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sábado, 10 de junho de 2017

Este país anda ao rubro

Somos os maiores. Isto nem parece mais Portugal. Aquele país à beira mar plantado que depois de uma crise grave se ergueu e começou a ganhar tudo o que havia para ganhar. Foi o Campeonato da Europa. O Festival da Eurovisão. A eleição do Guterres para o mais alto cargo da ONU. O Ronaldo continua a somar troféus por onde passa. O Mourinho volta a ganhar. O Presidente da República adotou a palavra ‘afetos’ e faz do ato o brilho de tanta gente que se considera próxima do representante máximo. Isto anda bonito, pá!

Fafe não está muito diferente do país. No Raly, o mesmo sucesso de sempre. O Fafe tem uma moldura humana que dá gosto. As aldeias viraram-se finalmente para o seu património natural. A Terra Justa, o Festival da Vitela… enfim, há tanta coisa positiva a acontecer que se pode dizer que Fafe está a seguir o rumo certo. O que falta? Falta uma política que saiba aproveitar o melhor de cada aldeia, grupo ou pessoa. Mas quanto a isto, só o tempo o dirá…

Podemos dizer que o que não está bem em Fafe são os políticos. Ou a política dos políticos.
Mas não quero falar desses. São sempre os mesmos. As mesmas caras. As mesmas ideias ou a falta delas… São sempre os mesmos a trabalhar para os mesmos. Estou fora…

Como gosto deste Portugal assim. Fafe é só mais uma parcela que terá a sua hora de se livrar de todos estes políticos e encontrar alguém mais ao estilo de Marcelo. Uma nova geração de malta que vai sair de onde menos se espera. Malta que vai cortar com o estereótipo desses partidos e movimentos todos. É urgente mudar o rumo a Fafe.

Estas trocas e baldrocas são o reflexo do que chegou a política e os seus atores. Uma vergonha chapada onde a palavra ‘vale tudo’ é ordem há muitos anos, não pensem que é só de agora. Mas valha-nos Portugal. Valha-nos as vitórias por esse mundo fora. Mas valha-nos também as vitórias dos nossos conterrâneos, mesmo que seja uma jovem médica de Regadas, filha de gente humilde, que ganhou o prémio de melhor aluna. Foi para isso que apareceu o Abril. A revolução. A possibilidade de estudar dada a todos por igual. E, só assim, todos podem levar o nome de Portugal bem alto.
«Só falta (mesmo) cantar a língua portuguesa!»
 E em Fafe, mandar os políticos para as serras até às eleições só a pão e água!

domingo, 14 de maio de 2017

O To Zé vai a votos e tem um projeto e o melhor da festa é a malta que o acompanha

O discurso de apresentação da lista do Tó Zé chegou ao meu conhecimento. Não levem a mal não dizer o Eng. António José Silva mas, sinceramente, espero que continue a ser o Tó Zé porque é assim que a malta o conhece na dedicação às causas. Claro que o canudo dá-lhe credibilidade científica, mas essa só será relevante se juntar sempre o humanismo nas suas ações.
Não votarei para a Junta de Fafe, mas achei curioso o que se aponta para a Freguesia de Fafe e há muito que defendo que as pessoas um dia vão começar a ser mais exigentes e vão votar em ideias concretas. Se vai ser já desta vez? Não sei.
Relativamente à apresentação da lista e ao discurso, não poderia deixar de destacar a astúcia em criar uma lista diversificada. Tem muitas mulheres. Muito bem. A política precisa de ouvir mais o sexo feminino. Há questões que são tratadas com outra sensibilidade se forem tratadas por mulheres. Nunca achei piada a querer que tudo fosse igual, do mesmo modo, por homens e mulheres. Por alguma razão são sexos diferentes. É mesmo da natureza. Não se trata de direitos, ok? Esses têm de ser mesmo iguais e ponto. Mas há características que são tratadas melhor por homens e outras por mulheres. Um pai não é igual a uma mãe. Há gestos que só o pai tem e outros só a mãe sabe fazer… um não substitui o outro. Se conhecerem alguém que tem de fazer o papel de ambos, perguntem-lhe se não tem de se redobrar… Não é fácil!
Eu mesmo gostava de ver mulheres a escrever a sua opinião no Povo de Fafe. Tenho a certeza que o Povo de Fafe sairia muito a ganhar. Se for questão de espaço, posso partilhar o meu…
Clara Paredes Castro foi um nome que me saltou à vista. Foi uma das convidadas num debate organizado pelo Club Alfa sobre o Turismo e, confesso-vos, que grande lição sobre o assunto. A mulher sabe do que fala. Se um dia fizer uma lista à Câmara, aí terei de ser mesmo candidato e ‘não candidato’ como agora… A Clara vai comigo!
“Novas tecnologias e inovação, acessibilidades pedonais, corredor verde, parque canino, abastecimento elétrico, autocarro, reaproveitar escolas para a sede da junta, espaço de juventude e voluntariado, gestão do cemitério como outras freguesias, dinamizar os bairros, apostar na transmissão histórico-cultural de Fafe, criar atividades para promover o comércio…” são a recolha rápida das propostas. À primeira vista sou levado a dizer que há questões levantadas que me parece estranho ainda não estarem a acontecer. Daqui a três anos, mais coisa menos coisa, será valorizada a criatividade. Se uma comunidade não acompanhar o tempo vai ficar para trás. Todas as propostas têm de passar obrigatoriamente por uma reorganização que envolva as novas tecnologias, não para substituir o contacto humano com a natureza, mas para que facilitem a sua atuação. Quanto mais organizado estiver a comunidade mais tempo terá o cidadão para se dedicar ao ócio e ao desfrute do que de melhor a vida lhe oferece: a família, os amigos, a leitura, a vida ou a natureza por excelência! 


sábado, 29 de abril de 2017

Contra os jantares dos políticos… Presunto! Presunto! Presunto!

