No dia 1 de Junho, precisamente no dia em que escrevo esta crónica, é celebrado o dia da criança. Talvez este dia fosse despropositado, bastava acabar a guerra, a fome, o terror, a insegurança, os maus tratos e tantas outras atrocidades cobardemente cometidas contra estes ‘seres humanos’ indefesos.
Sempre admirei a atitude da criança. Embora as suas posições sejam algumas vezes de egoísmo, o certo é que uma zanga é esquecida no imediato e partem logo para mais uma aventura imaginária sem se aperceberem das guerras e lutas dos ditos crescidos. O seu poder de perdão é imenso. É mesmo fantástico!
Apesar de tudo isto, nem sempre as crianças crescem nos melhores meios e os exemplos que vão adquirindo são os mais terríveis: os pais bebem demais; o ambiente familiar é vergonhoso; a comunidade tem líderes que só pensam no próprio bem-estar… ou seja, o mundo da rua é o seu guia mais próximo, seja para o bem ou para o mal.
Neste dia surgem muitas festas, espalhadas por todo o lado, com balões e prendinhas, mas amanhã volta a realidade e muitas crianças continuam sem ter uma família equilibrada (não precisa ser rica). Amanhã as crianças já não têm aulas de música, dança e expressão dramática. Amanhã já não têm festa. Amanhã já ninguém se lembra que hoje ou ontem ou mesmo anteontem foi dia da criança e que esta tem direito a ter uma vida, mesmo não tendo o direito ao voto.
Em vez dos agentes culturais e sociais andarem à procura de protagonismo a anunciar ‘a banha da cobra’ com obras para tentarem disfarçar os erros dos crescidos, deviam preocupar-se em conseguir um bom sistema de saúde (para não terem de esperar dias a fio por uma simples consulta), escolas com qualidade nas infra-estruturas e nos recursos humanos e actividades culturais e recreativas para que todas as crianças pudessem ter acesso e com isso crescer na sabedoria, no conhecimento.
Quando ouço a célebre frase - ‘há uma criança dentro de cada um de nós’ – costumo dizer que a minha está bem viva, o que me tem permitido dizer o que penso e, neste momento, penso que as crianças continuam a brincar livremente, ao contrário dos grandes que muitas vezes não são mais do que marionetas nas mãos de um líder qualquer e em conjunto procuram abafar os podres cometidos de uns e de outros. Mas não se deve ignorar o passado, porque um dia, em Belém, nasceu ‘uma criança’ e o Rei tentou matá-la, mas ela cresceu e arrumou a casa de seu Pai que estava tomada por comerciantes que procuravam lucros indevidos e, mesmo esta tendo sido construída com o suor do povo, achavam que tinham apenas eles o direito a usá-la como quisessem.
Este Menino foi morto numa cruz, mas ainda hoje se fala dele como um Homem de coragem, ao contrário dos que usavam o templo para o comércio!
Feliz dia da criança todos os dias!
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (04-06-2010)
ESCRITA | ARTE | PUBLICAÇÕES | PROJETOS
sexta-feira, 4 de junho de 2010
sábado, 22 de maio de 2010
Educação de artes ou artes de educação
A Escola tem sofrido enormes transformações nos últimos anos. O que antes parecia ser um dado adquirido, hoje está obsoleto e quase parece irremediável, mas o certo é que se encontra simplesmente numa fase transitória que pode significar uma hecatombe ou um júbilo, tudo dependerá da garra dos agentes da educação.
A Escola já não mete medo. Há muitos pais com pouco pulso. Existem educandos, apesar das tenras idades, que têm ao seu dispor ferramentas que lhes permitem viajar no mundo com tudo o que isso tem de bom e de mau. Ou seja, estamos mesmo numa era de viragem, onde os jovens manuseiam as tecnologias com maior eficiência do que os seus encarregados de educação, ainda que não tenham uma experiência que os possa suportar em todas as entraves.
As apostas na educação seguiram um determinado rumo, num momento em que surgiu essa necessidade, mas precisam ser revistas com urgência para que a sociedade possa crescer e competir com carisma empreendedor. Não se pode esperar mais que os meninos sejam fechados e a Escola lhes incuta a ordem, a disciplina e o conhecimento, mas sim que a Escola seja o complemento na educação e na orientação.
