A 'blogosfera' reúne um leque variado de informação. Os seus conteúdos podem ser bons ou menos bons, mas caberá a cada um seleccionar o que melhor serve os seus reais interesses. No tempo da ditadura, ninguém poderia escrever sem 'um lápis' que lhe desse autorização de publicação, hoje, pelos vistos, ainda surgem umas vozes que roçam a atitude desse tempo.
Muitas pessoas poderiam ser bons jornalistas ou colaboradores, bastava dar-lhes a oportunidade. Contudo, todos sabemos que as oportunidades ainda não estão abertas a todos os cidadãos, mas só àqueles que se impõem com garra ou a outros por simpatia. Senão, como poderiam publicar artigos Presidentes de Junta que só dizem bem das suas obras? Ou, então, indivíduos que escrevem o 'diz que disse...'?
Reconhecemos que muitos blogs não têm qualidade e há muita gente que comenta sem coragem de assumir as suas palavras, mas antes esta liberdade do que aquela que tem os Directores dos Jornais controlados debaixo de um poder e dá a sensação que só os fulaninhos é que são os intelectuais lá da zona...
Viva a liberdade!
Força geração de garra!
ESCRITA | ARTE | PUBLICAÇÕES | PROJETOS
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
«Há aqueles que tentam fugir da pobreza e os que correm para ela»
Numa aula, Joana Laranjeiro, aluna do curso de Design Interiores e Exteriores, comentava o trabalho de uma colega em que a temática era a pobreza. A forma determinada com que iniciara a sua exposição, adivinhavam alguma sustentabilidade, mas a conclusão fora brilhante, retratando com exactidão a sociedade actual: «Há aqueles que tentam fugir da pobreza e os que correm para ela».
A situação complicada da sociedade actual, em questões de emprego, tem sido um desdobrar de forças de forma a conseguir segurar um barco difícil de controlar. Há famílias fortemente fustigadas e, sem olhar a meios, agarram todas as oportunidades para conseguir mais uns ‘trocos’ para sustentar as suas necessidades. Outros, pelo contrário, agradecem fervorosamente a multiplicação de sistemas e grupos de apoio que surgem devido ao aumento da crise.
Um telhadito para a casa, umas paredes pintadas, umas janelas novas, enfim, é enorme a panóplia de ofertas no catálogo de opções de uma acção social que dá a quem não precisa, porque os verdadeiros necessitados têm vergonha de pedir. Há também, nesta altura, a azáfama do cabaz de Natal, que mais uma vez é contemplado por gente que gosta de se apresentar como ‘rica’, mas lá se vão inscrever, não deixando, assim, com que as famílias pobres tenham um Natal ‘apenas um pouco melhor’.
Compreende-se que as inscrições sejam várias, em certos casos, até porque as promessas eleitorais têm de ser pagas, mas ‘o queijo’ não fica mais caro do que um maço de cigarros…
Esta é a nossa sociedade. Esta é a gente que se faz de rica durante o ano, mas espera os produtos das instituições, que recolhem em supermercados… O que nos coloca a questão: valerá a pena dar quando somos solicitados, quando sabemos que esses alimentos não chegam a quem de direito? Ou será melhor pegar num saco de arroz ou de massa e levá-lo a uma família pobre que conhecemos? Pelo menos, a certeza do merecimento é bem mais gratificante.
Como será que as pessoas, sem necessidade, têm coragem de se atropelarem para se inscreverem num cabaz que não lhes pertence? Pelo menos, até porque sabemos que muitos têm-no prometido, esperamos que lhes dêem também uma garrafa de azeite, para que não se engasguem…
in Jornal Povo de Fafe (13/11/2009),
Pedro Miguel Sousa
A situação complicada da sociedade actual, em questões de emprego, tem sido um desdobrar de forças de forma a conseguir segurar um barco difícil de controlar. Há famílias fortemente fustigadas e, sem olhar a meios, agarram todas as oportunidades para conseguir mais uns ‘trocos’ para sustentar as suas necessidades. Outros, pelo contrário, agradecem fervorosamente a multiplicação de sistemas e grupos de apoio que surgem devido ao aumento da crise.
Um telhadito para a casa, umas paredes pintadas, umas janelas novas, enfim, é enorme a panóplia de ofertas no catálogo de opções de uma acção social que dá a quem não precisa, porque os verdadeiros necessitados têm vergonha de pedir. Há também, nesta altura, a azáfama do cabaz de Natal, que mais uma vez é contemplado por gente que gosta de se apresentar como ‘rica’, mas lá se vão inscrever, não deixando, assim, com que as famílias pobres tenham um Natal ‘apenas um pouco melhor’.
