As Escolas estão novamente na mira dos jornais e, mais uma vez, não é pelas melhores razões. A minha geração foi apelidada das piores coisas, mas agora somos nós que acolhemos esta geração e só uma pergunta se coloca: enquanto estávamos a tirar o curso, onde estiveram os pais destes miúdos?
A sociedade portuguesa apelidou-nos durante toda a década de 90 de ‘lights, rascas…’ mas eram os mesmos que estavam e são os que ainda estão no poder hoje em dia… afinal, o que se passou na governação, nas leis do ensino e na sociedade para que os jovens não respeitem a escola? E não falamos apenas de violência com colegas ou professores, falamos também do desinteresse e da falta de responsabilidade em não cumprir com os seus próprios trabalhos.
Grande parte dos problemas das escolas deve-se à desresponsabilização dos pais, que só pensam nos próprios, e deixam transparecer isso para os que vêem neles o ‘melhor’ exemplo, ainda que não o sejam muitas das vezes. Não adianta querer tapar o sol com a peneira e continuar a viver um mundo de fantasias, ou os encarregados de educação tomam as rédeas ou não vale a pena continuar a lutar contra a corrente, porque não se consegue fazer omeletas sem ovos, e a escola terá de repensar a sua forma de actuação.
A escola tem de ser um complemento na educação e formação, jamais o único local, porque a afectividade maternal e paternal nunca a poderá dar.
Reconhecemos que educar é cada vez mais difícil, mas, por me terem apelidado de rasca, talvez compreenda bem que os rótulos e veja na outra parte, aquela que acredita que pode chegar a algum lado e que tudo faz para que os seus resultados sejam bons ou, pelo menos, razoáveis, uma geração de força. Contudo, o mais curioso, é que a análise mostra-nos que estes conseguem ter uma família estruturada, onde um pai e uma mãe se preocupam com o seu dia-a-dia… e não usam a escola como um depósito de filhos!
Não estará na altura de repensar as famílias?
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (26/03/2010)
ESCRITA | ARTE | PUBLICAÇÕES | PROJETOS
sábado, 27 de março de 2010
domingo, 21 de março de 2010
A Teatralidade na Comunicação Social
A Teatralidade na Comunicação Social é um tema que nos parece importante retratar numa época festiva para o Jornal Povo de Fafe. São 70 anos ‘ao serviço’ de Fafe ou ‘ao serviço’ de uma linha editorial que se rege pelos princípios cristãos. É, precisamente, esta expressão que nos merece destaque: ‘ao serviço’. Afinal, quem está ‘ao serviço’ de quem?
Não seria minha a escrita se não iniciasse um pouco de tom provocativo, mas desta vez prometo seguir uma linha mais científica, que vá de encontro ao que um leitor atento pode esperar dos seus escritores, poetas ou apenas relatores de um jogo qualquer.
Na vida, em tudo que a rodeia, há sempre uma certa teatralidade. O que, entenda-se, não representa um tom negativista, apenas pretende mostrar a real situação dos factos. Há momentos em que o destaque é de grande relevo, mas outros há em que o relevo é pouco elevado porque se trata de assuntos perturbadores na sociedade.
10 anos ‘ao serviço’ da Comunicação Social, sendo os últimos 5 no Povo de Fafe, permitiram-me conhecer o agradável que é comunicar, mas também os dissabores de descrever a realidade ou de opinar livremente. Entre as mais variadas formas de escrita, reconheço um tom elevado quando se trata de desigualdades ou tramas sociais, mas não me revejo de todo numa minoria soberana, o que me leva a levantar questões que seriam bem mais fáceis se não existissem.
Quantas vezes me pediram para não escrever sobre certos assuntos e quantas outras para dizer bem de certos grupos. Isto é teatro puro. São as próprias pessoas a representar um papel para a sociedade, o problema é que o crítico de teatro tem de ter distanciamento para poder escrever com exactidão. O mesmo se passa com o bom jornalista que investiga, vai ao local, interroga todas as pessoas e redige apenas o que estas relatam.
Numa idade adulta jornalística do Povo de Fafe, 70 anos, achei por bem questionar também o meu percurso e questionar a minha posição jornalística. Devo destacar que já há muito me apercebi o que me tornaria um homem amado nas elites, bastava que as minhas palavras fossem as mais belas, mas este não seria eu, não seria autêntico, não seria o autor, não seria principalmente justo para os leitores, nem para o Jornal POVO de FAFE, que merece todo o meu respeito e a minha dedicação.