24 de Abril. Os políticos começam a puxar pela fita métrica. Começam as primeiras sondagens. O Facebook diz que a lotação está esgotada. Não percebi se não havia mais bilhetes, só para dizer aos outros que não tinham lugar, ou se existiria outra razão. O JN anuncia dois jantares. As primeiras fotos aparecem… primeiro da escola Montelongo, depois do Pavilhão da Secundária… E é assim que vai a vida política por Fafe! Um partido, duas candidaturas. Isto é o 25 de Abril a funcionar em pleno. Medem-se as filas…
Volto a casa. Não tive jantar algum de comemoração do 25 de abril, mas pude saborear os melhores sabores de uma cozinha caseira. Os sabores de sempre. Aqueles que me avivam a memória quando estou longe. Afinal o 25 de abril também trouxe uma nova forma de ser família…
Hoje é dia de festa. É 25 de Abril.
Já o disse anteriormente que esta novela está a ser fantástica. Mesmo aqueles que ligam muito pouco à política começam a fazer humor com o avançar dos episódios. E as cenas dos próximos capítulos? Acho que vou criar uma linha de apostas… Vai dar dinheiro!
O que mais está a motivar a minha atenção é verificar que ‘o que outros fizeram aquando no poder’ está-lhes a acontecer precisamente o mesmo! Dói, não dói?
Poderia ser de outra forma? Podia, mas não era a mesma coisa!
A vida é mesmo uma roda. Ainda há uns anos ajudavam às perseguições políticas e agora estão a ser vítimas… ainda me lembro de umas eleições em que lá nos escuteiros fizeram uma reunião com o chefe de núcleo porque um escuteiro não obedecia às ordens do chefe e não apoiava a lista que mais lhe convinha… É claro que a lista do escuteiro ganhou as eleições… Lá está, ‘deus escreve direito por linhas tortas’… Depois foi outra associação, também não apoiava a lista do poder… o associado não presta… toca a riscá-lo!
Obviamente que esse escuteiro, fez o que outros fizeram também nas suas freguesias, abandonou as chatices e disse: «Felizes os pobres porque deles é o reino dos céus!»
Há pois é. Era mesmo assim que as coisas funcionavam. E agora?
Agora, é um partido nacional a dar um grande chuto naqueles que um dia apoiavam estes seus amigos… Aqueles que faziam estas jogadas. E valia tudo! O importante é ganhar, não importa como…
Sinceramente, acho que o Costa está a ser um grande Senhor!
Contra os jantares da política… Presunto! Presunto! Presunto!

Viva o 25 de Abril

terça-feira, 18 de abril de 2017

Não sou candidato, não há jantares à minha pala!

Não vou mesmo em nenhuma lista nas próximas eleições autárquicas em Regadas. Gosto muito da minha terrinha, mas não gosto nada do que ela se tornou com tantos interesses por lugares e lugarejos. Que terra mais interesseira. Não estou desiludido, nada que me surpreenda, apenas jamais compactuarei com tamanha falta de princípios. Vale tudo.
Vem isto a propósito de algumas interpelações que me têm chegado e, porque não gosto de alimentar dúvidas, penso que um esclarecimento público pode ajudar a clarificar a minha posição, principalmente porque qualquer análise neste espaço jornalístico da minha parte não pode ser interpretada como defensora de algum partido em particular.
Sou livre. Não devo favores políticos. E não serei mais do que um espetador atento da novela que já vai longa. É claro que vou exercer o meu direito ao voto. Faço questão. Não sei em quem vou votar, mas já sei em quem não votarei.
Colar cartazes? Abanar bandeirinhas? Não! Desta vez, não!
Estão a ver aquele tipo que se cansa de apontar estratégias, que fazem de conta que o ouvem antes das eleições, mas depois não querem saber só porque discorda das ordens do chefe?
Também ninguém vai ter a possibilidade de comer jantaradas à minha pala. O comício dos independentes já não terá a necessidade de falar do gajo que estudou para padre e é um burro carregado de livros, porque é assim que são classificados os doutores.
Os que se aproveitaram e se juntaram contra a junta que disponibilizou o terreno para o lar (PSD/CDS), só para ter lugares para a família e amigos (PS) e agora andam às turras porque foram desarmados pelos seus pares têm agora a possibilidade de se candidatarem uns contra os outros. Nós estamos de fora! Só a observar! Só naquela!

Posto este esclarecimento, julgo que estarei mais do que legitimado para proceder ao comentário político. À análise das manhas e artimanhas das candidaturas. A dizer o que penso e julgo importante para o debate plural. A contribuir para uma cidadania mais interventiva.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Fafe, jogo do pau ou da bicha?

Também quero uma parede na feira com as lendas de Regadas, já fiz a recolha história e fora publicada na última revista do Club Alfa, é só escolher: «Assim, é dito que no 'Vale de Quintela' aparecia uma cadela com pitos; Em 'Mata Burros' (entrada do Loureiro - Paço) aparecia um homem muito grande, o que levava a que muito povo chegasse ao 'Alto e Vira para Trás' (partilha de Quintela Loureiro) e fugisse; Em 'Chosabrensa' (Quelha das Campas) aparecia o lobo e apareciam as bruxas no Rio do Génio.»
Não querendo influenciar a possível escolha, sugeria uma atenção particular para “a cadela com pitos”, parece-me que dava um excelente quadro e bruxas há em todas as terrinhas… e Montalegre já as adotou a todas.
Não queria ser desmancha-prazeres, mas os números dos likes nas publicações quando se fala do tema da justiça não enganam e a única lenda que nos caracteriza verdadeiramente e levará o nome de Fafe além fronteiras é só uma: JUSTIÇA DE FAFE!
“Com Fafe, ninguém Fanfe!” já era o lema conhecido em Coimbra, Ansião, depois em Lisboa e outra vez Coimbra, agora em Portimão e logo, logo, será numa outra cidade qualquer deste país por onde eu passar e parece-me que esta experiência é partilhada por todos os fafenses espalhados pelo país e não só. É o lema que as pessoas conhecem e acham graça à expressão. E, ao contrário do que poderão pensar, para nos dizerem estas coisas é porque conseguimos criar simpatia com a maior das naturalidades. Bem, verdade seja dita, também sabem logo que não se podem esticar, porque também se apercebem que connosco é ‘Pão, pão! Queijo, queijo!’.
Hernâni Von Doellinger, após a notícia grafitesta nos muros da feira, começa por destacar na publicação “Fafe, uma camisa-de-onze-varas (ou A bicha...)”, no seu blogue Tarrenego, um excerto retirado do blogue Falaf Magazine de Jesus martinho sobre A lenda da bicha das sete cabeças de Fafe, «Conta-se que, há muitos anos, num lugar de Moreira de Rei, existia uma enorme cobra (bicha) escondida nos silvedos, que trazia as populações aterrorizadas, pois comia as pessoas e os animais que por ali passavam. [...]» e, mais adiante, refere-se à lenda da Justiça de Fafe nestes termos: «Ora bem. Fafenses. Temos um lenda, nossa, só nossa, única, identificativa de uma gente pacata mas que não aceita levar desanda para casa. E essa gente somos nós, ou se calhar éramos nós. E eu bem gostava de ver a nossa lenda contada tintim por tintim no muro da feira. É uma lenda tão única e tão só nossa que até leva o nome da nossa terra. Olhem que bonito: Justiça de Fafe
Não se percebem bem as razões da tentativa de apagar a Justiça de Fafe dos livros de história ou, pelo menos, dos festejos, mas podem ter a certeza, a Justiça de Fafe é o ex-líbris de Fafe, logo a seguir vem o nosso Fafe com toda a sua Justiça.
Se não mudam de ideias os políticos, mudemos os políticos!


quarta-feira, 1 de março de 2017

Fafe precisa de garra e tranquilidade, já chega disso!