Apesar de algumas apostas disfarçadas numa aprendizagem apenas para estatística, o certo é que há bons resultados na aposta em cursos muito mais práticos e já se percebeu que são estes que continuam a angariar mais adeptos em detrimento dos teóricos. Neste momento, é necessário reorganizar e disponibilizar mais horas e recursos nas áreas artísticas e criativas.
As Novas Oportunidades trouxeram os nossos pais às escolas para validarem as suas competências ou para se requalificarem numa outra área, mas apostaram também naqueles jovens que de outro modo jamais sairiam do ensino básico, mas conseguiram sobretudo fazer com que as pessoas procurassem mais e melhor formação e enveredassem por um caminho profissionalizante, o que nos parece agora é que o país precisa de perceber que está na altura de uma nova investida e esta passa pela aposta na educação pelas artes e no regresso da educação mais erudita, onde no primeiro caso temos o fluir da criatividade em escala ascendente e, no segundo caso, as línguas clássicas que assumem um papel fundamental e estruturante, não só na aquisição de conhecimentos de excelência na língua e cultura portuguesa ou outras línguas românicas, mas também numa estrutura mental capaz de um exercício lógico que consiga uma desenvoltura rápida e eficaz.
Se o caminho se faz caminhando, a educação também se faz de etapas, mas o país não pode desperdiçar esta oportunidade de fazer com que as pessoas que voltaram à escola saiam sem aprofundar conhecimentos e saberes, só assim é que se conseguirá um crescimento cultural e intelectual no país que levará a um avanço dos povos e da própria economia.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (21/05/2010)
A Escola já não mete medo. Há muitos pais com pouco pulso. Existem educandos, apesar das tenras idades, que têm ao seu dispor ferramentas que lhes permitem viajar no mundo com tudo o que isso tem de bom e de mau. Ou seja, estamos mesmo numa era de viragem, onde os jovens manuseiam as tecnologias com maior eficiência do que os seus encarregados de educação, ainda que não tenham uma experiência que os possa suportar em todas as entraves.
As apostas na educação seguiram um determinado rumo, num momento em que surgiu essa necessidade, mas precisam ser revistas com urgência para que a sociedade possa crescer e competir com carisma empreendedor. Não se pode esperar mais que os meninos sejam fechados e a Escola lhes incuta a ordem, a disciplina e o conhecimento, mas sim que a Escola seja o complemento na educação e na orientação.
Apesar de algumas apostas disfarçadas numa aprendizagem apenas para estatística, o certo é que há bons resultados na aposta em cursos muito mais práticos e já se percebeu que são estes que continuam a angariar mais adeptos em detrimento dos teóricos. Neste momento, é necessário reorganizar e disponibilizar mais horas e recursos nas áreas artísticas e criativas.
As Novas Oportunidades trouxeram os nossos pais às escolas para validarem as suas competências ou para se requalificarem numa outra área, mas apostaram também naqueles jovens que de outro modo jamais sairiam do ensino básico, mas conseguiram sobretudo fazer com que as pessoas procurassem mais e melhor formação e enveredassem por um caminho profissionalizante, o que nos parece agora é que o país precisa de perceber que está na altura de uma nova investida e esta passa pela aposta na educação pelas artes e no regresso da educação mais erudita, onde no primeiro caso temos o fluir da criatividade em escala ascendente e, no segundo caso, as línguas clássicas que assumem um papel fundamental e estruturante, não só na aquisição de conhecimentos de excelência na língua e cultura portuguesa ou outras línguas românicas, mas também numa estrutura mental capaz de um exercício lógico que consiga uma desenvoltura rápida e eficaz.
Se o caminho se faz caminhando, a educação também se faz de etapas, mas o país não pode desperdiçar esta oportunidade de fazer com que as pessoas que voltaram à escola saiam sem aprofundar conhecimentos e saberes, só assim é que se conseguirá um crescimento cultural e intelectual no país que levará a um avanço dos povos e da própria economia.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (21/05/2010)
sexta-feira, 14 de maio de 2010
«Grande parte dos ataques à Igreja surgem dentro da própria Igreja!» Papa Bento XVI
Na viagem até Lisboa, Bento XVI fala aos jornalistas sem receio do que o mundo possa dizer, neste caso, o mundo tem mesmo de aclamar: vivam os homens de coragem!