Compreende-se que as inscrições sejam várias, em certos casos, até porque as promessas eleitorais têm de ser pagas, mas ‘o queijo’ não fica mais caro do que um maço de cigarros…
Esta é a nossa sociedade. Esta é a gente que se faz de rica durante o ano, mas espera os produtos das instituições, que recolhem em supermercados… O que nos coloca a questão: valerá a pena dar quando somos solicitados, quando sabemos que esses alimentos não chegam a quem de direito? Ou será melhor pegar num saco de arroz ou de massa e levá-lo a uma família pobre que conhecemos? Pelo menos, a certeza do merecimento é bem mais gratificante.
Como será que as pessoas, sem necessidade, têm coragem de se atropelarem para se inscreverem num cabaz que não lhes pertence? Pelo menos, até porque sabemos que muitos têm-no prometido, esperamos que lhes dêem também uma garrafa de azeite, para que não se engasguem…
in Jornal Povo de Fafe (13/11/2009),
Pedro Miguel Sousa
O tempo...
Deixa que o tempo dê tempo ao tempo
Para mostrar que naquele tempo
o tempo tinha o tempo
como tempo
do tempo certo!
Para mostrar que naquele tempo
o tempo tinha o tempo
como tempo
do tempo certo!
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
José Carlos Nascimento, Fotógrafo
Na primeira fotografia, que mais não é do que a junção de duas imagens, é o sagrado e o profano que surgem lado a lado como que de uma competição se tratasse. Se a imagem da esquerda nos mostra uma ‘seta’ rumo ao céu, construída a partir de velas que ardem oferecidas nas promessas de fiéis, a da direita tem uma ‘seta’ para a terra, os prazeres mundanos.Na segunda fotografia, os temas repetem-se, embora neste caso há uma multiplicação de sentido, uma vez que o contraste entre divino e profano ou céu e terra estão reflectidos em cada uma das partes de cada imagem, sendo a linha do horizonte o corte exacto para essa mesma realidade.
Claramente, há uma intenção de alerta expressa nestes dois trabalhos, uma proposta de análise do religioso e do profano ou apenas do bom e do mau, ou pode não ser nada das duas, mas é com certeza uma confrontação que o Homem consciente coloca diariamente no seu caminho, isto é, a linha imaginária do limite, as barreiras colocadas pela própria imaginação, embora sem qualquer parede que o proíba.
sábado, 31 de outubro de 2009
A cultura e a indiferença
Numa sociedade que se diz culta e coloca a imponência humana como factor marcadamente vinculado à sua condição, é a indiferença que nos coloca como única saída aos grupos inúteis e vazios de ideias e conceitos.
A escolha do betão e alcatrão, em detrimento do humanismo evolutivo, reflectem a dinâmica de um ‘grupo ignóbil’ sem ideais pré-definidos.
Nenhuma sociedade evoluiu fruto de grandes investimentos estruturantes, sem que tivesse o seu preenchimento com a massa humana. As paredes não valem por si, mas é a actividade que estas permitem que originam essa evolução. Campos desportivos construídos em terras sem gente jovem, quando o que precisam é de lares ou centros de convívio, porque são idosos. Zonas industriais deslocalizadas, quando o progresso passa pela aproximação das empresas. Zonas florestais que passam a óptimos locais de construção, zonas de construção que não podem passar a zona de comércio… apenas por simples conveniência económica ou política.
Alguns serão conhecidos porque estiveram lá, outros porque permitiram que a humanidade evoluísse e, ainda, há aqueles que nunca estiveram lá e nem vão estar, são os que de ideias não servem e obras não têm.
Cortar com as linhas traçadas pela imaginação é rasgar o que outros dizem, porque já atingimos o poder de dizer tudo o que pensamos e fazer o que queremos. Este é um sentimento indescritível, que só é visível nas linhas da ruptura, porque esta liberdade não é para todos, mas para quem pode!
A sociedade não evoluiu graças ao marasmo de gente que teima em ouvir silenciosamente os destacados num acaso, mas porque as rupturas com as estruturas, previamente definidas, permitiram uma nova visão crítica sobre o mesmo assunto e uma escolha de um risco calculado pela inteligência.
Dizer o que se pensa, sem olhar a quem, é uma tarefa que não é de todos. Nem tudo pode ser dito, mas tudo pode ser transmitido.
Se outros calam, cantemos nós!
A escolha do betão e alcatrão, em detrimento do humanismo evolutivo, reflectem a dinâmica de um ‘grupo ignóbil’ sem ideais pré-definidos.
