão, porque em nada atropela, apenas a completa. De facto, é imprescindível ligar as entidades informativas à internet, mais não seja para promover as notícias que serão desenvolvidas na edição impressa.
Em última análise, destacamos o que algumas vozes críticas apontam como um problema, ou seja, ‘a não existência de um director para mediar o que deve ser ou não publicado’. Este é o ponto que discordamos, porque cada um deve ser responsável por aquilo que faz e saber ser o seu próprio director. O que não se consegue agora é controlar os blogues, porque é mais fácil controlar dois ou três directores de jornais com cinquenta jornalistas e colaboradores do que ‘cada um dos cinquenta jornalistas e colaboradores’ e todos sabem que há pressões de vários lobbies para que se publique apenas o que é bonito de se dizer. Ainda que se devam destacar os directores que, responsabilizando os seus jornalistas e colaboradores, permitem de forma honesta e jornalística publicar os seus textos.
O concelho de Fafe também tem o seu jornalismo escrito com publicações semanais e já tem um espaço de referência na blogosfera. Depois de alguma observação atenta, verificamos que ambos funcionam sem se atropelar. Contudo, pensamos que há ainda um percurso necessário a fazer que a Imprensa Escrita, mais conservadora, ainda não alcançou, isto é, a recorrência às notícias postadas nos blogues de maior referência. O certo é que o contrário já acontece, por exemplo, o Blog Montelongo (http://blogmontelongo.blogspot.com), blog que tem os seus posts de qualidade reconhecida e ligação para diversos sites que falam de Fafe, tem por hábito anunciar as principais notícias dos dois semanários de Fafe, o que permite a que haja uma procura nas bancas a quem pretende aumentar a sua informação.
Talvez seja este o caminho necessário, sem receios, porque um não atropela mesmo o outro e o papel, ainda com tanta tecnologia, não será de todo substituído, porque este tem características singulares e marcas culturais indispensáveis à formação e informação das pessoas.
in Jornal Povo de Fafe (18-06-2010)
Pedro Miguel Sousa
Na tese de doutoramento do Professor Dinis Manuel Alves, foi provado que as notícias televisivas recorrem em grande escala à Imprensa Escrita para construir a informação a transmitir, note-se as frases: «Segundo o Jornal de Notícias… Na coluna semanal do Público… O Correio da Manhã…». Agora, ainda que se prolongue a recolha de informação na Imprensa Escrita, já se ouve ou lê a referência aos blogues, sejam estes pessoais (note-se grande referência aos de personalidades políticas) ou institucionais.
Já é impossível tentar esquecer que este fenómeno internético existe ou caluniar a sua concorrência à Imprensa Escrita, à Rádio ou à Televisão, porque em nada atropela, apenas a completa. De facto, é imprescindível ligar as entidades informativas à internet, mais não seja para promover as notícias que serão desenvolvidas na edição impressa.
Em última análise, destacamos o que algumas vozes críticas apontam como um problema, ou seja, ‘a não existência de um director para mediar o que deve ser ou não publicado’. Este é o ponto que discordamos, porque cada um deve ser responsável por aquilo que faz e saber ser o seu próprio director. O que não se consegue agora é controlar os blogues, porque é mais fácil controlar dois ou três directores de jornais com cinquenta jornalistas e colaboradores do que ‘cada um dos cinquenta jornalistas e colaboradores’ e todos sabem que há pressões de vários lobbies para que se publique apenas o que é bonito de se dizer. Ainda que se devam destacar os directores que, responsabilizando os seus jornalistas e colaboradores, permitem de forma honesta e jornalística publicar os seus textos.
O concelho de Fafe também tem o seu jornalismo escrito com publicações semanais e já tem um espaço de referência na blogosfera. Depois de alguma observação atenta, verificamos que ambos funcionam sem se atropelar. Contudo, pensamos que há ainda um percurso necessário a fazer que a Imprensa Escrita, mais conservadora, ainda não alcançou, isto é, a recorrência às notícias postadas nos blogues de maior referência. O certo é que o contrário já acontece, por exemplo, o Blog Montelongo (http://blogmontelongo.blogspot.com), blog que tem os seus posts de qualidade reconhecida e ligação para diversos sites que falam de Fafe, tem por hábito anunciar as principais notícias dos dois semanários de Fafe, o que permite a que haja uma procura nas bancas a quem pretende aumentar a sua informação.
Talvez seja este o caminho necessário, sem receios, porque um não atropela mesmo o outro e o papel, ainda com tanta tecnologia, não será de todo substituído, porque este tem características singulares e marcas culturais indispensáveis à formação e informação das pessoas.
in Jornal Povo de Fafe (18-06-2010)
Pedro Miguel Sousa
sábado, 12 de junho de 2010
As línguas clássicas são um excelente veículo para a estrutura mental
Saber fazer rápido, pode ser fácil. Saber fazer bem, também pode ser fácil. Saber fazer rápido e bem, pode já não ser tão fácil!
