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sábado, 27 de outubro de 2012
Hospital de Fafe - A vida por um fio
A
cidade de Fafe começa a ficar habituada a perder. Já não chegava a destruição
do património, agora temos de assistir à perda de recursos que tão importantes
eram em tempos para a distinção de uma vila, uma cidade ou um concelho. Não se
compreende como é que se destrói um edifício por causa de um metro de terreno,
será que os arquitetos ou engenheiros são tão incompetentes que não conseguem
encontrar uma alternativa quando em causa está um edifício com características
únicas e se revela uma marca fundamental na cultura de uma terra? Sinceramente,
não acreditamos, achamos que se trata da falta de sensibilidade cultural dos
líderes políticos, porque se conseguem projetar uma estrada com muros altos,
também sabem projetar um metro ao lado e sem ter de construir suportes para
alargar a estrada.
O
recurso à temática do património não é por acaso, mas porque este último
mandato da Câmara vai ficar marcado pela destruição se não pararem com os seus
planos que ninguém entende. De um momento para o outro, ou esgotaram as ideias
e para mostrar trabalho sentem a necessidade de mexer no que foi construído,
nem que seja só de mudar de um lugar para o outro como tinham a intenção de
fazer com o Monumento à Justiça de Fafe, ou estão dispostos em aceitar tudo o
que lhes impõem mesmo que em causa esteja a perda de recursos que fazem toda a
diferença na afirmação da cidade e, muito mais, na qualidade de vida que todos
merecem.
Fafe
é cada vez mais uma aldeia de Guimarães. Afinal de contas, o artigo causador de
tanta polémica, “Os nossos vizinhos: Fafe”
de Nuno Rocha Vieira, parece ter algum
sentido: Hospital, Centro de Emprego e Tribunal já têm as chefias na grande
cidade Vimaranense ou estão a caminho. Para falar claro, nem é muito isso que
nos incomoda, se a população conseguir ser melhor atendida com esta reestruturação
ainda bem, mas se isto implicar a dificuldade para chegar aos serviços o caso
muda de figura.
O que nos surpreende, no meio
disto tudo, é a forma como o poder político em exercício lida com estas
questões, no início fazem grande escândalo, redobrando-se em conferências de
imprensa para mostrar a sua indignação, veja-se o caso da reestruturação das
freguesias, e depois concordam com tudo o que vem de Lisboa. Obviamente, isto
até se percebe, se não fizerem muitas ondas conseguem orientar melhor as suas
pretensões político-partidárias. Mas será que estas posições de quem lidera uma
comunidade são as ideais? Ou será que deveriam lutar até às últimas consequências
pelos interesses da população?
No grupo “Em
defesa do Hospital de Fafe”, recentemente criado no Facebook por Eugénio
Marinho, advogado e político fafense, este escreve: «Tudo está a ser feito para o Estado se
"livrar" do Hospital de Fafe e entregá-lo à Misericórdia. Devemos
impedir esse negócio que nos privará em
definitivo de termos um hospital público, como sucede desde o 25 de Abril. E o
mais grave é que o negócio está a ser feito com a cumplicidade da autarquia.»
Não podemos avaliar se o melhor para Fafe é o Hospital ser do estado ou
privado, mas defendemos o serviço de saúde como defendemos a educação, ou seja,
saúde e educação pública e para todos.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (26-10-2012)
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Intervenção na Assembleia Municipal de Fafe – 28 de Setembro de 2012
Exmo.
Sr. Presidente da Assembleia e restante mesa;
Exmo.
Sr. Presidente da Câmara, Senhoras e Senhores Vereadores;
Minhas
Senhoras e Meus Senhores
Agradeço,
desde já, a Vossa atenção para três pontos:
a) Recebi um cheque no valor de 76,32
(setenta e seis euros e trinta e dois cêntimos). Logo me apercebi que o valor é
exagerado para quem nada produz. Esta é a terceira reunião em que participo e
já me apercebi que a maior parte dos membros presentes em nada contribui para a
discussão sobre os diversos pontos em análise nas Reuniões das Assembleias.
