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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Morre com um tiro!

(Uns prédios altos com grafites. Uns muros com cartazes rasgados, colados uns em cima dos outros)

Salvador - Morre! Morre com um tiro! Morre! E mais nada! Nada! Nada acontece! Apenas morre e pronto. Morre… Morre... Morre... E vós continuais aí sentados... Como se nada fosse… 
Vamos! Levantai-vos! Fazei alguma coisa! (pausa breve) Foda-se! É sempre a mesma merda! Está tudo fodido. Não há emprego, não há que comer, mas ninguém faz nada. Toda a gente fala da vida de toda a gente. Todos sabem que o vizinho anda a foder a mulher do melhor amigo. Todos conhecem o que aquelas putas fazem para conseguir o emprego, para elas e para as filhas, mas nada… ninguém diz nada… roubam às descaradas, matam… mas ninguém viu nada… nem estavam em casa quando isso aconteceu.
Hipócritas! Um bando de hipócritas!
(Entra para o prédio)

in Back to life, Prólogo.

quinta-feira, 13 de março de 2014

O problema é que os jornais dizem a merda que os gajos como tu não gostam de ouvir…


Mané – Ei! Tu aí! Sim tu, ó totó… que estás para aí a dizer? Não gostas da tua vida? Queres levar um tiro nos cornos? Ou não gostas do que dizem os jornais? Podes sempre limpar-lhe o cú. O problema é que os jornais dizem a merda que os gajos como tu não gostam de ouvir… porque são desmascarados… são trafulhas… deixa ver
(arranca-lhe o jornal das mãos)
«subida de impostos… fraude fiscal… mata a amante e suicida-se a seguir… aumento de desemprego… férias de luxo… esbarra lamborgHini e compra Ferrari…»
Filhos-da-puta! É este o país que temos…

Rute – Chega! Deixa o homem em paz.

Mané – Ai é? Queres que o deixe em paz? E logo tu que estavas a dizer que as nossas famílias é que viviam sem fazer nada.

Rute – E tu sabes bem que é verdade!

Mané – (aponta-lhe a arma) Cala-me essa boca. Só dizes merda…
Rute – E tu só fazes merda. Onde arranjaste essa arma? Já estiveste a fumar…
(Salvador sai sem eles se aperceberem)

Mané – (empurrando-a) Já te disse, caralho. Cala-te!

Zé – (tira-lhe o jornal) Baixa isso.

Joca – Não consegues ser normal? Pensas que estás sozinho? Há gente que gosta de ti…

Mané – (aponta a arma para Joca) Agora queres dar-me tu lições… ó betinha? Mas eu perguntei-te alguma coisa? Achas que me convences por teres uns olhos bonitos e andares sempre bonitinha?

Zé – (agarra no Mané para lhe tirar a arma) Chega Mané! Dá cá isso, senão ainda magoas alguém. Somos todos amigos…


Mané – Somos o caralho. Estamos todos a lutar pela sobrevivência… ninguém é amigo de ninguém na hora da morte… todos fogem… todos se borram de medo de ser apanhados pela bófia… (empurra-o) e chega-te para lá…

SOUSA, Pedro Miguel Teixeira, Back to life, Cena IV (excerto).

quarta-feira, 12 de março de 2014

«Um escravo à inteira serventia da sua deusa!»

Cena IX

(Psique deslumbra-se com esta dedicatória amorosa e quando terminam a cantoria, corre e joga-se nos braços do seu amado)

PSIQUE (Agarrada ao pescoço de Cupido e beijando-o)
Tu és louco! Tu és divinal! Tu és…

CUPIDO

            … um eterno apaixonado! Um escravo à inteira serventia da sua deusa! A mais bela e mais carinhosa de todas as mulheres, que faz parar as chuvas e os ventos, as aves e os animais selvagens com tamanha luz que de si irradia. Não há noite que não clareie, nem dia que não escureça! Os rios correm para o leito e as nuvens dissolvem-se nos mares! Tudo precipita a sua beleza!
(...)

SOUSA, Pedro Miguel Teixeira, AS NÚPCIAS DE CUPIDO E PSIQUE, Ato IV, Cena IX.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Fotos do Workshop de Expressão Dramática na EAC


Organização: Associação de Estudantes da EAC
Formador: Pedro Sousa
Fotografia: Cindy Manta 
Design Gráfico: Eliana Pereira