Não sei se me irrita mais a conversa das mensagens da CGD ou a troca de mimos dos politiqueiros fafenses. Se no início até achei alguma piada a toda a azáfama provocada pelo momento, agora acho que só interessa mesmo perceber o que Fafe pode ganhar com políticas a sério.
Não gostava nada de um regresso ao passado!
Estes últimos três anos representaram o sair do marasmo. Há tanta obra que teimava em nunca ser iniciada e já é mais do que realidade. Há tanta trapalhada que não via fim e foi tão rápida a sua resolução. Nem vou perder tempo com os travões do passado. Já foi. Já aconteceu. Mas também já passou.
Fafe tem de ser futuro. Fafe merece gente com novas visões. Gente que leu um livro, nem que tenha sido de banda desenhada. Gente que olhe para o concelho e consiga um projeto global na educação, cultura e arte. Gente que abrace o flagelo do desemprego e saiba negociar a implementação de novas empresas. Gente que tenha coragem de mudar leis obsoletas que só prejudicam os munícipes. Gente que olhe verdadeiramente para a globalização e tudo o que ela representa.
Não somos mais só de Fafe, somos do mundo onde está Fafe.
Não pensem que tenho ilusões! Sei bem que os atuais agentes políticos vão continuar a gladiar-se, sobretudo nas redes sociais, porque não percebem que o tempo é outro. Mas não contem comigo, ok?
Eu acredito em projetos. Acredito no lápis e no papel. No esboço. Depois, só mesmo depois de uma prévia apresentação entre as partes, depois de juntar o melhor de cada ideia ao meu projeto, é que o considero pronto para o confronto. Sou adepto do trabalho em equipa, porque considero que só a união de várias ideias é que dão força a cada projeto.
As tontices vão mesmo continuar. Os agentes políticos não são peritos em comunicação e as empresas contratadas de fora, por mais testes que possam fazer, não conhecem a realidade genuína. Mesmo com todos os testes e análises ao comportamento social, é preciso começar cedo para resultados deixarem de ser só hipotéticos.
Fafe precisa deixar cair o ruído. Fafe precisa abraçar a euforia do Raly, a alegria da vitória do Fafe e a força da Justiça de Fafe.
Só quando isso acontecer é que seremos novamente Fafe.
Fafe à vitória!


sábado, 11 de fevereiro de 2017

Raul Cunha não pode aceitar a demissão dos Vereadores do PSD

É mesmo o interesse de Fafe que está em causa?

O meu último artigo “Fafe precisa de outras políticas” não foi mais do que uma análise aos jogos de bastidores que estão a acontecer e que fazem as delícias novelísticas de qualquer espetador. Cheguei a comentar que só voltava à política mais ativa no dia a seguir às próximas autárquicas, mas não me poderei demitir dos meus deveres cívicos enquanto cidadão fafense.
Ao contrário de toda a gente, parece-me, não concordo em nada com um final de mandato sem uma coligação firme e coesa. Ora vamos lá refletir:
1 – Raúl Cunha estabeleceu uma coligação com o PSD para garantir estabilidade (eu fui contra na altura);
2 – As relações correram bem e é reconhecido por toda a gente que a Câmara foi aberta finalmente às pessoas;
3 – Numa altura em que se fala em novas eleições, depois das guerras do PS, Raúl Cunha faz um acordo com os Independentes para conseguir ter suporte para ir a eleições;
4 – O PSD revela que já havia um acordo com os Independentes;
5 – Vereadores do PSD pedem demissão (o caminho mais óbvio e acertado, mas deve ser ponderado, afinal, os Vereadores fizeram a diferença, ainda que mesmo nos seus pelouros haja muito a fazer. Por exemplo, as pessoas pedem uma licença e em vez de chegar a autorização, aparece uma carta/ofício do Vereador a dizer que está no engenheiro, mas as pessoas só querem o veredito e não burocracias… logo, é preciso levar tudo até ao final. Em Cantanhede uma licença só demora 1 mês e não 10 como em Fafe);
6 – Parcídio fala que pensava que era para se manter um acordo com a coligação na intervenção na última reunião da Câmara;
7 – Raúl Cunha se teve um mandato tranquilo, deve-se em muito à lealdade e trabalho dos elementos do PSD;
8 – Para o melhor para Fafe, metam-se as mãos às consciências, Raúl Cunha tem de segurar os elementos do PSD até ao fim, até porque esse é um compromisso com Fafe;
9 – Se o objetivo é mesmo Fafe, Raúl Cunha tem de convidar e incluir o PSD neste acordo a apresentar-se às próximas eleições;
10 – Uma proposta de lista:
1-      Raúl Cunha
2-      Parcídio Summavielle
3-      (Vereadora?)
4-      José Baptista


Nota: As eleições não estão ganhas. Todos devem limar as crispações de última hora e concentrar-se em Fafe. Se não conseguirem, demitam-se todos. Fafe tem de estar em primeiro!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Fafe precisa de outras políticas