Isto não é apenas mau - é péssimo - para a democracia, porque em nada
contribuem para uma cidadania participada e muito menos para realmente
representarem aqueles que neles votaram.
Será altura para repensarem a sua função
nesta casa: ou são verdadeiros representantes ou, como se diz em linguagem
teatral, jamais passarão de umas marionetas ao comando de um qualquer
malabarista;
b) Uma segunda questão prende-se com as
observações apontadas pelos participantes mais ativos: nota-se claramente uma
opção pela cidade e o seu espaço e nada ou muito pouco se fala sobre as
freguesias. Será que isto quer dizer que está tudo bem nas freguesias?
Os senhores Presidentes estão
satisfeitos?
Eu tenho sérias dúvidas, até porque na
minha freguesia existe uma falta enorme de recursos, há muito prometidos nesta
mesma sede (estrada do saibro; praia fluvial do avial;…) e que se
intensificaram desde as últimas eleições com a vitória do Partido Socialista
através:
- Eliminação da internet a 1€/mês;
- Eliminação das aulas de música com
dezenas de jovens;
- A taxação para todos os requerimentos…
…
c) Para terminar, gostaria de deixar uma
observação sobre alguns pontos sobre “Educação,
Cultura, Arte, Património e Turismo” que me parecem essenciais para o
progresso e qualidade de vida dos cidadãos, mas que a autarquia teima em
desrespeitar ou, pelo menos, não levar a sério e que podem representar uma
mais-valia num tempo em que as ‘indústrias criativas’ se afirmam como alavanca
de progresso.
Quando
observo as opções deste executivo sobre estas áreas, são muitas as
interrogações que se me colocam. Confesso que tenho uma enorme estima pessoal e
intelectual pelo Senhor Vereador da Cultura, Dr. Pompeu Martins, e talvez por
isso ainda mais acentue as minhas questões, as quais gostava de ver
esclarecidas:
1 – Quando há intervenções sobre o
património, o Vereador da Cultura é ouvido?
Só encontro três hipóteses possíveis:
a) É ouvido e é feito o que ele
determina;
b) É ouvido, mas ninguém lhe dá crédito;
c) Não é ouvido.
Deixo as respostas para o próprio
executivo discutir depois, mas quero fundamentar apenas com alguns exemplos:
Quem é o responsável pela intervenção:
-
No desmantelamento da Escola da Feira Velha e na posterior alienação do
património a particulares?
-
Na Ponte Românica das Romãs, Rua de Pardelhas, Fafe, parcialmente destruída para dar
lugar à nova ponte de betão?
- Restauro da ponte de Sangidos, também conhecida por ponte de Bouças, (onde colocaram pedra azul sobre
pedra velha, sendo que as pedras da ponte, segundo um pedestrianista me
informou, se encontram no fundo do regato…?)
-
O Moinho de Regadas, que só interferia por 1metro no projeto, não haveria
alternativa?
…
Será
que se estão a perceber que estão a destruir património?
Património que poderia, tantas vezes,
servir para abrigo de projetos culturais e artísticos (escolas); Património que
deveria ser requalificado e integrar roteiros turísticos; … ???????
Agora, mesmo para concluir, gostava
apenas de deixar uma última nota:
Já todos nos apercebemos que Fafe ainda
tem algum património em pé e, agora só os mais atentos, sabemos que há quem
aproveite com qualidade os recursos ou quem simplesmente o despreze. O Senhor
Vereador da Cultura sabe que há uns tempos uma associação lhe entregou um
projeto para requisitar uma escola e nela construir um espaço de dinamização de
atividades culturais, formativas e proceder à montagem do Museu do trabalho
rural e das tradições do Minho.
O senhor vereador agiu como todos têm
agido e referiu: a escola tem de ser entregue à junta.
