quarta-feira, 3 de março de 2010

Lançamento de livro sobre jornalismo - 'Como eles nos enganam'

O Professor Dinis Manuel Alves, jornalista durante muitos anos, actualmente docente no Instituto Superior Miguel Torga - Coimbra, publicou um livro que tão bem retrata a Comunicação Social em Portugal. Os jogos de informação e contra-informação, os jogos de poder...


«PROMOÇÕES, SILÊNCIOS, DESVIRTUAÇÕES - A informação ao serviço da estação
Nas televisões portuguesas pratica-se um jornalismo de guerra sem que seja preciso arriscar repórteres no campo de batalha. A guerra é suja e trava-se entre as estações de televisão. Promovem-se os produtos da casa, com os telejornais servindo de outdoors para alavancar audiências e desmoralizar o inimigo da frequência ao lado. É publicidade travestida de notícia, com a vantagem de não contar para as quotas.

Dinis Manuel Alves passou à lupa centenas de telejornais das TV’s portuguesas, dando conta, neste livro, de autênticas campanhas de manipulação informativa. “A informação ao serviço da estação” talvez se devesse chamar “Como eles nos enganam”.»

segunda-feira, 1 de março de 2010

O silêncio...

Às vezes é preciso remetermo-nos ao silêncio, não porque tememos, apenas para que o caminho seja construído sem entraves! Os aplausos surgem mais tarde, mas surgem!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Carnaval em Fafe

O Carnaval trouxe muito frio, mas o colorido da festa conseguiu mobilizar os espectadores atentos às mais diversas sátiras que iam surgindo. Como habitual, Antime mereceu a nossa atenção e, sem dúvida, a organização é merecedora de aplauso pela coordenação cada vez mais marcada.
Não fosse a rasteira pregada pela Câmara, que alterou o desfile das crianças para domingo, Antime teria mais uma vez uma enchente igual a anos anteriores. Mas, independente dos visitantes, a festa em Antime é cada vez mais animada e o espírito do espectador é mesmo influenciado pela alegria e boa disposição. Na frente, os bombos abriam o arraial e um grupo de madeirenses do infantário, perfeitamente caracterizados, coloriam as ruas. Este ano, não faltou o casamento homossexual, que não mereceu a bênção do Padre, ainda que tenham tentado quando este se aproximara. Se o espírito se queixava, o mesmo não podia dizer o corpo, uma vez que o cozinheiro de serviço servia umas bifanas bem temperadas.
As várias instituições de Antime estavam representadas e, sem dúvida, o carnaval não pode ser analisado por uma simples fotografia objectiva do real, mas este é um palco por excelência onde há uma representação efectiva. O encenador, coadjuvado pelos figurinistas, aderecistas, cenógrafos e gente da sonoplastia conseguiram mostrar que o caminho se faz caminhando e que só em conjunto e com uma coordenação firme é que se conseguem os melhores aplausos.
Fafe (autarquia/turismo) precisa de pensar em aproveitar o que de bom já acontece e não atrapalhar. Precisa de ajudar a dar mais visibilidade e até conseguir mais apoios para tornar a festa ainda mais colorida.
Se há um Carnaval de referência em Fafe, este acontece em Antime. No teatro, após uma representação brilhante, os espectadores aplaudem os actores em pé. Como considero este desfile uma boa representação, aplaudo o encenador, toda a equipa técnica e, principalmente, os actores grandes e pequeninos.
in Jornal Povo de Fafe (19/02/2010)
Pedro Miguel Sousa

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Salvador

Hoje é o teu dia. Hoje é o dia em que trouxeste a alegria a todos os que te rodeiam, que aguardavam a tua chegada com muito carinho. Já sei que chegaste bem! E também sei que trazes muita felicidade para o mundo.
Obrigado, Salvador!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A máscara

