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terça-feira, 5 de agosto de 2014

A PACC e as Universidades da treta

As Universidades estão a envergonhar-se a si mesmo! Permitindo que uma prova que nada tem a ver com a formação especializada possa destruir pessoas! Depois andam a queixar-se que lhes cortam nos apoios à investigação! Se não servem para formar e defender quem formam, simplesmente também não servem para continuar abertas. Fechem-lhes os cursos! Que permaneçam só aqueles que formam com qualidade e defendem que os seus são os melhores, porque são formados pelas melhores! 
Continuo a dizer que o melhor não são as provas, porque o valor até pode ser alto e o desempenho profissional ser uma nódoa... façam reciclagens, venham às escolas e assistam às aulas... como nos estágios, até pode ser de 5 em 5 anos e que sirva para progressão na carreira, ou não! Dependendo dos resultados.
Se fecharem os cursos às Universidades só porque não têm alunos necessários, como fazem com as escolas profissionais ou com certas disciplinas no ensino oficial, certamente que vão voltar à comunicação social a fazer queixinhas...
QUEM SÓ OLHA PARA O SEU UMBIGO NÃO VÊ NINGUÉM QUANDO RESOLVE OLHAR À SUA VOLTA!
(Eu não fiz a prova, tenho mais de 5 anos de tempo de serviço, mas estou com todos os que têm menos tempo de serviço e muito mais com quem foi apanhado por interesses economicistas).

quarta-feira, 23 de julho de 2014

1 ano de Latim nas Escolas para Aprender a Empreender de verdade!

Defendo "1 ano de Latim" como forma de colmatar as lacunas na Língua Portuguesa e, na aquisição de conhecimentos culturais, formar massa crítica capaz de intervir na sociedade como verdadeiros empreendedores. Com isto refiro-me, por exemplo, aos ginásios, spa... que já era um modus vivendi dos romanos e agora é bem recebido por nós. Há mais potencialidades que o conhecimento dos clássicos e da língua nos pode proporcionar, mais não seja 'o raciocínio lógico'. 
Convido a colocar UM LIKE na página e, concordando com esta visão ou não, mostrar a opinião será sempre uma mais valia para um verdadeiro debate de ideias neste país que precisa reformular o ensino com urgência.

Um bem haja a todos e, dentro dos possíveis, umas ó(p)timas férias,

Pedro Sousa

(Escrevi ó(p)timo ainda com (p) para as férias serem mesmo boas :)


sexta-feira, 18 de julho de 2014

O Ministro da Educação não foi nada educado!

MARCAR UMA PROVA EM CIMA DA HORA PARA QUE NÃO POSSA SER CONTESTADA? ISTO É CASO PENSADO E MERECE "CARTÃO VERMELHO"

Mantenho o que disse em tempos sobre a PACC. Não tenho duas palavras! Esta prepotência de um Ministro que quer tudo à sua maneira já não deixa ninguém indiferente, muito menos uma classe que tanto tem que se preocupar com o modelar de gente que chega às escolas, ano após ano, ao sabor de um facilitismo barato. Números... só importam os números! Isto tudo, um dia, vai sair muito caro ao país. Certamente que há necessidade de avaliar o que os professores fazem, mas talvez isso passe por reciclagens constantes e não provas que em nada acrescentam ao bom funcionamento de uma sala. 
A emboscada - TSF é uma crónica que deve ser escutada com toda a atenção! Talvez esteja na hora de serem não só os Professores, mas também os Pais, os Alunos, os Funcionários e todos os Portugueses a avaliarem o Ministro!
Se me querem avaliar, venham às minhas aulas! Porque um Professor até pode tirar 20 valores numa prova escrita, mas isso não significa que tenha a melhor postura dentro de uma sala de aula, nem que consiga transmitir a matéria com mestria.