O problema reside aí, pois há juntas que
têm capacidade, como Aboim e o seu Moinho de Vento, mas há outras que entregam
tudo às associações em que eles próprios fazem parte dos órgãos diretivos, como
acontece com Regadas.
Sabem o que se faz na Escola de Regadas
normalmente? Um ensaio do rancho por semana.
Não seria mais proveitoso se a Câmara
entregasse a administração dos espaços a quem apresentasse os melhores projetos
de dinamização? Juntas, associações… Como acontece com as candidaturas ao IPDJ
que todos conhecemos… Até poderiam ser por um ano com avaliação no final…
Certamente que a comunidade fafense
ficaria a ganhar e era conseguido o ‘retorno’ que o Senhor Vereador defende, no
artigo hoje publicado e que eu aprecio, no jornal Povo de Fafe.
Pedro Sousa, Intervenção na Assembleia Municipal de Fafe, 28 de Setembro de 2012.
sábado, 22 de setembro de 2012
Os nossos vizinhos… não terão razão?
Não
basta andar de cravo ao peito no dia 25 de Abril de cada ano. A democracia foi
consequência de vários anos de sufoco e a liberdade de expressão é contemplada
em documento próprio, devidamente aprovado e assinado pelas altas patentes do
Estado Português.
Recentemente,
o artigo “Os nossos vizinhos: Fafe” de Nuno Rocha Vieira, vimaranense, criou
uma enorme onda de contestação, em certos casos, a rossar a malcriadez e
brejeirice. Se o objetivo do articulista fosse atribuir estatuto de ‘gente
rude’, poder-se-ia afirmar que tinha conseguido, basta ver alguns comentários.
Contudo, independentemente do que se possa pensar e dizer, não vi o artigo como
uma provocação cerrada, mas como um alerta, visto que permite perceber a imagem
que têm da minha cidade.
Fafe
é grande em Fafe. Seria a conclusão mais rápida que se podia tirar de toda esta
confusão de palavras. Por muito que se brinque aos rallies ou ao ciclismo, isto
só acontece uma vez no ano. Será que é assim tão difícil perceber que só o
facto de passear pelas ruas de Guimarães é agradável? Sabem porquê? É muito
simples: eles preservam o património e dão-lhe vida! Fafe, bem pelo contrário,
faz muito alarido em torno das construções dos brasileiros, fruto do trabalho
de um estudioso persistente, Miguel Monteiro, mas na primeira oportunidade autoriza
que se derrube um edifício para dar lugar a um mamarracho de vários andares,
basta aparecer uma construtora que considere que dava um bom prédio naquele
sítio.
Isto
é cultura? Com tanto espaço para crescer, há mesmo necessidade de destruir a
identidade? Não seria muito mais inteligente recuperar os edifícios para
espaços comerciais ou escritórios?
No
meio de tudo isto, o texto que mais me cativou não foi o do articulista
vimaranense mas o de Leonor Castro. A classe com que construiu o seu texto foi
muito perspicaz, inteligente, direta. Não disse apenas que o vimaranense não
conhece bem Fafe, mas demonstrou através de excelentes exemplos que se
conhecesse teria muitas mais observações a fazer.
Agora,
sem ressentimentos e bairrismos, com a maior das naturalidades, imaginem se “os
nossos vizinhos” quando vêm a banhos à barragem, como diz o articulista,
parassem num dos nossos espaços comerciais para encher a lancheira com umas
‘cervejolas’, um queijinho, fiambre… e o pão caseiro de Fafe? Imaginem também
se eles tivessem a hipótese de parar em Fafe para provar a famosa vitela ou, os
mais novos principalmente, se imaginassem o quão é saboroso comer o cachorro ou
a francesinha no Jorge junto ao Estádio do Fafe? Certamente, não diriam mais
que Fafe só tem acessos para a barragem… mas para isso a política precisa de
mudar. Nós conhecemos, mais ao menos, o que temos, agora o que realmente é
preciso é saber aproveitar recursos naturais e patrimoniais e dar-lhes vida
(Animação Cultural e Artística).