Certamente que para uma instituição de nobres costumes seria bem mais fácil encobrir ou disfarçar a realidade e cobrir-se com um manto de ‘vítimas’, talvez bastasse dizer ‘querem-nos destruir’, atendendo à sua presença e imponência no mundo. Mas está já provado que Bento XVI não aceita esta teoria, muito pelo contrário, quem comete tamanhas atrocidades é resignado.
Nós, os católicos, temos de assumir que somos pecadores e não tentar dispersar os nossos pecados apontando os defeitos dos outros! Muitas das vezes, quando surgem situações incómodas, a tentativa primeira é a de afastar as atenções para os erros dos outros, não que isso nos liberte da culpa, mas para tentar fazer com que o julgamento seja distribuído. Há, no entanto, outros que tentam anunciar algo de positivo, pensando que essa nova etapa será um marco mais importante e as pessoas esqueçam os erros cometidos. Isto é feito através do anúncio de novas obras para a Igreja, às vezes anunciadas as mesmas várias vezes, novos projectos de evangelização ou simplesmente de uma ou outra festa com comes e bebes!
Na verdade, a Igreja Católica está em festa. Não está apenas em festa porque o Papa está em Portugal, mas sim porque este Papa é uma marca de viragem nas mentalidades e a sua mensagem é, efectivamente, uma mensagem de renovação nos valores cristãos. A Igreja precisa de renovação. A Igreja precisa de ter gente que a sirva com sentido de responsabilidade e compromisso e que não continue a alimentar comissões fabriqueiras que sustentam eternamente o lugar para beneficiar um ou outro amigo nas obras paroquiais. A Igreja Católica precisa de repensar o celibato para acabar com a hipocrisia, pois é mais honesto assumir o compromisso das pessoas do que se encobrir por mantos negros. A Igreja Católica precisa de saber que as pessoas já não estão no tempo em que o Padre é a figura máxima e pode fazer tudo que ninguém lhes diz nada, porque quem tenta agir dessa forma fica a falar com as paredes. Ou seja, tudo isto para dizer que o mundo mudou e a Igreja não precisa de ir em modas, mas tem de saber dar o exemplo como verdadeiros anunciadores da palavra de Deus e como orientadores nos difíceis caminhos da vida.
Bento XVI, ainda que se encontre numa fase inicial, começa a ganhar adeptos convictos da sua perseverança nos valores de Cristo. Esta atitude não é a que agrada a muitos dos seus sacerdotes, que até atacaram os jornalistas católicos por descreverem actos que envergonham a Igreja, ainda que estes só tenham feito o seu trabalho e só mostraram o que os próprios sacerdotes ou os seus lacaios fizeram, mas é a atitude que agrada com toda a certeza à doutrina deixada nas Sagradas Escrituras.
in Jornal Povo de Fafe (14/05/2010)
Certamente que para uma instituição de nobres costumes seria bem mais fácil encobrir ou disfarçar a realidade e cobrir-se com um manto de ‘vítimas’, talvez bastasse dizer ‘querem-nos destruir’, atendendo à sua presença e imponência no mundo. Mas está já provado que Bento XVI não aceita esta teoria, muito pelo contrário, quem comete tamanhas atrocidades é resignado.
Nós, os católicos, temos de assumir que somos pecadores e não tentar dispersar os nossos pecados apontando os defeitos dos outros! Muitas das vezes, quando surgem situações incómodas, a tentativa primeira é a de afastar as atenções para os erros dos outros, não que isso nos liberte da culpa, mas para tentar fazer com que o julgamento seja distribuído. Há, no entanto, outros que tentam anunciar algo de positivo, pensando que essa nova etapa será um marco mais importante e as pessoas esqueçam os erros cometidos. Isto é feito através do anúncio de novas obras para a Igreja, às vezes anunciadas as mesmas várias vezes, novos projectos de evangelização ou simplesmente de uma ou outra festa com comes e bebes!
Na verdade, a Igreja Católica está em festa. Não está apenas em festa porque o Papa está em Portugal, mas sim porque este Papa é uma marca de viragem nas mentalidades e a sua mensagem é, efectivamente, uma mensagem de renovação nos valores cristãos. A Igreja precisa de renovação. A Igreja precisa de ter gente que a sirva com sentido de responsabilidade e compromisso e que não continue a alimentar comissões fabriqueiras que sustentam eternamente o lugar para beneficiar um ou outro amigo nas obras paroquiais. A Igreja Católica precisa de repensar o celibato para acabar com a hipocrisia, pois é mais honesto assumir o compromisso das pessoas do que se encobrir por mantos negros. A Igreja Católica precisa de saber que as pessoas já não estão no tempo em que o Padre é a figura máxima e pode fazer tudo que ninguém lhes diz nada, porque quem tenta agir dessa forma fica a falar com as paredes. Ou seja, tudo isto para dizer que o mundo mudou e a Igreja não precisa de ir em modas, mas tem de saber dar o exemplo como verdadeiros anunciadores da palavra de Deus e como orientadores nos difíceis caminhos da vida.