Para que fique bem claro: Não tenho de fazer a prova porque já tenho mais de 5 anos de serviço, mas estou solidário com todos os Colegas. O que fará deles bons profissionais... será o sorriso estampado no rosto de cada criança com a felicidade proporcionada por cada ano alcançado de forma positiva.
Isto sim, é o lema dos Professores!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Uma nota sobre “O falar de Fafe”

O falar de Fafe, ou mesmo de outra localidade, não está errado no que respeita à pronúncia. Essa é uma das regras bases que se aprende na Faculdade quando se estuda Fonética. Como em todas as línguas, há uma língua considerada padrão e há regionalismos. Não entrando em questões como o Mirandês que se trata de outra questão. Ora bem, a linguagem padrão está situada entre a zona litoral de Cantanhede e Lisboa, por causa de uma questão muito simples: A Universidade de Coimbra! A única Universidade durante um período de tempo muito longo... As outras pronúncias, incluindo mesmo Lisboa com o 'coâlho' ou o 'joâlho' ou em Fafe com a abertura das vogais antes das nasais, trata-se de regionalismos e, por isso, estão corretos como qualquer outros. Agora, uma coisa é a fala outra a escrita, porque nesta última não é admissível. O Minho está cheio de questões, veja-se, por exemplo, o caso do 'cão' ou do 'não' que não se pronuncia da mesma maneira em Regadas e em Fafe. Neste caso, Regadas é igual à linguagem padrão... apenas dista de Fafe de uns míseros Kms. E Felgueiras, que faz fronteira com Regadas? A Zona do Minho, por exemplo, tem 4 formas diferentes de pronunciar o 's'... e esta? Portugal é riquíssimo nesta matéria... prevaleçam as diferenças linguísticas, porque faz parte do nosso património e, digam lá, não é tão bom visitar os amigos transmontanos, que logo nos oferecem aqueles salpicões, linguiças e presuntos, e ouvir a sua pronúncia de gente que sabe receber?

Nota postada em: 
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=673199829369125&set=a.466589493363494.103990.100000373419038&type=1&theater&notif_t=photo_reply 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Os Politécnicos agora já reagem?

Os Politécnicos já reagem, as Universidades continuam adormecidas.
A prova de Professores não foi motivo suficiente para que se pronunciassem, nem mesmo sabendo que em questão estava a qualidade de ensino, ao que parece de pouca qualidade segundo o Ministro. Honra seja feita à Escola Superior de Educação de Bragança do IPB. A única com coragem e determinação em defender que os seus alunos têm qualidade. Quanto ao resto, nem Politécnicos nem Universidades deste país tiveram o discernimento de mostrar o seu descontentamento, se é que alguma vez o tiveram, ao serem colocados em questão quanto ao ensino ministrado.

Se querem ver a qualidade dos alunos façam uma prova quando saem das faculdades a nível nacional e atestem o nível dos cursos. Depois, obriguem os professores (a custo zero) a uma constante reciclagem e vão às escolas para ver como eles trabalham e, principalmente, como eles lidam com o público cada vez mais difícil. Isso é que será uma prova de verdade.


Um professor até pode tirar 20 valores numa prova, mas não significa que seja um excelente pedagogo numa sala de aula!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A prova de Professores é uma vergonha para as Universidades

Exmo.(a) Sr.(a)

Informamos que na página eletrónica da PACC, em 
http://pacc.gave.min-edu.pt <http://pacc.gave.min-edu.pt/>  ,no separador Perguntas Frequentes encontra-se resposta à sua questão:

Que tempo de serviço releva para efeitos dos números 1. e 3. do Aviso n.º 14962-A/2013, de 5 de dezembro?

É considerado, para este efeito, todo o tempo de serviço devidamente certificado prestado antes e após a profissionalização, quer nos estabelecimentos da rede pública, quer nos estabelecimentos de ensino da rede privada e cooperativa.

Considera-se serviço docente qualquer atividade equiparada a função letiva, independentemente do grupo de recrutamento, designadamente, as Atividades de Enriquecimento Curricular.