Mas
isso não dá trabalho? Dá! Importa é saber se queremos abrir as portas a outros
concelhos ou ficar estupidamente sozinhos a armar-nos em ‘fortes, feios e
maus’.
Pedro Miguel
Sousa, in Jornal Povo de Fafe (22/09/2012)
sábado, 19 de maio de 2012
Fafe perde serviços porque não sabe ouvir
A cidade de Fafe está a ser reduzida a
um dormitório. Esta é uma realidade que não se pode mais ignorar. Vão surgir
múltiplas explicações ao sucedido nos próximos tempos, usando sobretudo os
cortes na administração pública como principal evidência, mas a falta de
movimentação das pessoas é reflexo de um desprezo sentido em não ver resolvidas
as suas reais necessidades e que levou a uma adaptação às realidades que
surgiam.
sábado, 24 de março de 2012
Jornadas Literárias,
Uma aposta ganha na exploração e divulgação do património material e imaterial
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Não é fácil trabalhar em Fafe, há demasiadas quezílias políticas
‘O que é em demasia, é um erro’ é uma expressão que só serve o ódio e nunca o amor. Olhar a cidade como um palco em que todos são atores é potenciar nos intervenientes uma dimensão superior. Olhar o outro como alguém que pode surpreender positivamente é uma espécie de conforto para o nosso próprio espírito, mas infelizmente quase sempre há valores ocultos, engendrados por elites mal intencionadas, que procuram derrubar logo quem possa constituir uma ameaça ao seu belo ‘lugar à sombra’.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Voto de congratulação aprovado em reunião de Câmara
Felicitações a Pedro Sousa e José Ribeiro
Pedro Miguel Sousa e José Ribeiro, jovens fafenses, viram recentemente os seus trabalhos na área da literatura reconhecidos, nomeadamente com o Prémio de melhor conto nos concursos levados a cabo pelas editoras Iara (Brasil) e Alfarroba (Portugal).
José Ribeiro venceu com o conto “Visão estereoscópica de um abandono” e Pedro Sousa foi um dos escolhidos entre cerca de 40 artigos de todo o Brasil e de Portugal, com o trabalho “Ensaio sobre a escultura de Pedro Figueiredo”.
Tendo em conta o mérito alcançado por ambos, a Câmara deliberou, por proposta do vereador Pompeu Martins e por unanimidade, aprovar um voto de congratulação, a ser transmitido aos próprios e à comunicação social.
(Acta completa: Reunião da Câmara de 20 de Outubro)sábado, 17 de setembro de 2011
Fafe, para quando marca própria?
A cidade de Fafe, sem qualquer sombra para dúvidas, é uma cidade agradável para visitar, o que já lhe deu o epíteto de ‘Sala de Visitas do Minho’ embora não acreditemos que esse tenha sido o principal objectivo para a atribuição de tal designação. E isto porque Fafe não tem bairrismo só nas aldeias que disputam quem vai ter a melhor escola ou o melhor lar e, às vezes, quem fica com a extensão de saúde… para não falar das estradas… o bairrismo está mesmo em todo o concelho.
Nem sempre é negativo este síndroma que atravessa gerações e gerações, mas ao longo do tempo é perceptível que em determinados momentos se tivesse existido maior capacidade de decisão e menos bairrismo tudo poderia estar mais evoluído e a qualidade de vida ser transversal a toda a população. Os governantes fafenses, por muito que até pretendam mostrar o contrário, vivem concentrados apenas nos seus quintais. Há alguns que até têm umas quintas, mas a maioria não tem mais do que uma simples horta e pensam que podem cultivar lá de tudo mas o terreno não chega.