Perante um mercado cada vez mais competitivo, onde a formação base é obrigada a misturar-se com uma atitude dinâmica e multifuncional, resolvemos observar de perto o que é procurado pelas entidades que pretendem alargar os seus potenciais e afirmar-se no mercado nacional e, principalmente, internacional.
Ainda que as novas tecnologias sejam já uma ferramenta indispensável no dia-a-dia e quem não souber lidar com elas seja considerado ultrapassado, o certo é que estas só funcionam com uma verdadeira estrutura mental. Ou seja, os estudos humanistas são fundamentais para um equilíbrio de emoções que vão despontar uma aplicação de excelência na prática. Beber na fonte dos estudos clássicos, conhecer as suas regras e pensamentos, ouvir com atenção as suas obras e levá-las a uma prática consciente, isto é, estudar a língua dos gregos e dos romanos, traduzindo caso a caso (declinações) permite adquirir uma estrutura mental verdadeiramente arrumada. Esta acção, ainda que reconhecida mais tarde, leva o estudioso a aplicar essa mesma estrutura na sua forma de actuação do dia-a-dia, o que permite ganhar um ritmo de trabalho muitas vezes considerado alucinante, uma vez que permite fazer muitas coisas ao mesmo tempo e adaptar-se com facilidade a qualquer tipo de trabalho ou a ajustar a sua função dentro do seu próprio trabalho.
Esta forma de actuação não tem nada de impossível, bastaria que o estudo das línguas clássicas fosse obrigatório no terceiro ciclo ou no secundário, não se ganhava apenas a dinâmica, mas também a pessoa que dava menos valor ao virtual e mais ao humano, usava apenas o virtual para o essencial e nunca se deixava ultrapassar por este. Além do mais, saberia escrever correctamente o português, a cultura geral seria muito mais eficaz e, em vez de se discutir ‘o carrascão ou o presunto defumado’, os grandes filósofos ou poetas da comédia e da tragédia seriam alvo de observação espontânea, sem nunca se esquecer o néctar de Baco, obviamente!
Por uma cultura humanista para todos!
in Jornal Povo de Fafe (11-06-2010)
Pedro Miguel Sousa
Perante um mercado cada vez mais competitivo, onde a formação base é obrigada a misturar-se com uma atitude dinâmica e multifuncional, resolvemos observar de perto o que é procurado pelas entidades que pretendem alargar os seus potenciais e afirmar-se no mercado nacional e, principalmente, internacional.
Ainda que as novas tecnologias sejam já uma ferramenta indispensável no dia-a-dia e quem não souber lidar com elas seja considerado ultrapassado, o certo é que estas só funcionam com uma verdadeira estrutura mental. Ou seja, os estudos humanistas são fundamentais para um equilíbrio de emoções que vão despontar uma aplicação de excelência na prática. Beber na fonte dos estudos clássicos, conhecer as suas regras e pensamentos, ouvir com atenção as suas obras e levá-las a uma prática consciente, isto é, estudar a língua dos gregos e dos romanos, traduzindo caso a caso (declinações) permite adquirir uma estrutura mental verdadeiramente arrumada. Esta acção, ainda que reconhecida mais tarde, leva o estudioso a aplicar essa mesma estrutura na sua forma de actuação do dia-a-dia, o que permite ganhar um ritmo de trabalho muitas vezes considerado alucinante, uma vez que permite fazer muitas coisas ao mesmo tempo e adaptar-se com facilidade a qualquer tipo de trabalho ou a ajustar a sua função dentro do seu próprio trabalho.
Esta forma de actuação não tem nada de impossível, bastaria que o estudo das línguas clássicas fosse obrigatório no terceiro ciclo ou no secundário, não se ganhava apenas a dinâmica, mas também a pessoa que dava menos valor ao virtual e mais ao humano, usava apenas o virtual para o essencial e nunca se deixava ultrapassar por este. Além do mais, saberia escrever correctamente o português, a cultura geral seria muito mais eficaz e, em vez de se discutir ‘o carrascão ou o presunto defumado’, os grandes filósofos ou poetas da comédia e da tragédia seriam alvo de observação espontânea, sem nunca se esquecer o néctar de Baco, obviamente!
Por uma cultura humanista para todos!
in Jornal Povo de Fafe (11-06-2010)
Pedro Miguel Sousa
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Feliz dia da Criança todos os dias
No dia 1 de Junho, precisamente no dia em que escrevo esta crónica, é celebrado o dia da criança. Talvez este dia fosse despropositado, bastava acabar a guerra, a fome, o terror, a insegurança, os maus tratos e tantas outras atrocidades cobardemente cometidas contra estes ‘seres humanos’ indefesos.
Sempre admirei a atitude da criança. Embora as suas posições sejam algumas vezes de egoísmo, o certo é que uma zanga é esquecida no imediato e partem logo para mais uma aventura imaginária sem se aperceberem das guerras e lutas dos ditos crescidos. O seu poder de perdão é imenso. É mesmo fantástico!