Com os melhores cumprimentos,

Assessoria Direção
Gabinete de Avaliação Educacional
Travessa das Terras de Sant'Ana, 15
1250-269 Lisboa, PORTUGAL

Não faço a prova! Já tenho tempo de serviço que ultrapassa os 5 anos, mas não posso deixar de afirmar que isto tudo não passa de uma palhaçada muito feia.
Nunca coloquei em questão o facto de me avaliarem. Tenho duas licenciaturas, uma Pós-Graduação e um Mestrado, todos pela Universidade de Coimbra. Fui avaliado ‘milhentas vezes’ em cada um desses processos. Sou Professor Profissionalizado – estágio pedagógico em Português, Latim e Grego – o que me obrigou a ter direito a duas coordenadoras na Escola e dois orientadores da Faculdade. Até posso dizer que subi a minha média no ano de estágio, por tudo isto nunca me meteu medo a avaliação.
Na minha atividade profissional, para além de ser avaliado todos os dias pelos alunos, também sou formador de Professores, ou seja, pessoas habituadíssimas a avaliar… e, modéstia à parte, a coisa tem-me corrido muito bem! Mesmo sendo eu o mais novo dentro da sala de aula.
Sou contra esta prova!
Estou contra uma prova que não vai avaliar coisa nenhuma e que me levanta uma série de questões: um Professor ou Educador que tenha menos de 5 anos é pior do que o que tem mais? Desde quando? Só porque tem mais experiência? E quem sai diretamente dos estágios com toda a formação fresca da Universidade?
Por falar em Universidades: por que será que estes senhores não se pronunciam? Será que ainda não repararam que lhes estão a tirar o mérito? Se aprovaram pessoas para o ensino, atribuindo-lhes o diploma, é porque estão preparados, não será?
Se não for o caso, se as Universidades não se sentem seguras, então façam o favor de fechar os cursos!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Arte, Cultura e Património


“Actualmente [a cultura] não tem nenhuma relação com a sociedade, e esta separação leva-nos a uma conclusão perigosa: que a cultura está estritamente ligada à lei, à produção, ao dinheiro, ao produto nacional, ao status de cada indivíduo dentro da sociedade”, Joseph Beuys.

     O setor cultural e artístico, parente pobre dos executivos sem visão estratégica, definha-se ainda mais quando em causa estão valores estritamente economicistas. Deixar este setor à mercê do acaso ou da simples benevolência de um grupo mais empenhado em servir o poder é permitir o fim da criação artística, o que vem a estrangular a identidade de uma população.
     As autarquias têm um papel fundamental na preservação da identidade da comunidade que representam. Esse papel pode ser abordado com sentido elevatório ou destruído sem deixar prevalecer as raízes culturais, artísticas e patrimoniais. Questionar a cultura nas suas origens, tradições e festejos, assim como permitir a prática da criação, pode significar não só o avanço da comunidade, numa perspetiva evolutiva no conhecimento proporcionado aos cidadãos, mas também em questões económicas se isso possibilitar uma marca capaz de provocar a lei da oferta e da procura.
     O concelho de Fafe é vasto em património cultural, mas não o tem sabido encarar com o respeito merecido. São múltiplas as aberrações cometidas ao longo do tempo, seja na destruição (escolas; moinhos…), no restauro (pontes), ou na própria descaracterização do tradicional nas mais diversas festividades. Fafe não cria identidade, porque não quer ou não sabe, não aproveita os recursos, não concebe uma estratégia capaz de levar o seu nome e ver o retorno nas visitas turísticas, sem necessitar de despojar quantias avultadas em programas televisivos.
     A cidade de Fafe está equipada com bons edifícios para prática cultural (Teatro-Cinema; Biblioteca; Casa da Cultura; Museus; Sítios Arqueológicos; Escolas… Moinhos; Alpendres… o próprio Mercado Municipal), mas falta-lhe um plano de ação, o delinear de uma estratégia que conjugue todos os esforços para uma prática constante de pesquisa e posterior promoção de eventos culturais e artísticos. Essa estratégia, por exemplo, à imagem do que já acontece com as entidades ligadas à Música, passa pela instalação de outros grupos artísticos (Artes Plásticas, Artes do Espetáculo e Performativas) no Teatro-Cinema ou mesmo em Escolas abandonadas, mas grupos obrigados a produzir e a envolver a comunidade, dotados de reconhecido valor nos seus recursos humanos, que possam contribuir para uma comunidade efetivamente criativa através da formação de novos públicos, preservar o património imaterial e, ao mesmo tempo, permitir-se enveredar pela experimentação de outras expressões artísticas (Teatro, Música, Dança, Cinema, Escultura, Pintura, Fotografia…) e literárias (Poesia, Conto, Romance, Dramaturgia…).
     Apostar na cultura é provocar o desenvolvimento. Envolver o meio empresarial nas atividades culturais e artísticas, a médio e longo prazo, representará um alargar de horizontes e ultrapassar barreiras ideológicas. Está mais do que na hora de traçar linhas de orientação sem olhar a clubismos ou partidarismos. A cultura é de todos.
in “Notícias de Fafe” (23-02-2013)