Há uns anos a esta parte, a autarquia fafense tem apostado sistematicamente na volta a Portugal, uns dirão que é muito bom porque a cidade é falada durante todo o dia na comunicação social, mas quanto custa aos fafenses uma aposta destas? Qual é o retorno efectivo do investimento que se faz? Estas e outras questões são as principais linhas de análise para qualquer gestor mais ou menos atento. Com este exemplo não se pretende mostrar que a aposta está errada, até porque a festa é bonita, movimenta muita gente e também pode ser uma mais valia a longo prazo, mas para isso há a necessidade de reestruturar as linhas de ação do turismo e fazer com que os forasteiros que visitam Fafe no dia do ciclismo sintam vontade de voltar noutras épocas do ano.
Se a questão das iniciativas de Fafe para atrair a comunicação social têm de despender de avultadas quantias em dinheiro, pode-se concluir que algo está muito errado e, ao longo de todos estes anos, significa que ainda não apareceu nenhuma ideia que marcasse a cidade pela diferença e excelência, o que obrigaria a comunicação social procurar Fafe e não o contrário. Como exemplo concreto salientamos ‘Vilar de Perdizes’, que certamente já todos sabem do que se trata sem ter de se dizer o que lá se passa, uma terrinha muito pequena, mas todos os anos é notícia diversas vezes durante o ‘Congresso de Medicina Popular’, conseguindo chamar a atenção de todas as televisões.
Fafe, que perdeu uma das suas marcas ainda hoje faladas por todo o lado – o rali, precisa de colocar a criatividade a funcionar. Os governantes podem não ser os únicos que devam pensar no assunto, mas com toda a certeza deveriam ser os primeiros a criar condições para que tal possa acontecer. Uma contínua aposta na investigação dos usos e costumes do passado devem merecer uma atenção especial, mas que não fiquem pelos livros a dizer que ‘fomos os maiores’, é preciso mesmo reestruturar a cidade sem a descaracterizar e, para isso, tudo vai depender de uma maior aposta em matéria de questões culturais que possam ser determinantes na afirmação de Fafe.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (16-09-2011)
sábado, 5 de fevereiro de 2011
E se Fafe tivesse…

… uma feira quinzenal ou mensal no Multiusos?
Numa recente recolha para uma próxima publicação da revista ‘alfa’, revista do CLUB ALFA, fiquei com a sensação que muito mais se poderia fazer por um concelho que me parece rico em criatividade e pobre na exploração dos seus recursos. Ainda que me pareça que a minha ideia tenha a necessidade de algum amadurecimento, principalmente no que se refere à confrontação com questões de ordem logística, o certo é que a cidade precisa de mais acção, envolver os seus munícipes e atrair mais visitantes.
O Plano de intervenção em nada se oferece complicado, ou seja, trata-se simplesmente na abertura do Multiusos para acolher exposição e venda de produtos artesanais, que podem ser elaborados por pessoas individuais ou através das associações. À primeira vista, não é mais do que promover a mostra das associações que já vem acontecendo uma vez por ano. Contudo, esta actividade, se fosse devidamente coordenada, não se fixava no ponto de venda, mas sim no pré, durante e pós execução, o que implicaria um acompanhamento, promoção e divulgação, através de locais próprios para a construção e, possivelmente, colaboração no encontro de temáticas a abordar em cada momento expositivo.
Se o Multiusos é um local para expor/vender o produto final com capacidade reconhecida, também as Escolas primárias, na sua maioria sem utilidade, representam locais privilegiados para o planeamento e execução dos trabalhos. É certo que estas precisam de coordenadores de grupo, mas para isso existe a vereação da cultura que pode encontrar em cada núcleo de freguesias uma associação com currículo cultural que possa assumir essa responsabilidade ou contratar jovens formados nas áreas de Educação/Artes/Cultura/Turismo.
Se Fafe somos todos, também todos devemos dar o nosso melhor por Fafe.
Às vezes, basta que deixem!