Confesso que me tenho divertido à brava com a mais recente “novela de costumes” fafense. A trama está lá. Na verdade sempre esteve, mas se em tempos era o Príncipe de Maquiavel que orientava, agora parece-me que os atores estão mais virados para o clássico Kamasutra. Será influência das “Cinquenta sombras mais negras?”
Se para uns o que importava era atingir os fins, convocando a si todos os que pudessem ganhar, independentemente das cores partidárias, chegou o momento do juízo final e se aqueles deixaram as cores do coração para embarcar antes, agora já não custa nada voltar a fazer o mesmo por outros… bem feito, elas pagam-se neste mundo… já para os outros, viram a oportunidade há muito desejada – afastar quem um dia também os afastou.
A história repete-se em Fafe. É caso para dizer que a vida é uma roda, pois tanto anda como desanda!
Desconhecendo as cenas dos próximos capítulos, fomos adivinhando este desfecho que caiu que nem uma bomba e fez acalmar os ânimos das redes sociais. O grande sinal foi dado por Laurentino Dias, quando declarou que não seria mais candidato à Presidência da Assembleia Municipal. É óbvio que não é mais do que a nossa opinião, mas a sua proximidade à distrital leva-o a desviar-se da concelhia. Sem grandes ruídos, mas assertivamente. Já Raul Cunha, ainda que seja apenas simpatizante, é o Presidente da Câmara e as coisas até lhe correram bem, por isso, quem melhor do que aquele que sempre esteve com o PS Distrital e Nacional? Quando tudo parecia perdido, a concelhia já o apontava como um homem sem palavra, dá-se uma excelente jogada, apontada como “Xeque-mate” pelo blogue Jornal de Fafe, e muito bem aplicada…
Penso que será claro que só me refiro às jogadas que se passam no roseiral, já no meio do laranjal as implicações podem ser outras… mas nesse campo, ainda não possuo informações suficientes para avaliar a novela.
O que se pode esperar dos próximos capítulos?
Se me contratassem para escrever, garanto que ainda há duas grandes opções para tornar a novela mais interessante antes do final que se aguarda feliz como qualquer novela. Mas se o número dos espetadores aumenta, poderia ser interessante prolongar mais uns tempos, não acham?
As obras literárias precisam de verosimilhança ou, simplificando, necessitam de um conjunto de probabilidades para criar expetativas e agarrar a trama e o leitor/espetador. Mas como não sou o escritor desta novela, continuarei a assistir aos próximos capítulos numa qualquer esplanada em frente para o mar, nas belíssimas praias algarvias…
Mas não se preocupem, estarei aí para votar!

in Jornal Povo de Fafe (10-02-2017)

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Mário Soares também marcou a minha história na política

Não era mais do que um puto da primária quando me lembro das primeiras referências na política. O meu pai saltou do sofá a manifestar-se efusivamente com a vitória nas presidenciais. Depois veio o apoio ao Nelson Pinto lá por Regadas. Primeiro como independente e depois apoiado pelo Partido Socialista de Fafe, quando ganha a Junta. As quezílias e tramoias atiraram-no borda fora. Foi literalmente descartado pelo PS Fafe para dar lugar ao secretário da junta na altura. Nunca mais gramei a política do PS Fafe.
Nessa altura, nem imaginava envolver-me em política… mas também não sou dos que apoiam uma pessoa e a abandona se perde! Eu estou lá até ao fim, contra tudo e contra todos!
As políticas de esquerda são as que mais considero e, antes de uma filiação, fui mesmo ler o que Sá Carneiro tinha escrito. Bem… os ideais sociais estavam lá! E já que me ia envolver na política, então que fosse para apoiar as pessoas que eu considerava que comungavam os mesmos princípios… apoiar os sociais-democratas do passado e depois no PS? Não! Jamais… Se na altura apoiava Nelson Pinto como independente contra os sociais-democratas, como poderia apoiá-los como socialistas? Nunca!!!
Falo um pouco da minha curta história política, apenas para mostrar que sempre admirei pessoas com convicções firmes, como é o caso de Mário Soares. Era aguerrido. Firme. E, segundo o que se ouviu estes dias, ‘estava-se nas tintas para o que diziam sobre si, mas lutava sempre pelos objetivos traçados.’
Não sou fã incondicional de Mário Soares, confesso que o último mandato como Presidente da República me desiludiu. Todo aquele aburguesamento em múltiplas viagens parecia mais de um Rei do que um Presidente da República. Não gostei. Mesmo que muitas pudessem ser importantíssimas para as relações externas, na minha perspetiva foram exageradas na forma e no conteúdo. Já gostei bem mais do que veio fazer Jorge Sampaio logo a seguir. Mais comedido…
Contudo, como tento ser o mais justo possível, mesmo com estas desilusões, até porque acho que Mário Soares deveria ter-se afastado da política após o segundo mandato, o que se veio a revelar com as derrotas que teve na recandidatura, não posso deixar de dizer que admiro a sua ação como um verdadeiro lutador. Um indivíduo que movia multidões porque sabia liderar e tinha carisma. Errou? Certamente que sim, era humano! Mas se não fosse ele e outros como ele, hoje não poderia escrever nem uma linha. E eu sei do que falo!

Até sempre, Camarada!

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Por que será que Marques Mendes está sempre a malhar no Ministro da Educação?

     Não sou cliente assíduo dos comentários da SIC aos domingos, mas sempre que posso estou lá de pedra e cal a assistir às mais variadas análises de Luís Marques Mendes. Não me deixo influenciar paulatinamente pelas suas tomadas de posição, nem pouco mais ou menos, mas na maior parte delas até que vou concordando com as suas análises. No caso do Ministro da Educação, neste caso muito concreto, confesso que até fico indignado com a forma como nos é apresentada a sua visão.
   É claro que há um guião a seguir nos comentários. Definidos previamente como mandam as regras da comunicação. E, neste enquadramento, Marques Mendes esteve muito bem nas suas explicações e na defesa das suas opiniões. No entanto, quando o jornalista aproveita a deixa da remodelação do governo para questionar quais as pastas que seriam prioritárias, eis que sem se perceber o timing surge o Ministro da Educação que continua a ser um erro de casting para Luís Marques Mendes. Também ele segue as indicações da direita e acusa o Ministro de fazer as vontades à FENPROF.
     O comentador dos domingos à noite da SIC foi um dos que se mostrou muito indignado com as tomadas de posição do atual Governo relativamente aos Colégios Privados. Falou muito do Colégio de Estarreja, porque conhece a sua situação de perto, dizia num dos comentários dominicais. Um colégio, ao que parece, com uma excelente prestação. Mas isso nunca esteve em causa e o Governo, depois de analisar as diversas situações, tomou as medidas que considerou mais justas.
     Nesta defesa da honra dos colégios, infelizmente, não vi analisada e divulgada a situação de cada Professor. As razões por que uns conseguem fazer piscinas e levar os alunos a casa em contraste com o ensino público que não tem essa capacidade. Porquê?
     Seria muito importante que se analisasse, como vários comentadores o fizeram, como são tratados os profissionais do ensino público e do ensino privado, por exemplo? É que no ensino público há regras a cumprir para todas as Escolas, já nos colégios privados, se o Estado cortar aos apoios, até há funcionários coagidos a assinar a aceitação de redução de ordenado… e cara alegre!
     Marques Mendes tem um discurso bem preciso. É claro que está longe da popularidade do Professor Marcelo. Mais distante ainda se a sua intenção passar por se candidatar à Presidência da República. Mas se este propósito estiver nos seus planos, seria de bom tom que moderasse as suas emoções em relação ao que efetivamente lhe faz alguma espécie de conflitualidade, é que os portugueses já provaram que dão maioria a pessoas que estejam sempre ligadas a um partido, mas se se prova que há tomadas de decisão mais favoráveis a uns do que a outros, não me parece que a intenção dos votos seja a mesma. Mas isto… sou eu a pensar em voz alta, ok?