Tudo o resto é teatro!
in Jornal Povo de Fafe (19-03-2010)
Pedro Miguel Teixeira Sousa
Não seria minha a escrita se não iniciasse um pouco de tom provocativo, mas desta vez prometo seguir uma linha mais científica, que vá de encontro ao que um leitor atento pode esperar dos seus escritores, poetas ou apenas relatores de um jogo qualquer.
Na vida, em tudo que a rodeia, há sempre uma certa teatralidade. O que, entenda-se, não representa um tom negativista, apenas pretende mostrar a real situação dos factos. Há momentos em que o destaque é de grande relevo, mas outros há em que o relevo é pouco elevado porque se trata de assuntos perturbadores na sociedade.
10 anos ‘ao serviço’ da Comunicação Social, sendo os últimos 5 no Povo de Fafe, permitiram-me conhecer o agradável que é comunicar, mas também os dissabores de descrever a realidade ou de opinar livremente. Entre as mais variadas formas de escrita, reconheço um tom elevado quando se trata de desigualdades ou tramas sociais, mas não me revejo de todo numa minoria soberana, o que me leva a levantar questões que seriam bem mais fáceis se não existissem.
Quantas vezes me pediram para não escrever sobre certos assuntos e quantas outras para dizer bem de certos grupos. Isto é teatro puro. São as próprias pessoas a representar um papel para a sociedade, o problema é que o crítico de teatro tem de ter distanciamento para poder escrever com exactidão. O mesmo se passa com o bom jornalista que investiga, vai ao local, interroga todas as pessoas e redige apenas o que estas relatam.
Numa idade adulta jornalística do Povo de Fafe, 70 anos, achei por bem questionar também o meu percurso e questionar a minha posição jornalística. Devo destacar que já há muito me apercebi o que me tornaria um homem amado nas elites, bastava que as minhas palavras fossem as mais belas, mas este não seria eu, não seria autêntico, não seria o autor, não seria principalmente justo para os leitores, nem para o Jornal POVO de FAFE, que merece todo o meu respeito e a minha dedicação.
Tudo o resto é teatro!
in Jornal Povo de Fafe (19-03-2010)
Pedro Miguel Teixeira Sousa
sexta-feira, 5 de março de 2010
A cultura também são edifícios…
Numa recente conferência na Universidade de Coimbra, o Secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle mostrava a importância e necessidade de fazer um registo de todo o património arquitectónico. No imediato, Fafe e o seu património foi o nosso alvo de análise e deparamos que mais uma vez este concelho perde as suas potencialidades na falta de uma animação cultural e turística capaz e em sintonia.
Seria injusto falar da necessidade da recolha de informação e respectivo registo se depois não houvesse uma animação cultural que o justificasse, porque quem faz a cultura não são as obras, mas os espectadores atentos que comentam, criticam e de uma forma ou de outra intervêm e a complementam.
Procuramos não entrar em questões político-partidárias, porque essas são sempre as grandes entraves de um forte desenvolvimento, mas não podemos continuar serenos ao assistir ao desperdício de verbas que a autarquia lhe permite, para entretenimentos supérfluos, quando o que está em questão é uma cidade, que preferimos sempre dizer ‘concelho’ coberto por uma rede de infra-estruturas culturais capazes de permitir um desenvolvimento e enriquecimento das suas populações e de hipotéticos visitantes.
Na verdade, tudo é tão supérfluo, tudo é tão mesquinho, tudo é tão ridículo, mas o certo é que estas terminologias de pseudo-intelectuais deixam de ter importância quando verificamos que é ‘no povo e nas suas artes’, ainda que populares, que está um verdadeiro caminho a seguir e explorar. É, ao mesmo tempo, na recuperação de edifícios e na sua classificação como património que Fafe ganha a sua própria identidade. Ao mesmo tempo, aproveitando os recursos já existentes, o aumento de rota de pedestrianismo, a aposta num turismo rural em sítios estratégicos, uma animação eficaz e saudável são sempre ingredientes de sucesso. É verdade que nada se consegue sem dinheiro, mas valerá a pena insistir que há projectos à espera de candidaturas?