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (04-02-2011)
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Ano Novo, Vidas Preocupadas e Fafe sem visão
O novo ano iniciou e com ele todas as preocupações inerentes a um estado caótico do país. O marasmo apoderou-se do povo português e lá vai o tempo em que éramos detentores de meio mundo. Já não cantam os Lusíadas, nem nos serve a Mensagem de Pessoa, porque o sonho foi perturbado pelos tão afamados defensores da pátria. Pátria que chamam sua por direito e o é por nossa obrigação, querem eles, afinal apregoam que nos livraram das garras salazaristas, mas não se lembram que também são eles que nos tiram o pão.
Passeios em carros topo de gama, que não servem mais que uma legislatura, às vezes duas se não surgir qualquer demissão. Mas sentar-se no mesmo banco do anterior está sempre fora de questão. Em altos tamancos, lá tiram de quando em vez a gravata para parecerem ao povo como povo, embora não o são. Estes são os senhores, os ilustres fazedores do tal bem à nação.
A nação, por si só, já nada é mais do que uma ilusão de fronteiras abandonadas. Valha-nos isso, ao menos, para entrar nas terras dos nossos hermanos que vendem o combustível a preços mais humanos. Se Portugal nos persegue a memória, resta-nos agradecer à história de um Camões que nos exaltou e um Pessoa que sonhou: ‘Agora é a hora’ – exclamou. Por isso, resta-nos acordar, para a memória avivar, e depressa declinar todas as atrocidades até então. Demitam-se os ‘mal fazedores’, derrubem-se as tiranias, pois chegou a hora de um novo império ser construído em nome da sabedoria.
Terra de todos os feitios e mar de enorme dimensão, por que esperamos se sabemos que outrora este foi o caminho para impérios emergir?
Se o país está deste modo e Fafe pertence ao país, logo Fafe não me parece que vá encontrar um registo muito diferente, nestas palavras toscas, que encontrarão logo múltiplas observações, de outros sábios da razão.
Contudo, devíamos observar com maior atenção o que vai acontecendo (ou não) neste nosso concelho e perguntar se é desta forma que fazemos com que a nossa comunidade avance e a nossa indústria, comércio, turismo… possa sonhar com um futuro próspero. Por exemplo, na terça-feira passada, em Guimarães, foram apresentados os ‘Fins-de-semana Gastronómicos’, organizados pela Região de Turismo do Norte de Portugal, onde as autarquias presentes puderam apresentar os seus pratos e convidaram a que os participantes fossem expor aos seus respectivos concelhos, como é já comum, Fafe nem se deu ao trabalho de aparecer.
São estes, os erros crassos de quem nos governa. E voltamos sempre ao mesmo problema, Fafe é mesmo ‘A Sala de Visitas do Minho’, porque no Minho passa-se mais tempo na cozinha do que na sala, por isso, Fafe só serve mesmo para que os turistas façam ‘uma passagem’ e de preferência que não estejam muito tempo para não sujar as carpetes, porque depois dá mais trabalho ao limpar na Páscoa!
Será que não há visão capaz de traçar planos de intervenção que possam promover o concelho de Fafe e projectá-lo? Por muito que possam querer passar a mensagem de beleza, o certo é que Fafe não tem nada que cative as pessoas para parar em Fafe. Dizem que temos boa vitela, mas como já alguém questionou: onde se pode comer? Em que restaurante?
Talvez esta e outras questões pudessem ser apresentadas durante os ‘Fins-de-semana Gastronómicos’. Talvez se se aceitasse definitivamente que é preciso pegar na nossa cultura (património, tradições, gastronomia…) e contratar bons promotores, daqueles que reconhecem a necessidade de estar presentes, por exemplo, na promoção de turismo na FIL – Feira Internacional de Lisboa, que acontece todos os anos e Fafe nunca lá vai, e em criar mecanismos para a qualificação de casas de repasto com qualidade, talvez Fafe começasse a sair da sua ruralidade bacoca que até pode dar jeito, mas em nada nos engrandece e muito menos trará melhorias às futuras gerações.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (07-01-2011)
Publicada por
Pedro Miguel Sousa
à(s)
23:40
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