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Quando os clubes não contratam jogadores da terra…


            Não se trata mesmo de bairrismo. Nem tão pouco qualquer tipo de crítica à gestão de qualquer clube em particular. Trata-se de uma observação muito pessoal, ainda que já sei partilhada por muitos, sobre as aquisições ou contratações dos jovens jogadores do campeonato popular ou regional.
            Longe vão os tempos em que o objetivo dos clubes da regional se prendia com a ideia de dar oportunidade aos jovens da terra onde a associação se encontrava sediada. Orientar e incentivar os jovens para a prática desportiva fazia parte de um plano que os dirigentes, ainda que a maior parte das vezes nem nisso pensassem, procuravam entre aqueles que se propunham treinar dentro das quatro linhas em exercícios de captação de atletas do futebol. O bairrismo era uma característica inerente à situação, porque todos se conheciam, mas era saudável e soberba a ideia de apoiar o clube dos amigos que se cruzavam em diferentes momentos do dia-a-dia (café, escola, igreja…).
            Hoje os valores estão mais virados para outros interesses, muitas vezes pouco transparentes. Levar o nome da terra deixou de ser um objetivo principal e ganhou força o nome individual e, se possível, de um grupo restrito de ‘pseudo-empresários futebolísticos’ que se consideram os melhores porque até ficam em terceiro ou quarto e, se correr menos mal, até podem chegar à final.
            Esta situação é muito fácil de analisar: se um clube deixa de ter dirigentes da terra também deixa de centrar as suas motivações na mesma, ainda que haja a tentativa de alguma aproximação para não parecer muito mal e conseguir uns apoios lá das juntas ou das câmaras locais.
            Os objetivos de um clube do popular ou da regional não são os mesmos dos clubes a disputar o campeonato nacional. Em primeiro estão os jogadores da terra, depois das proximidades e só depois, se já não for possível, é que se deveria recorrer aos mais distantes. Isto permite rentabilizar recursos, dinamizar da mesma forma o clube e contribuir para a prática desportiva dos jovens, incentivando-os a uma vida saudável.
            É claro que há interesses que nos escapam (ou não) em recorrer a jogadores que habitam a centenas de quilómetros, mas isso é outra guerra e isto é apenas uma opinião. Bairrista? Nem por isso, apenas defensor do desporto de proximidade como educação física.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (07-09-2012)

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Estudar Latim e Grego?