Haverá alguma razão especial para que de uma vez por todas os agentes culturais se apercebam que têm de exigir muito mais dos seus autarcas? Obviamente não é de dinheiro que nos referimos, mas de apoio técnico, jurídico… ainda que não tenhamos tido a oportunidade de assistir, é importante fazer acções para mostrar onde estão e como se consegue a aprovação dos projectos (Jovens em Acção, organizado pelo Vereador da Cultura), por que não seguem outros Vereadores o mesmo princípio? Não foi para ajudar Fafe que foram eleitos? Toca a sair do ar condicionado e sentir o que o concelho realmente precisa…
in Jornal Povo de Fafe (05/03/2010)
Pedro Miguel Sousa
Seria injusto falar da necessidade da recolha de informação e respectivo registo se depois não houvesse uma animação cultural que o justificasse, porque quem faz a cultura não são as obras, mas os espectadores atentos que comentam, criticam e de uma forma ou de outra intervêm e a complementam.
Procuramos não entrar em questões político-partidárias, porque essas são sempre as grandes entraves de um forte desenvolvimento, mas não podemos continuar serenos ao assistir ao desperdício de verbas que a autarquia lhe permite, para entretenimentos supérfluos, quando o que está em questão é uma cidade, que preferimos sempre dizer ‘concelho’ coberto por uma rede de infra-estruturas culturais capazes de permitir um desenvolvimento e enriquecimento das suas populações e de hipotéticos visitantes.
Na verdade, tudo é tão supérfluo, tudo é tão mesquinho, tudo é tão ridículo, mas o certo é que estas terminologias de pseudo-intelectuais deixam de ter importância quando verificamos que é ‘no povo e nas suas artes’, ainda que populares, que está um verdadeiro caminho a seguir e explorar. É, ao mesmo tempo, na recuperação de edifícios e na sua classificação como património que Fafe ganha a sua própria identidade. Ao mesmo tempo, aproveitando os recursos já existentes, o aumento de rota de pedestrianismo, a aposta num turismo rural em sítios estratégicos, uma animação eficaz e saudável são sempre ingredientes de sucesso. É verdade que nada se consegue sem dinheiro, mas valerá a pena insistir que há projectos à espera de candidaturas?
Haverá alguma razão especial para que de uma vez por todas os agentes culturais se apercebam que têm de exigir muito mais dos seus autarcas? Obviamente não é de dinheiro que nos referimos, mas de apoio técnico, jurídico… ainda que não tenhamos tido a oportunidade de assistir, é importante fazer acções para mostrar onde estão e como se consegue a aprovação dos projectos (Jovens em Acção, organizado pelo Vereador da Cultura), por que não seguem outros Vereadores o mesmo princípio? Não foi para ajudar Fafe que foram eleitos? Toca a sair do ar condicionado e sentir o que o concelho realmente precisa…
in Jornal Povo de Fafe (05/03/2010)
Pedro Miguel Sousa
quarta-feira, 3 de março de 2010
Lançamento de livro sobre jornalismo - 'Como eles nos enganam'
O Professor Dinis Manuel Alves, jornalista durante muitos anos, actualmente docente no Instituto Superior Miguel Torga - Coimbra, publicou um livro que tão bem retrata a Comunicação Social em Portugal. Os jogos de informação e contra-informação, os jogos de poder...


«PROMOÇÕES, SILÊNCIOS, DESVIRTUAÇÕES - A informação ao serviço da estação
Nas televisões portuguesas pratica-se um jornalismo de guerra sem que seja preciso arriscar repórteres no campo de batalha. A guerra é suja e trava-se entre as estações de televisão. Promovem-se os produtos da casa, com os telejornais servindo de outdoors para alavancar audiências e desmoralizar o inimigo da frequência ao lado. É publicidade travestida de notícia, com a vantagem de não contar para as quotas.
Nas televisões portuguesas pratica-se um jornalismo de guerra sem que seja preciso arriscar repórteres no campo de batalha. A guerra é suja e trava-se entre as estações de televisão. Promovem-se os produtos da casa, com os telejornais servindo de outdoors para alavancar audiências e desmoralizar o inimigo da frequência ao lado. É publicidade travestida de notícia, com a vantagem de não contar para as quotas.