Bento XVI, ainda que se encontre numa fase inicial, começa a ganhar adeptos convictos da sua perseverança nos valores de Cristo. Esta atitude não é a que agrada a muitos dos seus sacerdotes, que até atacaram os jornalistas católicos por descreverem actos que envergonham a Igreja, ainda que estes só tenham feito o seu trabalho e só mostraram o que os próprios sacerdotes ou os seus lacaios fizeram, mas é a atitude que agrada com toda a certeza à doutrina deixada nas Sagradas Escrituras.
in Jornal Povo de Fafe (14/05/2010)
Pedro Miguel Sousa
sábado, 8 de maio de 2010
Qual a melhor Escola?
Se em tempos a Escola escolhia os alunos, hoje são os alunos/encarregados de educação a escolher a Escola. A maioria continua a optar por uma escola próxima de casa, principalmente nas freguesias, mas a situação está a alterar-se e, num futuro muito próximo, só as melhores escolas é que terão alunos.
Sendo assim, o que faz uma boa Escola?
Muitas respostas poderiam ser dadas e, certamente, podem ser retiradas inúmeras conclusões, algumas até ajustadas a uma realidade de conveniência de um ou outro político que defenda a sua casa, contudo a qualidade da Escola passará sempre por alguns conceitos básicos: Professores vocacionados, funcionários qualificados e alunos empenhados. Esta sintonia não surge na inscrição, mas molda-se através de um grupo docente altamente qualificado e motivador da classe discente, funcionários predispostos a aumentar a sua formação e com comportamentos enquadrados no bom exemplo e alunos que procurem aumentar a sua formação.
Os principais responsáveis serão sempre os Professores, pois é a eles que cabe a nobre tarefa de transmitir saberes e orientar na pesquisa de novos conhecimentos, colocando-se numa postura de mestres da arte e nunca na autoridade prepotente. Saber exigir o respeito pela sabedoria e não pelo medo. O que levará a que o aluno sinta a necessidade de aprender mais e melhor e, quem sabe, superar o próprio mestre. Já os funcionários, um elo muito importante na formação humana, têm de participar nas tarefas da escola e, em escolas do ensino pré-escolar ou do primeiro ciclo, trabalhar com sentido de entrega aos alunos, sabendo ouvir, falar e acompanhar.
Cada vez mais, devido à falta de crianças e à facilidade de deslocação, os encarregados de educação procurarão aquelas Escolas em que os alunos são acompanhados com atenção e os níveis de aprendizagem são notórios, quer através do desenvolvimento cognitivo da criança em questões de matéria escolar quer através da sua postura perante a vida e o mundo que a rodeia.
Todas as Escolas que continuarem sem requalificarem continuadamente os seus agentes (Professores e funcionários), estão condenadas ao encerramento, felizmente, para bem do futuro de Portugal e da Europa.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (07/05/2010)
Sendo assim, o que faz uma boa Escola?
Muitas respostas poderiam ser dadas e, certamente, podem ser retiradas inúmeras conclusões, algumas até ajustadas a uma realidade de conveniência de um ou outro político que defenda a sua casa, contudo a qualidade da Escola passará sempre por alguns conceitos básicos: Professores vocacionados, funcionários qualificados e alunos empenhados. Esta sintonia não surge na inscrição, mas molda-se através de um grupo docente altamente qualificado e motivador da classe discente, funcionários predispostos a aumentar a sua formação e com comportamentos enquadrados no bom exemplo e alunos que procurem aumentar a sua formação.
Os principais responsáveis serão sempre os Professores, pois é a eles que cabe a nobre tarefa de transmitir saberes e orientar na pesquisa de novos conhecimentos, colocando-se numa postura de mestres da arte e nunca na autoridade prepotente. Saber exigir o respeito pela sabedoria e não pelo medo. O que levará a que o aluno sinta a necessidade de aprender mais e melhor e, quem sabe, superar o próprio mestre. Já os funcionários, um elo muito importante na formação humana, têm de participar nas tarefas da escola e, em escolas do ensino pré-escolar ou do primeiro ciclo, trabalhar com sentido de entrega aos alunos, sabendo ouvir, falar e acompanhar.