            Não é porque o frigorífico lá de casa de chama Ariston (o melhor) ou porque prefiro calçar sapatilhas da nike (vitória) que focamos a necessidade das línguas clássicas, verificar a sua presença é importante para uma melhor e mais rápida compreensão do léxico, mas perceber que através delas somos confrontados com séculos de civilização é uma mais-valia para criar um espírito crítico sobre a sociedade.
            O ‘Pensar’ é tido nos tempos que correm como uma ação muito penosa. Dá trabalho e isso cansa. Ter pessoas a pensar pode não ser muito agradável para o sistema político. As pessoas que pensam, por norma, são mais exigentes. Mas há também aqueles que pensam e têm ideias diferentes, causando embaraço sobretudo para os ‘agarrados’ do poder. Por outro lado, dar a ideia de uma sociedade intelectual, mesmo que seja através de cursos rápidos, dá a sensação que somos importantes e, de facto, não passa de uma ilusão ótica. O país vive de fachada de títulos de ‘doutor’ ou, ainda mais grave, ‘amigo do senhor doutor’ dá sempre outra pinta. Mas quem precisa disto? Os incultos, os pobres de espírito…
            Esta e outras questões são levantadas pelo que significam numa sociedade abandonada em questões civilizacionais, onde impera o fator economicista em detrimento das ciências sociais e humanas. O país está a formar, em grande escala, gente que não sabe pensar sem fórmulas matemáticas e, sem sombra de dúvidas, esta questão afeta a estrutura social. Não queremos dispensar a matemática, seja claro, nem é disso que se trata, até porque a matemática ajuda à disciplina mental e é uma das maiores recorrências dos clássicos, mas uma sociedade que seja dirigida só a pensar em números comete muitas atrocidades.
            Os queixumes em relação às gerações das novas oportunidades, têm alguma razão de ser, o que não se poderá fazer é que a vida seja uma constante ‘novas oportunidades’. Encaminhar um aluno para um curso novas oportunidades é dar a hipótese de uma formação mais prática e possivelmente motivar para o prosseguimento de estudos ou um ramo profissional específico. O que não se deve é querer que tudo seja encaminhado pelo que é mais fácil. A sociedade precisa de gente capaz de construir opinião. Gente que não obedece às ordens só porque os outros são dirigentes políticos, polícias ou qualquer outro cargo que possam interferir de modo negativo nas suas vidas, mas sim gente capaz de raciocinar e saber distinguir o bem do mal e, dentro da conduta desses padrões, exigir o que é seu por direito.        Todos os cidadãos são iguais, por isso, formem-se Homens e não máquinas.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (20-07-2012)

sábado, 19 de maio de 2012

Fafe perde serviços porque não sabe ouvir


A cidade de Fafe está a ser reduzida a um dormitório. Esta é uma realidade que não se pode mais ignorar. Vão surgir múltiplas explicações ao sucedido nos próximos tempos, usando sobretudo os cortes na administração pública como principal evidência, mas a falta de movimentação das pessoas é reflexo de um desprezo sentido em não ver resolvidas as suas reais necessidades e que levou a uma adaptação às realidades que surgiam.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Sou contra as propinas, porque…

A educação é o pilar da sociedade. Na história das civilizações, são bem evidentes as formas de transmissão de conhecimentos e saberes que faziam com que as gerações vindouras seguissem os valores, usos e costumes do seu povo. Se remetermos para a atualidade, não há profissão alguma que dispense o conhecimento, a aprendizagem, a escola.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Novas oportunidades: Dinheiro investido em formação atirado ao lixo


Na hora de contratar funcionários, entidades que aderiram à iniciativa das novas oportunidades, funcionando principalmente como entidades promotoras, pesaram mais os favorecimentos que tinham de prestar aos comparsas do que as habilitações adquiridas por aqueles que frequentaram os cursos que os próprios promoveram.
A iniciativa ‘Novas Oportunidades’, embora enredada em questões de estatística na tentativa de colocar o país ao nível dos melhores rankings, pretendia ser uma mais-valia na colocação ou recolocação de pessoas no mundo do trabalho. Desde muito cedo se aperceberam as principais lacunas, principalmente no campo da exigência formativa, mas no que se refere à formação técnica existia uma preocupação acrescida em dotar as pessoas de ferramentas essenciais para o exercício das suas funções técnicas.
Muitos dos formandos foram colocados directamente pelas entidades formadoras, até porque os obrigatórios protocolos de estágio são uma ponte que em muitos casos permite ao estagiário passar a contratado. Em muitos outros casos, as entidades que não eram acreditadas para ministrar formação e pretendiam pessoas qualificadas para melhor responder às suas valências contratavam o serviço de uma entidade formadora e, por obrigação moral e institucional, recorria à sua bolsa de emprego para contratar novos funcionários. Noutros casos, há entidades que recorrem a tudo menos aos seus formandos. É precisamente aqui que reside o problema, ou seja, uma grande parte das instituições não estava interessada em capacitar pessoas para as contratar mas em conseguir as regalias financeiras para a sua instituição, porque na hora de contratar pessoas há entidades que nem um dos formandos contratou, sendo preteridos a pessoas sem qualquer qualificação profissional.
Certamente que todos têm o direito ao trabalho, mas o dinheiro que foi para aquela entidade foi um dinheiro muito mal empregue, afinal de nada serviu a formação, apenas para encher os bolsos à própria entidade.
Na reestruturação das Novas Oportunidades, será interessante repensar na efectiva aplicação dos dinheiros públicos e obrigar as entidades a um plano rigoroso no momento da apresentação das suas candidaturas, obrigando-as a dar preferência àqueles que adquiriram conhecimento nas suas instalações e, por isso, contribuíram para que as entidades aumentassem o seu potencial.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (04-11-2011)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Já não se escrevem cartas