Dinis Manuel Alves passou à lupa centenas de telejornais das TV’s portuguesas, dando conta, neste livro, de autênticas campanhas de manipulação informativa. “A informação ao serviço da estação” talvez se devesse chamar “Como eles nos enganam”.»
segunda-feira, 1 de março de 2010
O silêncio...
Às vezes é preciso remetermo-nos ao silêncio, não porque tememos, apenas para que o caminho seja construído sem entraves! Os aplausos surgem mais tarde, mas surgem!
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Carnaval em Fafe
O Carnaval trouxe muito frio, mas o colorido da festa conseguiu mobilizar os espectadores atentos às mais diversas sátiras que iam surgindo. Como habitual, Antime mereceu a nossa atenção e, sem dúvida, a organização é merecedora de aplauso pela coordenação cada vez mais marcada.
Não fosse a rasteira pregada pela Câmara, que alterou o desfile das crianças para domingo, Antime teria mais uma vez uma enchente igual a anos anteriores. Mas, independente dos visitantes, a festa em Antime é cada vez mais animada e o espírito do espectador é mesmo influenciado pela alegria e boa disposição. Na frente, os bombos abriam o arraial e um grupo de madeirenses do infantário, perfeitamente caracterizados, coloriam as ruas. Este ano, não faltou o casamento homossexual, que não mereceu a bênção do Padre, ainda que tenham tentado quando este se aproximara. Se o espírito se queixava, o mesmo não podia dizer o corpo, uma vez que o cozinheiro de serviço servia umas bifanas bem temperadas.
As várias instituições de Antime estavam representadas e, sem dúvida, o carnaval não pode ser analisado por uma simples fotografia objectiva do real, mas este é um palco por excelência onde há uma representação efectiva. O encenador, coadjuvado pelos figurinistas, aderecistas, cenógrafos e gente da sonoplastia conseguiram mostrar que o caminho se faz caminhando e que só em conjunto e com uma coordenação firme é que se conseguem os melhores aplausos.
Fafe (autarquia/turismo) precisa de pensar em aproveitar o que de bom já acontece e não atrapalhar. Precisa de ajudar a dar mais visibilidade e até conseguir mais apoios para tornar a festa ainda mais colorida.
Se há um Carnaval de referência em Fafe, este acontece em Antime. No teatro, após uma representação brilhante, os espectadores aplaudem os actores em pé. Como considero este desfile uma boa representação, aplaudo o encenador, toda a equipa técnica e, principalmente, os actores grandes e pequeninos.
in Jornal Povo de Fafe (19/02/2010)
Pedro Miguel Sousa
Não fosse a rasteira pregada pela Câmara, que alterou o desfile das crianças para domingo, Antime teria mais uma vez uma enchente igual a anos anteriores. Mas, independente dos visitantes, a festa em Antime é cada vez mais animada e o espírito do espectador é mesmo influenciado pela alegria e boa disposição. Na frente, os bombos abriam o arraial e um grupo de madeirenses do infantário, perfeitamente caracterizados, coloriam as ruas. Este ano, não faltou o casamento homossexual, que não mereceu a bênção do Padre, ainda que tenham tentado quando este se aproximara. Se o espírito se queixava, o mesmo não podia dizer o corpo, uma vez que o cozinheiro de serviço servia umas bifanas bem temperadas.
As várias instituições de Antime estavam representadas e, sem dúvida, o carnaval não pode ser analisado por uma simples fotografia objectiva do real, mas este é um palco por excelência onde há uma representação efectiva. O encenador, coadjuvado pelos figurinistas, aderecistas, cenógrafos e gente da sonoplastia conseguiram mostrar que o caminho se faz caminhando e que só em conjunto e com uma coordenação firme é que se conseguem os melhores aplausos.
Fafe (autarquia/turismo) precisa de pensar em aproveitar o que de bom já acontece e não atrapalhar. Precisa de ajudar a dar mais visibilidade e até conseguir mais apoios para tornar a festa ainda mais colorida.
Se há um Carnaval de referência em Fafe, este acontece em Antime. No teatro, após uma representação brilhante, os espectadores aplaudem os actores em pé. Como considero este desfile uma boa representação, aplaudo o encenador, toda a equipa técnica e, principalmente, os actores grandes e pequeninos.
in Jornal Povo de Fafe (19/02/2010)
Pedro Miguel Sousa
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Salvador
Hoje é o teu dia. Hoje é o dia em que trouxeste a alegria a todos os que te rodeiam, que aguardavam a tua chegada com muito carinho. Já sei que chegaste bem! E também sei que trazes muita felicidade para o mundo.