Os Estudos Teatrais têm ocupado uma parte considerável do meu percurso académico. Ainda que muitos afirmem que ‘um doutor é um burro carregado de livros’, prefiro pensar que os livros são um belo fardo de palha, que muito me apraz saborear. No entanto, não poderia deixar passar mais um Carnaval sem mostrar que realmente conheço também as artimanhas de ‘ser um rei em terra de cegos’, mas prefiro continuar sem máscara.
Valério, personagem da obra O Avarento de Molière, apontava o caminho a seguir para ser bem visto pelo seu Senhor: «…sob que máscara de simpatia me disfarço para lhe agradar e que personagem represento todos os dias para conseguir o seu afecto. (…) vou-me dando conta de que para ganhar os homens, não há melhor caminho do que o de, diante deles, fazer reverência às suas inclinações, adoptar as suas máximas, esconder os seus defeitos e aplaudir o que fazem. (…) A sinceridade sofre um pouco com este meu trabalho, mas quando precisamos dos homens, temos de nos ajustar a eles e como não conseguimos conquistá-los senão assim, a culpa não é dos que lisonjeiam mas dos que querem ser lisonjeados.».
Toda a fala, deste modo, põe em claro, ao leitor/espectador que se trata de uma ‘máscara’ e faz transparecer toda a hipocrisia existente na sociedade, ou seja, como se deve fazer para iludir os homens e levá-los a fazer o que se pretende. Afinal de contas, nem é assim tão difícil: quem se quer dar bem basta dizer ‘sim, senhor’, quando o senhor diz ‘sim’ ou ‘não, senhor’, quando este diz ‘não’. Mas serão os que praticam estes actos que melhor servem as comunidades? Serão melhores políticos do que aqueles que enfrentam a realidade e lutam pelo bem comum?
Na verdade, esta sociedade é mesmo um palco gigante, onde actuam actores de primeira e de segunda, mas os melhores não são os que imitam os outros, antes os que conseguem representar, o que por si só obriga ao acto de criação. Obriga à construção de uma nova personagem em cada momento sem se tornar um eterno mascarado.
Viva o Carnaval, sem máscara!
Pedro Miguel Sousa
In Jornal Povo de Fafe (12/02/2010)

sábado, 30 de janeiro de 2010

Um PSD a sério para Fafe!

Está na hora de voltar à acção. Arregaçar as mangas e traçar um novo mapa de actuação. Acreditar que Fafe não se resume a eleições de quatro em quatro anos e mostrar as qualidades que estão mais preparadas do que nunca para avançar. São vários os quadros académicos do Partido em Fafe, mas só serão úteis ao concelho se de uma vez por todas o partido acreditar numa vitória.
Ao longo do tempo, apesar de defender sempre as minhas convicções, considerei que todos os assuntos do PSD seriam matéria interna, mas nem tudo pode continuar apenas dentro da sede, porque já está provado que não funciona. Contrariando alguns hipotéticos movimentos, o PSD em Fafe pode estar mais forte do que nunca. Se num passado, não do meu tempo, reagiu de modos pouco populares, hoje há uma nova geração verdadeiramente preocupada com as questões sociais e que não abdica dessa posição. Veja-se a luta por um melhor sistema de saúde em Regadas, organizado pelo Núcleo Sul da JSD, olhe-se para a movimentação em torno das urgências do PSD, ou então para a constante posição do Núcleo Sul no que se refere a infra-estruturas, cultura, educação, desporto e acção social.
Reconheceremos que não seria o método mais esperado por muitos, mas acreditamos que as posições de ‘esquerda ou direita’ já não fazem sentido, antes o posicionamento em torno de causas e de fazer com que as pessoas tenham uma vida melhor. Quantos se dizem de esquerda e lutam por ter até um carro melhor do que o vizinho? Ou uma casa? Na verdade, já nada disto faz sentido quando falamos em política. As guerras agora são outras: defesa dos direitos dos cidadãos todos e não apenas de alguns!
Concordamos com a necessidade de afirmação do PSD no concelho, mas valorizamos e aplaudimos a dedicação de Pedro Gonçalves à frente do partido, principalmente pela pessoa que ele é! O PSD precisa de se reorganizar. O PSD precisa de acabar com as memórias infelizes de um passado pouco humilde, porque o PSD que nos revemos é bem mais forte, mais solidário e mais capaz do que qualquer outro partido. Pedro Gonçalves, na nossa humilde opinião, continua a reunir as melhores condições para uniformizar o partido e de uma vez por todas apostar numa estratégia eficaz para o bem de toda a comunidade fafense.
Fafe precisa de olhar para as freguesias, que estão esquecidas há décadas, precisa de afirmar a sua cultura e espalhar pólos de intervenção, porque actualmente parece que os cultos de Fafe são sempre os mesmos, precisa de inovar a estratégia turística, precisa de repensar o desporto e, com muita urgência, definir estratégias para trazer emprego, o que levará ao aumento da qualidade de vida, ao investimento na construção e no comércio e à aposta em programas e planos culturais ou recreativos.
Fafe precisa de uma nova dinâmica, porque o modelo que está a ser seguido em nada inova, mesmo com tantos programas de financiamento disponíveis para candidaturas!
in Jornal Povo de Fafe (29/01/2010)
Pedro Miguel Sousa