Três estados da América adoptaram como único mecanismo de escrita o computador. As suas razões prendem-se com a preparação para o sucesso dos jovens em questão, acreditando piamente que ‘é uma perda de tempo ensinar a escrever à mão quando o futuro está nos computadores’.
Esta situação não é propriamente inovadora se atentarmos à substituição das folhas quadriculadas pelas máquinas de calcular, talvez só agora se consiga perceber realmente que o mundo está a preparar ‘máquinas’ em vez de pessoas. Medidas deste género começam desde logo a fazer com que os indivíduos percam a sua identidade e não consigam resolver um problema se por alguma razão a máquina não funcionar.
Será uma perda de tempo saber a tabuada? Será mesmo perder tempo aprender a escrever à mão, ter a sua própria caligrafia, ainda que possa ser horrível?
Mais do que tudo isto, muito para além de ter a sua identidade, o que realmente está em questão é o raciocínio que se vai perder e definitivamente o homem não será mais do que uma máquina no exercício das suas funções laborais.
‘Quando foi a última carta ou postal que escreveu?’
Todos nos apercebemos que é muito mais cómodo enviar um email do que ter de escrever uma carta, colocá-la num envelope e ainda ter de pagar os portes de envio depois de passar tempo infindável nas filas dos correios, mas, se se trata de uma carta pessoal, não será este um gesto mais próximo do que realmente se pretende?
Não dispensando de forma alguma a máquina, até porque tudo ficou muito mais eficaz no que diz respeito a serviços, a realização do indivíduo só será completa se ele orientar a sua acção pelo humanismo, permitindo-se a si mesmo pensar, sonhar e escrever.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (14-10-2011)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Não acredites em tudo o que te dizem, informa-te!


A informação é um direito que assiste a todos os cidadãos, mas nem todos estão disponíveis para se debruçar sobre assuntos que à partida parecem mais complexos e que possam dar algum trabalho de pesquisa e análise. Esta atitude, pouco inteligente, faz com que os mais oportunistas joguem com as suas capacidades e sejam idolatrados, obviamente até ao dia em que a verdade factual aparece. O grande problema é quando esta ‘verdade’ chega tarde, porque já fez muitos cometerem erros e jamais permitirá que se corrijam a tempo de evitar confusões ou trapalhadas.
Não é fácil incentivar as pessoas para uma leitura continuada. Não é mesmo nada fácil, principalmente se estivermos a pensar num país muito ruralizado e que tem o futebol e, às vezes, a missa como o único meio de aquisição de algum conhecimento, visto que a escola já ficou bem lá para trás. Como em tudo na vida, cada um tem os seus gostos e assim deve continuar, mas não deveria tomar as verdades que lhes dizem sem que as questione e, depois de uma análise, as tome como suas ou as rejeite. A população portuguesa está envelhecida, mas ser velho não é um defeito é mais um dos momentos da construção da pessoa. Por isso, nunca é tarde para aprender nem para ganhar novos hábitos e, sem dúvida, a leitura seria uma boa opção.
Se as pessoas lessem mais, se procurassem informação, não se deixariam iludir pelas falas de gente que nada ou pouco sabe, mas porque leu umas coisas até parece que sabe muito e depois conseguem enganar facilmente qualquer um que seja desprotegido culturalmente. Por tudo isto, é importante saber que ‘um bom contador de histórias não é o mesmo que um bom historiador’.
As gerações mais novas, felizmente, já dominam as novas tecnologias, o que faz com que elas mesmas pesquisem quando não sabem do que se está a falar, basta colocar no motor de busca e este leva-as de imediato ao que procuram, mas os mais velhos não se dão a esse trabalho e isto só faz com que as nossas gentes continuem a acreditar em histórias ilusórias e rejeitem a verdade, principalmente se se trata de ‘politiqueiros’ que só lhes querem caçar o votinho e se dizem capazes de tudo fazer até porque são muito amigos dos senhores do poder, mas no final, quem preferiu a fantasia, lá terão de dizer que afinal… havia outra!
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (30-09-2011)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O sentimento de impunidade está a destruir as escolas