Obrigado, Salvador!
Obrigado, Salvador!
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
A máscara
Os Estudos Teatrais têm ocupado uma parte considerável do meu percurso académico. Ainda que muitos afirmem que ‘um doutor é um burro carregado de livros’, prefiro pensar que os livros são um belo fardo de palha, que muito me apraz saborear. No entanto, não poderia deixar passar mais um Carnaval sem mostrar que realmente conheço também as artimanhas de ‘ser um rei em terra de cegos’, mas prefiro continuar sem máscara.
Valério, personagem da obra O Avarento de Molière, apontava o caminho a seguir para ser bem visto pelo seu Senhor: «…sob que máscara de simpatia me disfarço para lhe agradar e que personagem represento todos os dias para conseguir o seu afecto. (…) vou-me dando conta de que para ganhar os homens, não há melhor caminho do que o de, diante deles, fazer reverência às suas inclinações, adoptar as suas máximas, esconder os seus defeitos e aplaudir o que fazem. (…) A sinceridade sofre um pouco com este meu trabalho, mas quando precisamos dos homens, temos de nos ajustar a eles e como não conseguimos conquistá-los senão assim, a culpa não é dos que lisonjeiam mas dos que querem ser lisonjeados.».
Toda a fala, deste modo, põe em claro, ao leitor/espectador que se trata de uma ‘máscara’ e faz transparecer toda a hipocrisia existente na sociedade, ou seja, como se deve fazer para iludir os homens e levá-los a fazer o que se pretende. Afinal de contas, nem é assim tão difícil: quem se quer dar bem basta dizer ‘sim, senhor’, quando o senhor diz ‘sim’ ou ‘não, senhor’, quando este diz ‘não’. Mas serão os que praticam estes actos que melhor servem as comunidades? Serão melhores políticos do que aqueles que enfrentam a realidade e lutam pelo bem comum?
Na verdade, esta sociedade é mesmo um palco gigante, onde actuam actores de primeira e de segunda, mas os melhores não são os que imitam os outros, antes os que conseguem representar, o que por si só obriga ao acto de criação. Obriga à construção de uma nova personagem em cada momento sem se tornar um eterno mascarado.
Viva o Carnaval, sem máscara!
Pedro Miguel Sousa
In Jornal Povo de Fafe (12/02/2010)
Valério, personagem da obra O Avarento de Molière, apontava o caminho a seguir para ser bem visto pelo seu Senhor: «…sob que máscara de simpatia me disfarço para lhe agradar e que personagem represento todos os dias para conseguir o seu afecto. (…) vou-me dando conta de que para ganhar os homens, não há melhor caminho do que o de, diante deles, fazer reverência às suas inclinações, adoptar as suas máximas, esconder os seus defeitos e aplaudir o que fazem. (…) A sinceridade sofre um pouco com este meu trabalho, mas quando precisamos dos homens, temos de nos ajustar a eles e como não conseguimos conquistá-los senão assim, a culpa não é dos que lisonjeiam mas dos que querem ser lisonjeados.».
Toda a fala, deste modo, põe em claro, ao leitor/espectador que se trata de uma ‘máscara’ e faz transparecer toda a hipocrisia existente na sociedade, ou seja, como se deve fazer para iludir os homens e levá-los a fazer o que se pretende. Afinal de contas, nem é assim tão difícil: quem se quer dar bem basta dizer ‘sim, senhor’, quando o senhor diz ‘sim’ ou ‘não, senhor’, quando este diz ‘não’. Mas serão os que praticam estes actos que melhor servem as comunidades? Serão melhores políticos do que aqueles que enfrentam a realidade e lutam pelo bem comum?
Na verdade, esta sociedade é mesmo um palco gigante, onde actuam actores de primeira e de segunda, mas os melhores não são os que imitam os outros, antes os que conseguem representar, o que por si só obriga ao acto de criação. Obriga à construção de uma nova personagem em cada momento sem se tornar um eterno mascarado.
Viva o Carnaval, sem máscara!
Pedro Miguel Sousa
In Jornal Povo de Fafe (12/02/2010)
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