Cada vez mais, devido à falta de crianças e à facilidade de deslocação, os encarregados de educação procurarão aquelas Escolas em que os alunos são acompanhados com atenção e os níveis de aprendizagem são notórios, quer através do desenvolvimento cognitivo da criança em questões de matéria escolar quer através da sua postura perante a vida e o mundo que a rodeia.
Todas as Escolas que continuarem sem requalificarem continuadamente os seus agentes (Professores e funcionários), estão condenadas ao encerramento, felizmente, para bem do futuro de Portugal e da Europa.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (07/05/2010)
sexta-feira, 30 de abril de 2010
"O que mais me impressiona nos fracos, é que eles precisam de humilhar os outros, para se sentirem fortes..." Gandhi
A performance obriga a estudar o comportamento humano numa perspectiva artística ou social, sendo que a postura assumida pode significar uma marca destruidora para a pessoa, embora ela se julgue, naquele momento, o melhor entre os iguais mortais.
Culturalmente, sabemos que a troca constante de posição não é a opção socialmente aceitável, ainda que possa parecer e ter muitas vezes aplausos mediáticos, mas logo se transforma em esquecimento e impede a formação do ser humano de se vincar com atitude e postura. A cultura em Portugal, no meio rural, é o reflexo por excelência da frase de Gandhi «O que mais me impressiona nos fracos é que eles precisam de humilhar os outros para se sentirem fortes…».
Na verdade, as lutas de poder nos meios mais pequenos são medidas através da altura do tom de voz, o que veio substituir a agressão física das feiras ou das tabernas para medir a força. Mas também ainda existe o conceito de ‘taberna’, apenas se alterou o espaço para um meio mais formal, o café, que tem agora o monopólio da exaltação do homem e onde se discute o seu posicionamento perante uma ou outra tomada de posição.
Assim, o café é o local por excelência das zonas rurais, a praça pública, na sua maioria frequentados por homens, que vão mostrando os seus ‘gabaritos’ a pessoas ou grupo de pessoas que consideram mais influentes lá na terrinha. Há mesmo quem utilize este meio para bajular os seus ‘líderes’, ou seja, os cumprimentos são obrigatórios àquela pessoa e de um modo mais delicado e este lá lhe dá os parabéns por esta ou aquela situação, ou seja, uma espécie de ‘padrinho da máfia’.
No meio disto tudo, felizmente, surgem alguns dos mais jovens ou os que sempre pensaram por si e que não estão para estas ‘fidalguias’ dos senhores, nem para estas humilhações, devido ao aumento quer do nível de formação quer do uso liberalizado das novas tecnologias, e agem segundo a sua consciência, seguem os seus próprios ideais.
Deste modo, ainda hoje, em pleno século XXI, há pessoas com comportamentos dúbios em relação à obediência dos senhores. A palavra ‘democracia’ é assumida por eles como uma forma de liberdade, mas é uma liberdade encoberta, disfarçada, porque não conseguem viver sem as orientações dos prevaricadores. Mesmo que estes os incitem a atitudes erróneas, não têm a capacidade de pensar por si, o que é muito grave!
A sociedade portuguesa, apesar de uma mudança lenta, ainda sofre de perturbações senhoriais e, o mais curioso, é que estas são visíveis em indivíduos que ‘enchem o peito’ para falar dos valores e ideais de Abril. São pessoas que têm necessidade da auto-promoção e, ao falarem tanto nos seus feitos, não se apercebem do ridículo em que estão envolvidos muitas das vezes. São, por vezes, desprezadas por um líder, porque não obedeceram a uma ordem, mas voltam a tentar aproximar-se, mas agora como meros objectos no tempo da escravatura, tendo como único consolo a apreciação de um chefe qualquer muito mal formado.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (30/04/2010)
Culturalmente, sabemos que a troca constante de posição não é a opção socialmente aceitável, ainda que possa parecer e ter muitas vezes aplausos mediáticos, mas logo se transforma em esquecimento e impede a formação do ser humano de se vincar com atitude e postura. A cultura em Portugal, no meio rural, é o reflexo por excelência da frase de Gandhi «O que mais me impressiona nos fracos é que eles precisam de humilhar os outros para se sentirem fortes…».