domingo, 24 de janeiro de 2010

As vozes

Não são as vozes que se calam que mudam o mundo, mas aquelas que procuram fazer-se ouvir de forma coordenada e atenta, ajudando os que infelizmente ainda precisam de alguém que fale por eles. Fazer com que a formação chegue a toda a gente é uma missão nobre. O conhecimento liberta o indivíduo!

Professores e Formadores, vamos dar liberdade a toda a gente! Vamos ajudar a que cada pessoa saiba defender-se do oportunismo da gravata! Se ensinarmos as pessoas a escrever e a ler, estas não precisarão de pagar quantias enormes para que uma simples carta chegue a uma repartição qualquer!

Só assim, poderemos iniciar uma verdadeira Revolução Cultural!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O Estado português exige, mas não cumpre!

O Estado sufoca as entidades! Não adianta mais querer atirar a culpa para os outros e tentar mostrar que a culpa não é de ninguém, porque basta parar um momento só para ver como é que o Estado Português lida com os cidadãos e lhes exige o que ele não cumpre.
Quem teve de passar pelo famoso regime do recibo verde sabe que é obrigatório pagar os impostos à Segurança Social até ao dia 15 de cada mês, mas também sabe que tem de o fazer todos os meses sob prejuízo de pagar uma multa se não o fizer. Tudo parece muito transparente, agora vamos mostrar as coisas como realmente são: É do conhecimento público que grande parte dos jovens trabalha a recibo verde e, no caso da formação profissional, também é conhecido que o programa que financia os cursos (poph) não funciona lá muito bem, porque atrasa sistematicamente o pagamento, logo as entidades não recebem a tempo e por isso não pagam devidamente aos formadores. No entanto, estes formadores têm que cumprir prazos perante o Estado, ou seja, o Estado não paga, mas os trabalhadores têm que pagar sem receberem o dinheiro que este lhes deve!
A minha geração já foi apelidada de muita coisa. Começamos por ser considerados ‘geração light ou rasca’, depois chamaram-nos ‘geração do recibo verde’, agora ainda não sei o que nos vão chamar, mas o certo é que a minha geração ainda não está a governar. Muitos já têm uns belos tachos, mas são raia miúda ao serviço da geração que herdou o trono do poder, após o 25 de Abril, e nunca mais o largou!
Se hoje estamos mal, não é por causa das novas gerações, mas sim de gente que cresceu sem computador e agora quer definir a vida com programas de computador, onde o que conta são os números, a famosa estatística, e desacreditou-se a vertente humanista. Onde estão os defensores da pátria agora? Onde estão os senhores de Abril? Onde param os poetas e escritores que tanto lutaram contra o regime salazarista e afinal até lhe apanharam bem o gosto?
Portugal precisa de uma forte dose de humanismo e de deixar de olhar para as pessoas como máquinas ou números. As novas tecnologias são para ser utilizadas mas não para substituir-se às pessoas.
As nossas escolas, por exemplo, são penalizadas se os formandos não forem às aulas, isto não é absurdo? Será que as escolas têm culpa da falta dos alunos? As escolas não são prisões, concordamos que devem tentar sempre recuperar as pessoas e fazer com que vão o mais possível às aulas, mas nunca em regime ditatorial, mas o certo é que é mesmo isso que interessa às estatísticas dos programas de financiamento, aqueles que servem os interesses do governo deste país.
Portugal precisa de humanismo com urgência! É preciso pedir o regresso de António Vieira, Luís de Camões, Eça de Queirós… é preciso uma nova escrita em favor dos valores, mesmo que seja ao modo de Gil Vicente, porque ‘a rir também se mudam os costumes’.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (22/01/2010)