     Já agora, até gostava de ver um homem de Fafe a Presidente da República, mas isso só será possível quando se deixam cair as camisolas e bandeirinhas e se ‘acredita e segue’ por entre linhas da justiça… nem que seja a de Fafe.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Carta aberta ao Presidente da Câmara de Fafe

Caro Dr. Raúl Cunha,
Os meus cumprimentos!

Tem de levar o mandato até ao final!
     Acompanhei com atenção o último ato eleitoral do partido pelo qual se candidatou nas últimas eleições. Este acompanhamento não foi mais do que os jornais ou redes sociais deixavam escapar, mas vi que a luta se tornou verdadeiramente interessante com a sua tomada de posição. Enfrentar poderes instalados não é fácil. Apoiar incondicionalmente a candidatura de Pompeu Martins foi uma marca bem distinta do que se conhece na política fafense nos mais diferentes quadrantes.
     Confesso que na altura da sua candidatura à Presidência da Câmara não acreditava nada que pudesse trazer a Fafe grandes novidades, quer o Dr. Raúl quer os restantes candidatos a vereadores faziam parte dessa estrutura partidária que bem conhecemos, mas hoje tenho de reconhecer a frase: ‘não é por acompanhar com os maus que temos de ser como eles’.
     Apesar de toda a controvérsia no ato eleitoral, lá se conseguiu o veredito final e eis que consegue fazer uma coligação. Até neste caso, se tivesse tido a oportunidade de votar em plenário, votaria contra essa coligação. Quando se soube do resultado das eleições, fui quase o único a dizer que preferia que tivesse ganho a lista dos independentes… Muito sinceramente, acho que Fafe perdeu muito em ter gente que só trabalhou para o aparelhismo e em concreto para um determinado grupo, o que saltou à vista novamente com o cacique de votos denunciada nos jornais, e em particular a minha freguesia perdeu imenso… Sim, eu sou da aldeia!
     Ainda não chegamos ao final de três anos. Os imbróglios que não havia meio de se resolver, estão com fim à vista. A Câmara de Fafe está aberta aos cidadãos. A todos. Já não é preciso pedir ao tipo mais próximo do aparelho para desbloquear processos na Câmara. O Presidente é capaz de ouvir e não deixa que nenhum chefe de gabinete altere o que acordou previamente. Humildade e Atitude! Humildade porque tem a capacidade de ouvir as propostas e, se as considerar oportunas, não hesita em apoiar. Atitude simplesmente porque tem palavra.
     Há ainda muita coisa a fazer por Fafe. Uma verdadeira articulação na saúde, educação, cultura e artes entre a Autarquia, as Famílias, a Escola e as Instituições. É preciso uma maior sintonia com o IEFP e, quem sabe com esta nova proposta do Governo de acompanhamento aos desempregados, conseguir colmatar esse flagelo e fixar mais os nossos jovens. Apostar em infraestruturas que sejam realmente eficazes para a qualidade de vida das pessoas. Enfim, tanta coisa precisa ser feita e só com alguém com capacidade de ouvir e optar pelo melhor é que poderá ser possível…
     Não julgue que escrevo esta carta só para não deixar cair a coligação. É que isso nem me preocupa. Viria com bons olhos uma candidatura à Câmara do Eng. Baptista ou novamente do Dr. Pedro Gonçalves que reúnem a característica que muito admiro, a humildade. Mas, ao que parece, nem um nem o outro serão candidatos a Presidente da Câmara.
     Dois mandatos é o tempo ideal para deixar marca e obra. Se não for possível os dois, que se cumpra este até ao final. Apoio não lhe faltará…
Um forte abraço.
Pedro Sousa

In Jornal Povo de Fafe (28-07-2016)

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Há mais comunicação. Há mais Abril.

     Povo... Jornal… Notícias… Comboio... Expresso… (de Fafe). Fafetv.
     Não importa o veículo. O que importa efetivamente é que a comunicação existe e há muitas formas de se fazer cumprir aquele que é o principal objetivo de um órgão informativo – informar.
     Jornais. Blogues. Canais web. Páginas de facebook.
     Depois de um tempo de quase monopólio, não fosse o serviço público de alguns blogues que teimam em trabalhar por carolice e um ou outro que tanto contribuem sobretudo para o património cultural, multiplicaram-se os órgãos informativos e, desculpem se penso diferente, eis que uma cidade consegue ser tão rica em contribuir para esta nobre missão outrora tão restritiva ao pensamento de alguns.
     Há cerca de quatro anos, Fafe viveu um dos maiores momentos de debate público. Um grupo de Fafenses dava voz ao ‘BlogMontelongo’, um espaço de confrontação, um verdadeiro forum romano. Como em tudo, surgiram vozes discordantes de políticos locais insurgindo-se contra um espaço sem diretor, mas ali todos tinham mais do que o nome nos artigos, havia um rosto facilmente apontado para outros espaços dos seus autores. Esse foi e será um marco fundamental para a história (ou estudos sociais) de Fafe.
     Uma notícia pode ser dada de muitas formas. O mesmo acontece com uma fotografia. Ambas dependem da abertura da objetiva. Tanto se pode focar no cortar da fita como em todo o público presente. O jornalista ou fotógrafo escolhe o ângulo. E foi assim durante muito tempo. Só um grupo muito restrito tinha opinião em Fafe. As suas posições nunca eram confrontadas. Tudo era controlado ao milímetro e ai de quem ousasse pensar em publicar um artigo que pusesse em causa o aparelho, o amigo das tertúlias ou do conhaque ao final de mais um dia de escritório.
     O Abril ainda não se fez totalmente. É verdade. Mas não estará muito longe de acontecer. Aqueles que ontem eram todos poderosos, hoje conhecem o sabor da derrota. Os que julgam os seus pensamentos superiores, hoje são confrontados. Os que consideram os outros inferiores, são muito ultrapassados.
     E para isso, quantas armas se usaram?
     A mais poderosa de todas elas: a escrita. Todo o resto é a mudança de mentalidades que finalmente está a acontecer.