Na verdade, as lutas de poder nos meios mais pequenos são medidas através da altura do tom de voz, o que veio substituir a agressão física das feiras ou das tabernas para medir a força. Mas também ainda existe o conceito de ‘taberna’, apenas se alterou o espaço para um meio mais formal, o café, que tem agora o monopólio da exaltação do homem e onde se discute o seu posicionamento perante uma ou outra tomada de posição.
Assim, o café é o local por excelência das zonas rurais, a praça pública, na sua maioria frequentados por homens, que vão mostrando os seus ‘gabaritos’ a pessoas ou grupo de pessoas que consideram mais influentes lá na terrinha. Há mesmo quem utilize este meio para bajular os seus ‘líderes’, ou seja, os cumprimentos são obrigatórios àquela pessoa e de um modo mais delicado e este lá lhe dá os parabéns por esta ou aquela situação, ou seja, uma espécie de ‘padrinho da máfia’.
No meio disto tudo, felizmente, surgem alguns dos mais jovens ou os que sempre pensaram por si e que não estão para estas ‘fidalguias’ dos senhores, nem para estas humilhações, devido ao aumento quer do nível de formação quer do uso liberalizado das novas tecnologias, e agem segundo a sua consciência, seguem os seus próprios ideais.
Deste modo, ainda hoje, em pleno século XXI, há pessoas com comportamentos dúbios em relação à obediência dos senhores. A palavra ‘democracia’ é assumida por eles como uma forma de liberdade, mas é uma liberdade encoberta, disfarçada, porque não conseguem viver sem as orientações dos prevaricadores. Mesmo que estes os incitem a atitudes erróneas, não têm a capacidade de pensar por si, o que é muito grave!
A sociedade portuguesa, apesar de uma mudança lenta, ainda sofre de perturbações senhoriais e, o mais curioso, é que estas são visíveis em indivíduos que ‘enchem o peito’ para falar dos valores e ideais de Abril. São pessoas que têm necessidade da auto-promoção e, ao falarem tanto nos seus feitos, não se apercebem do ridículo em que estão envolvidos muitas das vezes. São, por vezes, desprezadas por um líder, porque não obedeceram a uma ordem, mas voltam a tentar aproximar-se, mas agora como meros objectos no tempo da escravatura, tendo como único consolo a apreciação de um chefe qualquer muito mal formado.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (30/04/2010)
domingo, 25 de abril de 2010
25 de Abril
Renasce hoje um novo combate em Portugal. Já não há armas, nem carros de combate no Terreiro do Paço. Agora, são as vozes, as palavras que apontam o quartel de outros senhores de gabarito distorcidos. É o anúncio da cultura! É a Revolução Cultural!
Esta pode ser uma batalha perigosa. Há demasiados lobbies agarrados como verdadeiras sanguessugas. A impotência do mexilhão parece perecer. A força está enfraquecida. Os cravos já não são vermelhos.
Mas a alma é a mesma!
Esta pode ser uma batalha perigosa. Há demasiados lobbies agarrados como verdadeiras sanguessugas. A impotência do mexilhão parece perecer. A força está enfraquecida. Os cravos já não são vermelhos.
Mas a alma é a mesma!
sábado, 24 de abril de 2010
Muita gente não se quer rever naquilo que fez!
«É jornalista, católico, vai à missa e escreve isto?» Depois de ouvir esta frase, que poderia ser direccionada para qualquer ouvinte, mas teve a intenção encoberta de apontar o jornalismo e os jornalistas, achamos por bem colocá-la à apreciação de um público atento para que possa tirar as suas conclusões.
Num tempo e num espaço de reflexão, a frase pretendia apontar o incomodo de jornais e jornalistas, num período conturbado para a Igreja Católica, que relatam os factos de uma sociedade, mas um relato que não interessa ser descoberto, sob pena de trazer consequências nefastas para os autores de situações menos transparentes.
Sendo o Povo de Fafe um Jornal de inspiração cristã, os seus valores passam pela doutrina da verdade e da justiça, o que nos parece que em nada se atropelam com os ideias de outros jornais que procurem a veracidade dos factos. Contudo, deparamo-nos imensas vezes com alguns entraves na aceitação de artigos que mostrem uma verdade em nada gloriosa para os seus autores, mas a pergunta que se coloca é sempre a mesma: por que será que as pessoas fazem as coisas e depois não aceitam que sejam relatadas?