Nenhuma sociedade evoluiu fruto de grandes investimentos estruturantes, sem que tivesse o seu preenchimento com a massa humana. As paredes não valem por si, mas é a actividade que estas permitem que originam essa evolução. Campos desportivos construídos em terras sem gente jovem, quando o que precisam é de lares ou centros de convívio, porque são idosos. Zonas industriais deslocalizadas, quando o progresso passa pela aproximação das empresas. Zonas florestais que passam a óptimos locais de construção, zonas de construção que não podem passar a zona de comércio… apenas por simples conveniência económica ou política.
Alguns serão conhecidos porque estiveram lá, outros porque permitiram que a humanidade evoluísse e, ainda, há aqueles que nunca estiveram lá e nem vão estar, são os que de ideias não servem e obras não têm.
Cortar com as linhas traçadas pela imaginação é rasgar o que outros dizem, porque já atingimos o poder de dizer tudo o que pensamos e fazer o que queremos. Este é um sentimento indescritível, que só é visível nas linhas da ruptura, porque esta liberdade não é para todos, mas para quem pode!
A sociedade não evoluiu graças ao marasmo de gente que teima em ouvir silenciosamente os destacados num acaso, mas porque as rupturas com as estruturas, previamente definidas, permitiram uma nova visão crítica sobre o mesmo assunto e uma escolha de um risco calculado pela inteligência.
Dizer o que se pensa, sem olhar a quem, é uma tarefa que não é de todos. Nem tudo pode ser dito, mas tudo pode ser transmitido.
Se outros calam, cantemos nós!
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Os melhores projectos...
Ao olhar atenciosamente para esta imensidão de projectos disponíveis no QREN, entristece-me saber que muitos dos melhores projectos não vão ser aproveitados. Não por culpa do programa, mas porque as melhores ideias não terão hipótese de fazer chegar a sua candidatura. Fafe, por exemplo, vai continuar sem um gabinete específico para aconselhar as Juntas de Freguesia ou mesmo as pessoas individuais. Só assim é que se poderia construir uma estratégia de acção que servisse realmente Fafe. Mas não deve ter interesse, pois não?
terça-feira, 27 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Dizer a ‘verdade’ é diferente de ‘dizer mal’
A inexistente formação humana e intelectual, recalcada nos bancos de uma escola que se deixou longínqua, reflecte-se nos distintos comportamentos selváticos que o Homem se desmancha. Atitudes medíocres, aos berros ou às ameaças, são marca de um puro primitivismo, que nem nos zoológicos se vê mais.
Há muita gente que diz que os jornais dizem mal, mas como relatam os factos estão apenas a fotografar por palavras a realidade. Ou seja, se o que se ouve e vê é o mal, o jornalista não pode dizer bem, estaria a desviar-se da realidade. Reconhecemos que muita gente faz o mal e gostava que ninguém dissesse nada, mas isso não seria a informação de todos. Sabemos também que os ‘lobby’ controlam grande parte de um grupo de informação e, muitas vezes, esta é só uma informação de partes. Mas este poder não desce ao nível de questões corriqueiras, pelo contrário, situa-se num pedestal tão elevado que é impossível penetrar pela maioria dos mortais.
A verdade é sempre verdade, não a verdade que alguns queriam ouvir, mesmo sabendo que fazem o mal, mas a verdade que só tarda e nunca falha. Não há ventos que a abalam, nem dilúvios que a derrubam. A verdade, essa ingrata espada, para uns, é a arma mais poderosa e aquela que deve orientar sempre a vida de qualquer ser que tenha o ‘ethos’ (carácter) como força indiscutível no seu dia-a-dia.
Pedro Miguel Sousa,
in Jornal Povo de Fafe (23/10/2009)
Há muita gente que diz que os jornais dizem mal, mas como relatam os factos estão apenas a fotografar por palavras a realidade. Ou seja, se o que se ouve e vê é o mal, o jornalista não pode dizer bem, estaria a desviar-se da realidade. Reconhecemos que muita gente faz o mal e gostava que ninguém dissesse nada, mas isso não seria a informação de todos. Sabemos também que os ‘lobby’ controlam grande parte de um grupo de informação e, muitas vezes, esta é só uma informação de partes. Mas este poder não desce ao nível de questões corriqueiras, pelo contrário, situa-se num pedestal tão elevado que é impossível penetrar pela maioria dos mortais.
A verdade é sempre verdade, não a verdade que alguns queriam ouvir, mesmo sabendo que fazem o mal, mas a verdade que só tarda e nunca falha. Não há ventos que a abalam, nem dilúvios que a derrubam. A verdade, essa ingrata espada, para uns, é a arma mais poderosa e aquela que deve orientar sempre a vida de qualquer ser que tenha o ‘ethos’ (carácter) como força indiscutível no seu dia-a-dia.
Pedro Miguel Sousa,
in Jornal Povo de Fafe (23/10/2009)
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