‘Ai de tu faltares ao respeito a algum professor ou a algum colega’ é uma expressão que já não se ouve mais. Os jornais mobilizaram esta semana comentadores (psicólogos, psiquiatras, juristas…) para comentar a brutalidade de duas miúdas contra uma colega e outros que filmavam e nada faziam. Mas, isto, é só uma pequena gota no oceano do que se está a passar em todo o país. O sentimento de impunidade, as faltas que só servem para cortar as bolsas e nunca excluir o aluno, a passagem quase obrigatória devido aos requisitos serem tão baixos são algumas das problemáticas que têm de ser revistas com urgência sob pena de estarmos a certificar gente com valores invertidos, não que se ensinem nos programas mas porque muitos nem à escola aparecem e não podem ser retirados porque a idade não o permite.
As escolas já foram alertadas para a nova reestruturação do sistema financeiro por parte do POPH, programa de financiamento, e é bem claro quando refere que a escola não receberá o mesmo se tiver 15 ou 10 alunos. À primeira vista até poderia ser compreensível, se estivéssemos a falar da perspectiva do utilizador pagador, mas o problema é que a escola tem os mesmos encargos com 10 como com os 15 alunos, basta fazer as contas: a luz, a água, o material didáctico, os honorários… Ou seja, para a aula funcionar, há encargos fixos, até pode ser menor nas aulas práticas, porque não vai despender de tanto material, mas são momentos pontuais e nunca na globalidade. Uma outra situação é o funcionamento da turma, porque esta para funcionar precisa de ter no mínimo 15 alunos e quem está por dentro das questões do ensino sabe muito bem que as turmas, principalmente as das novas oportunidades, perdem sempre alunos.
Compreendemos muito bem o que se está a tentar fazer: pressão sobre o ensino e a qualquer custo manter os alunos dentro do sistema de ensino, mesmo que eles faltem muito e tenham resultados péssimos. Mas não é assim que se formam pessoas com capacidades de produzir e, principalmente, com capacidade de ter um comportamento cívico condigno.
O ensino profissional, que antigamente era visto como os cursos frequentados por aqueles que tinham mais dificuldades, ganhou o estatuto de qualidade e é bem notória a sua prestação no mundo do trabalho, isto é, são cursos que valorizam mais a parte profissional como sempre foi o seu objectivo e conseguem ser uma mais-valia e em muitos casos de excelência no mundo empresarial. Os novos cursos de Educação e Formação, que lhe copiam o conceito, estão em muitas das situações além das expectativas, uma vez que têm inúmeras lacunas como já fora retratado atrás.
Para uma melhor prestação no ensino e à sociedade, é urgente uma reestruturação na concepção destes cursos e, mais ainda, na forma de financiamento para que as escola não se vejam obrigadas a tomar medidas que em nada beneficiam a comunidade escolar, mas antes a atiram para o abismo.
A EDUCAÇÃO NÃO PODE TER COMO PRINCIPAL OBJECTIVO A ESTATÍSTICA, MAS SIM A CIDADANIA E O PROFISSIONALISMO!
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (27-05-2011)