Um jornalista católico, ou apenas um católico, deve seguir a doutrina de Deus e não a dos homens. Um jornalista católico deve procurar dizer sempre a verdade e nunca se calar perante as injustiças cometidas aos mais desfavorecidos. Um jornalista católico não deve deixar de descrever uma situação má só porque foi um líder religioso ou alguém que anda sempre na igreja, porque ‘não é só o que diz meu Deus, meu Deus, que entra no reino dos céus’.
A questão que os católicos devem fazer é outra: Sou católico, devo fazer isto? Certamente que Deus lhe ficará bem mais agradecido, porque é melhor pensar e fazer do que fazer e depois insurgir-se contra um jornal ou jornalistas que apenas fazem o seu trabalho.
Se os artigos não apresentarem verdade, há sempre a hipótese de confrontar, mas para isso terá mesmo de existir ‘uma verdade que o comprove’, nunca tentar encobrir ou pedir para que outros assumam as nossas culpas. Parece-nos que este será o caminho mais correcto para um jornal de inspiração cristã, não será?
Ou será que um jornalista católico deve deixar de cumprir escrupulosamente o seu trabalho só porque pertence a uma mesma religião que os autores de momentos comprometedores? Isto não seria regredir no tempo?
‘Quem não deve não teme’!
A Igreja católica precisa rever os seus conceitos e a sua forma de actuação, porque é penoso demais ter dois Santos Padres que após assumirem a sua missão viram-se obrigados a pedir desculpas ao mundo pelos pecados da própria Igreja! Esta é uma cruz muito pesada!
Se a preocupação fosse ‘sou católico, devo fazer isto?’ em vez de uma preocupação com o que os jornais relatam, até porque quando isso acontece o erro já foi cometido, talvez teríamos um mundo um pouco melhor.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (23/04/2010)
Num tempo e num espaço de reflexão, a frase pretendia apontar o incomodo de jornais e jornalistas, num período conturbado para a Igreja Católica, que relatam os factos de uma sociedade, mas um relato que não interessa ser descoberto, sob pena de trazer consequências nefastas para os autores de situações menos transparentes.
Sendo o Povo de Fafe um Jornal de inspiração cristã, os seus valores passam pela doutrina da verdade e da justiça, o que nos parece que em nada se atropelam com os ideias de outros jornais que procurem a veracidade dos factos. Contudo, deparamo-nos imensas vezes com alguns entraves na aceitação de artigos que mostrem uma verdade em nada gloriosa para os seus autores, mas a pergunta que se coloca é sempre a mesma: por que será que as pessoas fazem as coisas e depois não aceitam que sejam relatadas?
Um jornalista católico, ou apenas um católico, deve seguir a doutrina de Deus e não a dos homens. Um jornalista católico deve procurar dizer sempre a verdade e nunca se calar perante as injustiças cometidas aos mais desfavorecidos. Um jornalista católico não deve deixar de descrever uma situação má só porque foi um líder religioso ou alguém que anda sempre na igreja, porque ‘não é só o que diz meu Deus, meu Deus, que entra no reino dos céus’.
A questão que os católicos devem fazer é outra: Sou católico, devo fazer isto? Certamente que Deus lhe ficará bem mais agradecido, porque é melhor pensar e fazer do que fazer e depois insurgir-se contra um jornal ou jornalistas que apenas fazem o seu trabalho.
Se os artigos não apresentarem verdade, há sempre a hipótese de confrontar, mas para isso terá mesmo de existir ‘uma verdade que o comprove’, nunca tentar encobrir ou pedir para que outros assumam as nossas culpas. Parece-nos que este será o caminho mais correcto para um jornal de inspiração cristã, não será?
Ou será que um jornalista católico deve deixar de cumprir escrupulosamente o seu trabalho só porque pertence a uma mesma religião que os autores de momentos comprometedores? Isto não seria regredir no tempo?
‘Quem não deve não teme’!
A Igreja católica precisa rever os seus conceitos e a sua forma de actuação, porque é penoso demais ter dois Santos Padres que após assumirem a sua missão viram-se obrigados a pedir desculpas ao mundo pelos pecados da própria Igreja! Esta é uma cruz muito pesada!