Apesar de tudo isto, nem sempre as crianças crescem nos melhores meios e os exemplos que vão adquirindo são os mais terríveis: os pais bebem demais; o ambiente familiar é vergonhoso; a comunidade tem líderes que só pensam no próprio bem-estar… ou seja, o mundo da rua é o seu guia mais próximo, seja para o bem ou para o mal.
Neste dia surgem muitas festas, espalhadas por todo o lado, com balões e prendinhas, mas amanhã volta a realidade e muitas crianças continuam sem ter uma família equilibrada (não precisa ser rica). Amanhã as crianças já não têm aulas de música, dança e expressão dramática. Amanhã já não têm festa. Amanhã já ninguém se lembra que hoje ou ontem ou mesmo anteontem foi dia da criança e que esta tem direito a ter uma vida, mesmo não tendo o direito ao voto.
Em vez dos agentes culturais e sociais andarem à procura de protagonismo a anunciar ‘a banha da cobra’ com obras para tentarem disfarçar os erros dos crescidos, deviam preocupar-se em conseguir um bom sistema de saúde (para não terem de esperar dias a fio por uma simples consulta), escolas com qualidade nas infra-estruturas e nos recursos humanos e actividades culturais e recreativas para que todas as crianças pudessem ter acesso e com isso crescer na sabedoria, no conhecimento.
Quando ouço a célebre frase - ‘há uma criança dentro de cada um de nós’ – costumo dizer que a minha está bem viva, o que me tem permitido dizer o que penso e, neste momento, penso que as crianças continuam a brincar livremente, ao contrário dos grandes que muitas vezes não são mais do que marionetas nas mãos de um líder qualquer e em conjunto procuram abafar os podres cometidos de uns e de outros. Mas não se deve ignorar o passado, porque um dia, em Belém, nasceu ‘uma criança’ e o Rei tentou matá-la, mas ela cresceu e arrumou a casa de seu Pai que estava tomada por comerciantes que procuravam lucros indevidos e, mesmo esta tendo sido construída com o suor do povo, achavam que tinham apenas eles o direito a usá-la como quisessem.
Este Menino foi morto numa cruz, mas ainda hoje se fala dele como um Homem de coragem, ao contrário dos que usavam o templo para o comércio!
Feliz dia da criança todos os dias!
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (04-06-2010)
Sempre admirei a atitude da criança. Embora as suas posições sejam algumas vezes de egoísmo, o certo é que uma zanga é esquecida no imediato e partem logo para mais uma aventura imaginária sem se aperceberem das guerras e lutas dos ditos crescidos. O seu poder de perdão é imenso. É mesmo fantástico!
Apesar de tudo isto, nem sempre as crianças crescem nos melhores meios e os exemplos que vão adquirindo são os mais terríveis: os pais bebem demais; o ambiente familiar é vergonhoso; a comunidade tem líderes que só pensam no próprio bem-estar… ou seja, o mundo da rua é o seu guia mais próximo, seja para o bem ou para o mal.
Neste dia surgem muitas festas, espalhadas por todo o lado, com balões e prendinhas, mas amanhã volta a realidade e muitas crianças continuam sem ter uma família equilibrada (não precisa ser rica). Amanhã as crianças já não têm aulas de música, dança e expressão dramática. Amanhã já não têm festa. Amanhã já ninguém se lembra que hoje ou ontem ou mesmo anteontem foi dia da criança e que esta tem direito a ter uma vida, mesmo não tendo o direito ao voto.
Em vez dos agentes culturais e sociais andarem à procura de protagonismo a anunciar ‘a banha da cobra’ com obras para tentarem disfarçar os erros dos crescidos, deviam preocupar-se em conseguir um bom sistema de saúde (para não terem de esperar dias a fio por uma simples consulta), escolas com qualidade nas infra-estruturas e nos recursos humanos e actividades culturais e recreativas para que todas as crianças pudessem ter acesso e com isso crescer na sabedoria, no conhecimento.
Quando ouço a célebre frase - ‘há uma criança dentro de cada um de nós’ – costumo dizer que a minha está bem viva, o que me tem permitido dizer o que penso e, neste momento, penso que as crianças continuam a brincar livremente, ao contrário dos grandes que muitas vezes não são mais do que marionetas nas mãos de um líder qualquer e em conjunto procuram abafar os podres cometidos de uns e de outros. Mas não se deve ignorar o passado, porque um dia, em Belém, nasceu ‘uma criança’ e o Rei tentou matá-la, mas ela cresceu e arrumou a casa de seu Pai que estava tomada por comerciantes que procuravam lucros indevidos e, mesmo esta tendo sido construída com o suor do povo, achavam que tinham apenas eles o direito a usá-la como quisessem.
Este Menino foi morto numa cruz, mas ainda hoje se fala dele como um Homem de coragem, ao contrário dos que usavam o templo para o comércio!
Feliz dia da criança todos os dias!
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (04-06-2010)
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