“eles (já não) comem tudo…”

in Jornal Povo de Fafe (22-04-2016)

segunda-feira, 11 de abril de 2016

A Terra pode começar a ficar Justa

     O que fica depois de cinco dias de notícias com a palavra Fafe?
     Existir uma terra que premeia, reconhece ou destaca valores da humanidade não me parece mal. Aí está uma boa utilização da ‘Justiça de Fafe’. Mas começa-me a preocupar os valores em causa. Nada se faz sem investimento e, ao contrário dos liberais e dos economistas, nem tudo tem de ter retorno financeiro, mas há limites…
     Escrevo este artigo no dia 4 de Abril e, como é óbvio, desconheço o resultado desta segunda edição da “Terra Justa – Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade”. Sei bem que servirá para projetar Fafe (e um ou outro político fafense), mas continua-se a ter de pagar para chamar a atenção dos Media.
     Confesso que isto me provoca alguma confusão. Já tivemos um evento que poderia dar frutos nessa matéria e, por causa daquelas invejinhas marotas, tudo desabou… Quem manda? Quem deu o mote? A quem pertence? Eram algumas perguntas que se faziam aquando da organização daquele evento que juntava associações, juntas de freguesia, escolas e o município. Milhares de pessoas saíam às ruas para participar como figurinos ou como espetadores nas tais ‘Jornadas Literárias’… que poderiam ser ‘Jornadas Culturais e Literárias’…
     Seria o caminho? Seria este o tal evento para que Fafe não precisasse de chamar a comunicação social como acontece com as sextas-feiras treze? Não sei… não sei e não vou saber porque o formato já não existe. Só sei que não é nada fácil trabalhar em Fafe. Há muita gente à procura de protagonismo e há quem tenha muito medo de ser ultrapassado…
     Acredito que isto não está muito longe de sofrer uma reviravolta. Há por aí uma fornada de gente nova, muito bem formada, e que está mais empenhada em defender causas do que entrar em jogos político-partidários. Essa malta jovem, ao contrário da geração à sua frente, tem uma característica excelente: são capazes de partilhar informação. Há uns anos, só um grupelho se candidatava a subsídios para o gado porque metiam-se nas cooperativas e poucos tinham acesso à informação, hoje é diferente, muito diferente. Os mais jovens partilham a informação sem receio e, mais ainda, são capazes de se juntarem para construírem projetos melhores.
     Será este o princípio da reviravolta na política?
     O tempo o dirá. O que me parece é que os jovens acreditam cada vez mais em projetos do que em colagens de cartazes ou o abanar de bandeirinhas…
     Enquanto isso… o que fica depois de cinco dias de notícias com a palavra Fafe?
     E para o comum dos fafenses, há interesse neste evento? Que valor atribuem a esta atividade? Há retorno económico, social ou cultural?
     Ate lá… Que a Terra continue Justa!


in Jornal Povo de Fafe (08-04-2016)

segunda-feira, 21 de março de 2016

Não precisam tirar o chapéu…

… é o Professor Marcelo!
A Presidência da República Portuguesa vai mudar de mãos. Se o estilo demasiado formal agrada a muitos, pode ser que o menos formal agrade a muitos mais.
Ainda não se sabe muito bem como serão os próximos anos e quais as alterações ao protocolo que a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa vai imprimir, mas já se sabe que a sua prestação será bem diferente do que estamos habituados.
Há quem atribua a sua vitória ao facto de ter estado ligado à televisão durante décadas, mas devemos classificar isso como negativo? Será que um Jornalista não se poderá candidatar só porque aparece na televisão à hora do jantar todos os dias? Pois era o que mais faltava…
Marcelo Rebelo de Sousa não venceu apenas por se tratar de uma figura mediática, embora isso tenha abonado e muito a seu favor, mas venceu porque é o Professor Marcelo. Quantas figuras mediáticas conhecem? Certamente que todos enunciaram um conjunto alargado delas, mas será que se se candidatassem teriam os mesmos votos que teve Marcelo Rebelo de Sousa? É óbvio que não…
Marcelo Rebelo de Sousa tem uma forma de ser e estar que agrada às pessoas, muitos dirão ‘ao povão’ e se assim é, eu estou nesse lote… também eu sou ‘povão’ e mais do que isso ‘povão da aldeia’… embora disponível para debater ideias com os intelectuais até da cidade! Agrada-me, particularmente, a ideia de democracia, aquela coisa da igualdade e sobretudo de tratar o seu semelhante com dignidade, seja ele rico ou pobre, só mesmo porque é pessoa ou em latim “persona”.
Durante toda a campanha, ao contrário do que se poderia imaginar, até porque já foi provado pela comunicação social, os passos aparentemente desregrados de Marcelo, estavam a ser muito bem trabalhados. Muito antes da campanha, numa simples frase deixada no seu facebook, um especialista em Redes Sociais fazia a seguinte pergunta: ‘Querem apostar como o Marcelo não vai usar outdoors na campanha?’ E, como bem sabemos, não usou mesmo… é verdade que não precisava, ao contrário de outros, basta olhar para o caso de Edgar Silva, apoiado pelo PCP, Maria de Belém ou Sampaio da Nóvoa. Mas compreende-se perfeitamente que as estratégias tenham sido diferentes, pois cada um tem de adaptar à sua circunstância e, aí, Marcelo era bem mais conhecido.
O candidato do PCP, Edgar Silva, devia ter sido trabalhado de outra forma. Passou mais a imagem do candidato do PCP do que de Edgar Silva, o homem que foi padre e tem uma história de vida incrível de lutas ao lado dos mais desprotegidos, mas chegou às pessoas? Não! Já Marcelo chegava e entrava em todo o lado. Marcelo não abandonava programas televisivos e permitia-se discutir com todos os candidatos. Tivessem ou não gravata.
Os próximos tempos vão ser interessantes, sobretudo para politólogos ou até para quem gosta de comunicação, aqui me incluo, porque podemos deixar de ter ‘os sapatos vermelhos de Prada’ e passar a usar os sapatos de todos os dias… tal como fez Francisco ao chegar ao Estado do Vaticano.


Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe

terça-feira, 1 de março de 2016

Os partidos políticos estão distantes das pessoas

     A política está desacreditada. As pessoas não conseguem identificar-se com as opções tantas vezes tomadas e que sacrificam sempre os mesmos. Os poderosos estão sempre protegidos. Há duas realidades numa só sociedade.
     Mas se há conhecimento do que realmente se passa, o que fazem os gestores da ‘coisa pública’ e o que podem fazer as pessoas no geral?
     Estudar! Estudar! Estudar!
     Só o conhecimento é que pode alterar toda esta pouca vergonha social. Há efetivamente duas realidades muito distintas neste país. Há a sociedade com regras, onde tudo é feito à luz do dia, e há uma outra sociedade só acessível a alguns. Na primeira temos de obedecer a regras feitas pela segunda (ou segundas). Isto é o que realmente se passa. As sociedades secretas fazem as regras para a sociedade civil obedecer. Depois, só mesmo muito depois, surgem os políticos que estão em determinados cargos e por isso sabem onde podem recorrer para conseguir apoios para os seus projetos… no fim da linha, está o povo… e aqui já não chega nada!
     Daqui a ano e meio, mais coisa menos coisa, há eleições autárquicas. As obras vão arrancar em força, só para ficar na memória mais recente das pessoas, tratando-as como ignorantes. E, mais uma vez, ver-se-á até que ponto ainda funciona essa estratégia. Por falar em estratégia, haverá multiplicação de encontros e participações em ações sociais, até porque os candidatos têm de aparecer para serem conhecidos. Os discursos vão-se repetir, porque mais uma vez aparece a velha frase ‘aprecio muito quem trabalha em juntas de freguesia porque esses é que estão junto das populações’. E, também como não pode deixar de ser, a palmadinha nas costas é sempre bem-vinda para que todos possam ver que o senhor fulaninho até é bem tratado pelos políticos da elite pacóvia.
     O que fazer para alterar isto?
     Estudar! Estudar! Estudar!
     As próximas eleições autárquicas não vão trazer nada de muito especial. As estratégias não vão variar muito. Desengane-se quem pensa o contrário. Nada muda quando se resolve fazer política dois ou três meses antes do ato eleitoral. E não adianta dizer, repetidamente, que há um plano, uma estratégia ou qualquer outro sinónimo para dizer que ‘agora é que é’!
     O contacto com as pessoas é fundamental. O eleitorado tem de conhecer os candidatos. As redes sociais e os jornais são importantes mas não substituem o modelo presencial. Três meses servem o máximo para iludir, nunca servirão para dar a conhecer.
     Se não acreditarem nestas ideias, basta fazer uma sondagem de café e pedir para nomear todos vereadores de um município e qual o seu pelouro. Com toda a certeza que a maior parte das pessoas não saberá responder, quanto muito apenas lançar alguns nomes.
     O indivíduo tem de se afirmar em primeiro pelo exemplo. No emprego, nas associações, na cidade ou na aldeia, no emprego… enfim, a prestação do indivíduo é que o poderá definir como um político, no sentido literal da palavra, capaz de enfrentar verdadeiros desafios de uma comunidade. É claro que esta é a minha posição. Não gosto de políticos profissionais, porque não sabem fazer mais nada do que ser políticos!
     Escolhamos bem, sejamos inteligentes!
     Quanto aos partidos políticos, estes também têm de saber acompanhar mais de perto os eleitos. Ser eleito não chega, é preciso acompanhar o trabalho. Sejam os plenários, seja o gabinete jurídico, por exemplo, para quando surge uma dúvida… ou quando se está na oposição e se deteta uma anomalia... Se existisse um trabalho mais próximo, sobretudo dentro dos partidos, quer fosse executivo ou oposição, certamente que haveria mais justiça.

     Bem, mas isto são ideias de quem é muito prático quando se fala em execução… e estratégia! Por falar em estratégia…



Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Funcionários do Privado têm de trabalhar mais horas e cara alegre

     Não é fácil compreender como é que há uma lei com dois pesos e duas medidas. Considero-me, de todo, um defensor da coisa pública. Sei que foi essa dita coisa pública que democratizou o ensino e fez com que o acesso a milhares de pessoas, tal como eu, pudessem tirar um curso superior. Compreendo que isso seja uma dor de cabeça para os seguidistas do fascismo e herdeiros dos senhores lavradores, mas deixou de chegar a doutor quem era filho do senhor fulaninho e passou a ser uma oportunidade para todos. Isto é igualdade. Isto é democracia. Mas… entristece-me ver que em vez da defesa de direitos iguais, há uns que querem continuar a ser mais iguais do que outros. E ainda mais grave é ver que antes, esses mesmos, não passavam de uns pés descalços.
     O funcionalismo público deve trabalhar 35 horas, até porque era um direito adquirido, mas o setor privado também deve trabalhar as mesmas horas. Não me venham com demagogias dizer que ‘eles têm inveja’ ou que ‘lutem pelos mesmos direitos’. Se os governantes do estado fossem verdadeiros democratas, saberiam que o exercício de funções deveria ser igual e contemplado em código do trabalho. É verdade que muitos, bem à portuguesa, em vez de dizerem ‘também quero os mesmos direitos’, pelo contrário, preferem dizer ‘deviam ficar sem essas regalias’, mas não no meu caso. Isso para mim não é válido, ok? E muito menos, por todas as razões, me consideraria com inveja.
     Mas pensemos em conjunto numa família, por exemplo, de quatro pessoas em que os pais são operários têxteis e ganham o salário mínimo e os filhos são estudantes. E há uma só pessoa, funcionária pública, que recebe mais do que aquele casal. Na família de quatro pessoas, a mãe e os dois filhos precisam de óculos. O funcionário público também precisa de óculos. Quem deveria ter apoio para a aquisição dos óculos. A família de 4 ou aquele que vive sozinho? A resposta parece óbvia, mas quem tem direito aos óculos quase de graça é o funcionário público porque tem um sistema de saúde melhor.
      Eu conheço bem estas situações e só posso dizer que os meus pais são uns heróis. É claro que poderia juntar-me ao ambiente mais confortável e fazer de conta que isso nem é comigo, mas se hoje tenho duas licenciaturas, uma pós-graduação e um mestrado, tenho que agradecer aos dois operários têxteis que me pagaram os óculos desde a terceira classe.

     E nós que até temos cursos superiores devemos deixar que os outros lutem ou antes juntarmo-nos às suas lutas? A maior parte da população está nesta situação. A maior parte das pessoas não sabe como lutar. Se nos foi dada a possibilidade de entrar numa Universidade, muitas vezes com tanto esforço e a privarem-se de tanta coisa, sejamos nós mais humanos e façamos só uma décima parte do que eles um dia fizeram por nós.

 Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Preparados para candidatura a deputados sem direito a subvenções

É preciso ter peninha dos políticos, não é?
A recente polémica das subvenções dos políticos até parecia comédia no início, mas o desenvolvimento da coisa foi mais para a tragicomédia. Os pobrezinhos, obrigados a desempenhar cargos públicos, acham que merecem, depois de 12 anos ao serviço do país, levar com um bruto dum subsídio para a vida toda.
Carrega Portugal. Portugal, dos pequeninos, pois tá claro!
Queixam-se, suas excelências, que o facto de sacrificarem a família é merecedor de compensações. Ai é?
E aqueles que são obrigados a imigrar e só veem as suas famílias de mês a mês ou ano a ano, porque os políticos não conseguem políticas de emprego que garantam a sua permanência com as famílias? E os Professores que têm de ir para qualquer parte do país e nem por isso recebem mais se fossem colocados à porta de casa? Também porque os mesmos políticos nunca conseguiram encontrar um concurso mais eficaz…
Mas acho giro este recurso à dor que os próprios causam nas suas famílias, bem felizes por sinal por eles estarem bem longe lá para Lisboa, pois é garante de um estilo de vida bem mais confortável do que a maioria das pessoas e ainda são tratados com a real vénia campónia. Se estão assim tão sofridos, por que será que não deixam os seus lugares para outros? Por que será que guerreiam entre eles para estarem em lugares elegíveis? Por que não deixam que a renovação aconteça definitivamente?
Antes que me perguntem, parece-me justo que quando chegarem à idade da reforma, também por eles estabelecida em 65 anos, tenham rendimentos de acordo com os seus descontos, mas já considero um absurdo quererem usufruir do dinheiro dos contribuintes – designado pomposamente de subvenções – e continuarem as suas vidinhas como uns verdadeiros Reis na República!
A Carbonária precisa de atuar novamente para derrubar estes tiques Monárquicos. Sem sangue, mas com uma verdadeira luta cultural. Pelos vistos, analisando as atitudes públicas de alguns quadrantes da política, até já está a acontecer e as pessoas estão a gostar…
Acreditando que estes senhores não querem mais nada com a política se acabarem com as subvenções – e porque querem dedicar-se somente às suas famílias, os caros leitores estão disponíveis para servir o país sem direito a essas regalias?

in Jornal Povo de Fafe (29-01-2016)

sábado, 26 de dezembro de 2015

Fafe ainda tem muito trabalho pela frente, mas só tem caminho para a frente, ok?

     Respira-se melhor em Fafe. Há ventos bem mais favoráveis na cidade. Mudar faz bem. Fafe mudou e as pessoas, lentamente, estão a mudar também.
     Sempre defendi uma política para as pessoas. Uma política para todos. Basta juntar os meus artigos desde o ano 2000 até 2015 e, sem qualquer dúvida, lá estará sempre a mesma objetividade de pensamento. A política ou a gestão da pólis (cidade estado) é dever de todos os cidadãos. A democracia é o poder do povo. Assim, na sua origem, a política tem de orientar a ação do povo para o povo.
     Finalmente, temos um Município de portas abertas. Uma Câmara capaz de receber e ouvir as mais distintas propostas. É fácil falar com o Presidente da Câmara e também funciona do mesmo modo com alguns Vereadores. É verdade que ainda há muita burocracia que precisa ser ultrapassada. Mas também é verdade que as coisas não se mudam de uma só vez. E, na verdade, a mudança é sempre um dilema, mesmo que seja para benefício de todos. As pessoas ficam tão acomodadas às rotinas que se um requerimento deixa de ter uma linha para passar a ter um quadrado e escolher a melhor opção, já é um caos.
     Já se ouvem alguns rumores relativos às próximas autárquicas. Entre mais ou menos surpresas, há políticos que dão sinal de alguma aflição e nem se apercebem disso. Há uns dias atrás participava numa reunião com políticos fafenses e discutia-se a questão do ‘Orçamento Participativo’. Nas várias explicações foram dizendo que só podiam ser candidatos ao projetos residentes ou fafenses. Sendo a reunião informal (acho que até demais), deixei escapar que ‘o Dr. Raúl não podia…’ Logo um político se pronunciou em defesa do líder e disse ‘mas pode mandar fazer’. Raúl Cunha, bem ao seu estilo, até porque já tínhamos tido essa conversa antes, disse em tom de brincadeira: «eu costumo dizer que nem em mim posso votar, mas dava muito jeito».       Estes pormenores podem parecer pouco importantes, mas revelam bem o nervoso miudinho que assombra o partido socialista. Raúl Cunha veio trazer democracia a Fafe e muito mais ao PS. Algumas juntas de freguesia ainda continuam a apoiar só quem lhes dá o voto ou a arranjar favores aos familiares, mas Raúl Cunha abre as portas a toda a gente.
     Numa entrevista recente ao anterior Edil, podia-se ler a indignação em saber que um militante socialista foi aliciado para alinhar pelos independentes, mas não foi isso que o seu partido fez durante décadas aos militantes e simpatizantes do PSD e até do CDS para as juntas?
     Há uma marca que separa a política em Fafe antes e depois de Raúl Cunha. Sem dúvida. Sinceramente, acho que há duas opções para o futuro: Raúl Cunha reforça a liderança com mentalidades mais ao seu estilo ou precisamos de um novo Presidente que no dia a seguir às eleições consiga abrir as portas da Câmara a todas as propostas e, depois de análise, saiba escolher as melhores.
     Fafe não pode regressar mais ao passado!
     As políticas de agora em diante terão de ser devidamente planeadas. Unir esforços entre Associações, Escolas e Autarquia será uma mais-valia na Educação, Cultura, Deporto e Juventude. A ação conjunta levará a que cada um seja o complemento do outro. A Escola trabalha a instrução, a Autarquia cria condições logísticas e o Associativismo oferece a produção cultural, artística e desportiva, onde se pode colocar em prática a aprendizagem da Escola e utilizar o palco do Município. Juntar forças entre Associações Empresariais, Município e IEFP também representará uma melhor articulação na luta contra o desemprego ou mesmo na criação de propostas de promoção de iniciativas que promovam a exportação da marca Fafe.
    O caminho ainda é longo. É possível chegar lá. Haja vontade…
    Note-se, aqui e agora, que os meus escritos nunca pretenderam ser lei, muito pelo contrário, sou Professor e habituei-me à linguagem da construção crítica. Os meus alunos, depois de conhecerem as matérias, são obrigados a tomar posições sobre os assuntos abordados e optar por si mesmos depois da troca de ideias. Nos meus artigos procuro seguir os mesmos critérios. Os leitores têm sempre a última palavra.
      A todos, um Feliz 2016.
                  Pedro Sousa

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Um Governo quê? Da preferência da maioria?

Agora que as birras estão a acalmar, importa deixar dois pensamentos:
1 - Humildade!
Quem hoje manda, amanhã será mandado, nem que seja para o 'caralho!'
2 - Governo de preferência da maioria dos portugueses?
Não me parece. É que não sei se repararam, mas o PS não ganhou mesmo as eleições. A coligação PàF foi a mais votada... Dizer que juntos (PS, CDU e BE) têm mais votos? Aí é verdade! Mas seguindo esta ordem de ideias, o Governo seria preferência se fosse constituído por elementos dos três partidos... o que não é!
O que podemos aceitar, facilmente, é como diz o Psicólogo Rocha "Governo da preferência da maioria Parlamentar".
Aqui, a conversa já é outra!