Se a preocupação fosse ‘sou católico, devo fazer isto?’ em vez de uma preocupação com o que os jornais relatam, até porque quando isso acontece o erro já foi cometido, talvez teríamos um mundo um pouco melhor.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (23/04/2010)
sexta-feira, 16 de abril de 2010
A cultura do Povo de Fafe
Há uns anos atrás, numa associação que fundei com um amigo e na qual tenho o prazer de participar nos órgãos de gestão desde a sua fundação, resolvi propor a criação de uma revista (revista ‘alfa’) que se localizasse num tempo e num espaço próprio, pois assim poderíamos não só divulgar as actividades da associação e promover novas apostas, mas também dar destaque à cultura popular. Conhecíamos alguns artesãos, mas sabíamos que outros se associariam ao projecto e nos procurariam, o que aconteceu na realidade.
Após três lançamentos, divulgados na comunicação social local e nos sítios da internet do Club Alfa, verificamos que a aposta está ganha, hoje temos material à disposição para fazer uma exposição de qualidade. O mesmo pensei para uma coluna do Caderno Cultural do Povo de Fafe e, na última edição do mesmo, saiu já o trabalho de dois artistas populares que se dedicam à pintura no espelho. Como acontecera com a revista ‘alfa’, já fomos contactados para abordar uma exposição, que apresentava diversos trabalhos quer de pessoas individuais quer de colectividades, realizada numa freguesia de Fafe, e a qual será divulgada no próximo número do Caderno Cultural.
Deste modo, acreditamos que Fafe tem muitas potencialidades que podem e devem ser divulgadas. A cultura não é só dos que já ganharam reconhecimento público, nem dos eruditos ou intelectuais, a cultura é de todos que fazem dela uma forma de ser e estar na vida. Se atentarmos nas obras artísticas, reconhecemos que há o recurso aos mais diversos materiais para expressar as mais variadas emoções, sensações, revoltas ou alegrias, mas se uns conseguiram alcançar êxito porque acreditaram nas suas obras, outros têm no Povo de Fafe um apoio para divulgar os seus trabalhos e, assim, fazer com que as apostas na cultura e na arte sejam uma referência e tornem um marco na história do Povo de Fafe.
Independentemente da obra e dos materiais utilizados na sua elaboração, seja uma pessoa individual ou colectiva, todos poderão entrar em contacto com a redacção do Jornal Povo de Fafe para que possamos agendar uma visita aos trabalhos ou acompanhar um evento que retrate a cultura do Povo de Fafe.
Em conjunto, vamos divulgar a Arte do Povo de Fafe!
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (16-04-2010)
Após três lançamentos, divulgados na comunicação social local e nos sítios da internet do Club Alfa, verificamos que a aposta está ganha, hoje temos material à disposição para fazer uma exposição de qualidade. O mesmo pensei para uma coluna do Caderno Cultural do Povo de Fafe e, na última edição do mesmo, saiu já o trabalho de dois artistas populares que se dedicam à pintura no espelho. Como acontecera com a revista ‘alfa’, já fomos contactados para abordar uma exposição, que apresentava diversos trabalhos quer de pessoas individuais quer de colectividades, realizada numa freguesia de Fafe, e a qual será divulgada no próximo número do Caderno Cultural.
Deste modo, acreditamos que Fafe tem muitas potencialidades que podem e devem ser divulgadas. A cultura não é só dos que já ganharam reconhecimento público, nem dos eruditos ou intelectuais, a cultura é de todos que fazem dela uma forma de ser e estar na vida. Se atentarmos nas obras artísticas, reconhecemos que há o recurso aos mais diversos materiais para expressar as mais variadas emoções, sensações, revoltas ou alegrias, mas se uns conseguiram alcançar êxito porque acreditaram nas suas obras, outros têm no Povo de Fafe um apoio para divulgar os seus trabalhos e, assim, fazer com que as apostas na cultura e na arte sejam uma referência e tornem um marco na história do Povo de Fafe.
Independentemente da obra e dos materiais utilizados na sua elaboração, seja uma pessoa individual ou colectiva, todos poderão entrar em contacto com a redacção do Jornal Povo de Fafe para que possamos agendar uma visita aos trabalhos ou acompanhar um evento que retrate a cultura do Povo de Fafe.
Em conjunto, vamos divulgar a Arte do Povo de Fafe!
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (16-04-2010)
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